sábado, 7 de junho de 2025

O Misterioso Iraque - *Expedição Mesopotamia* - 2025



O

MISTERIOSO IRAQUE

EXPEDICAO

MESOPOTAMIA 




 7-Junho – Lisboa Vitória (831km) Espanha  

Chegou a data determinada de encetarmos a nossa longa viagem onde iremos visitar diferentes países ao longo de 61 dias. Nunca estivemos tantos dias ausentes da nossa terra, vai ser uma grande expedição. Combinamos encontrar-nos pelas 8h00 na estação se serviço da Galp na 2ª circular, junto ao bairro da encarnação. Nós, quando saímos de casa e mal havíamos percorrido 500 metros uma gaja cruzou a nossa faixa de rodagem, vinda de um beco e sem afrouxar passou pela minha frente, eu apenas tiver tempo de travar.
A nossa viagem poderia ter terminado ali, pois com a velocidade que ela seguia ao cruzar a via e de não ter parado ao sinal de stop. Tipa perigosa, eu seguia na via principal e circulava na ordem dos 50 quilómetros, seria o suficiente para ficarmos num amassado de latas e não só. A mula nem se apercebeu da borrada cometida e lá seguiu pela ruela em frente. Esta fulana não merece estar viva, vai de certeza fazer mais sujeiras e quem sabe se não vai tirar a vida a alguém. Contratempo ultrapassado e lá seguimos em direcção à IC19, via perigosa pelo facto de ali circularem imensos imbecis que ocasionam incontáveis acidentes, provocando inúmeros engarrafamentos. Uma lástima de via para ali circularem na maioria pessoas sem discernimento.
Por fim entramos na 2ª circular e chegámos ao local da partida efectiva, fomos os primeiros, mas passados poucos minutos apareceram o Carlos e a Júlia e a seguir o Cláudio e a Cândida. 
Vim a saber que o despertar do Carlos foi pelas 6h45 em que a Júlia colocou o despertador e de seguida começou logo a dizer que se tinham de levantar se não chegavam atrasados. Estivemos a falar um pouco, seguidamente colocamos os autocolantes no pára-brisas, nas laterais bem como na parte traseira das viaturas. São autocolantes que o Cláudio mandou imprimir e têm um mapa mundi onde foi destacado com uma lupa o trajecto que iremos fazer. O Carlos também referiu que neste local a paragem era obrigatória noutros tempos em que todos os viajantes aqui paravam para as sandes de ovo com salsicha na companhia da respectiva Sagres antes de se lançarem na aventura da nacional 1, até ao norte. Tudo prontinho e eis sinal de partida, aí estão as três máquinas acelerando pela A1 em direcção à A23. Vamos falando muitas vezes pelos rádios USB instalados nas viaturas o que nos entretém ao longo dos muitos quilómetros que temos pela frente. Com isto já passamos nos arredores de Santarém, mais adiante Constância e Castelo Branco.
Já bem longe, se fizeram uns bons quilómetros e a fronteira foi transposta, ultrapassados mais uma centena de quilómetros a fome começou a apoderar-se de todos. Fomos parar num estacionamento de uma antiga estalagem ou lá o que era. Casa de putedo, minha gente. Cláudio abre o toldo, coloca a mesa, eu fui buscar a minha mesa e eis que se ouve lamúrias e um barulho de que algo aconteceu, o que é que tinha sucedido o Cláudio ao mexer na mesa ela fechou-se e a quiche que se encontrava lá em cima estatelou-se no chão, nada se perdeu aproveitou-se pois esta ficou quase intacta. Todos comemos e fomos unânimes em afirmar que estava muito apetitosa, uma verdadeira delícia e bem-apresentada.
Concluída tão árdua tarefa pusemo-nos novamente à estrada pela A62 em direcção a Valladolid, seguindo-se a AP-1, depois A1 e finalmente chegámos a Vitória, onde arranjamos lugar para pernoitar num parque de estacionamento para carros e autocaravanas de nome Lakua, situado na 5 Julian de Arrese Kalea – Vitória (Gasteiz). Ainda tivemos tempo para fazermos uma pequena volta pela cidade, mas não estivemos no centro para saborear umas tapas, fica para uma próxima, fartamo-nos de andar mesmo com o Cláudio ainda dorido do joelho que teima em ficar bom. Final desta etapa em que fomos descansar depois de uma viagem com uma temperatura muito elevada. Antes de partir atestei a viatura com 39.12 litros a 1.674€ e mais tarde na Espanha em Villazopeque em Burgos 63,24 litros a 1.439€

8-Junho – Vitória – Toulouse (440km) França 

Podemos afirmar que esta etapa de hoje não seria mais do que um troço de ligação, mas iremos beneficiar da nossa passagem por Toulouse e visitar algo que nunca vimos. Eram precisamente 8h00 e já todos prontos para sairmos. Concertamos que quando surgissem itinerários com mais de 300 quilómetros a hora de partimos seria esta. Percurso iniciado em direcção à fronteira francesa para depois transitarmos por imensas cidades francesas que se ligam ao longo da linha fronteiriça. Uma imensidão de quilómetros feitos em vias fantásticas, algumas ladeadas com uma vegetação exorbitante e arvoredo encantador, muitas fotos conseguimos tirar nestas galerias feitas pelas árvores colossais. Outro pormenor é que estamos a evitar auto-estradas com portagens o que vai dificultar a rapidez nos trajectos, mas iremos encontrar mais vistas fantásticas e a passagem por lugares que ficaremos a conhecer um pouco mais. Passamos mesmo numa das alas da ilha dos Faisões, um pequeno território no rio Bidasoa que faz fronteira entre os dois países. A sua soberania é alternada a cada seis meses entre a Espanha e França, sendo um condomínio internacional com base num tratado histórico de 1659, o Tratado dos Pirenéus. Esta minúscula ilha não é visitável.
Cruzamos há momentos os arredores e uma pequena parte da cidade de Pau, recordo-me que o Gonçalo deveria ter uns 3 aninhos quando ali estivemos. Mais uns quilómetros adiante e surgiu Tarbes para de seguida entrarmos na D632 onde a distância do destino está mais curta. Entretanto eram 16h30 minutos quando chegámos a Toulouse. A nossa principal visita vai ser o Musée Aeroscopia, um museu direccionado integralmente para a aviação. Assim sucedeu, ingressos adquiridos e eis a nossa entrada. Este museu possui uma colecção de aeronaves de valor indeterminável.
Entre os 30 aviões históricos pousados no pavilhão grande, vimos os pioneiros como o Blériot de 1909, este uma réplica, mas não é por isso que deixa de ter o seu valor, estão aqui o MIG15 o americano Lockheed F104 e o britânico Sepecat. O melhor foi mesmo entrarmos dentro de alguns aviões icónicos, entre eles o Concord. Poucos ou nenhuns de nós sabem ou se lembram que o Concord já aterrou no aeroporto da Portela em Lisboa, mais precisamente no ano de 1992 no dia 13 de Outubro, mais tarde em 1998 e 1999, voltou-se a repetir tal façanha.

O acidente verificado com o voo 4590 no ano de 2000 em Paris, iniciou o culminar do fim deste em 2003. Muitos mais aviões visitamos entre eles o futurista e monstruoso Beluga, nós nos questionamos como é possível esta baleia monstruosa voar, a verdade é que voa e nunca tive a sorte de o ver no ar.



























































































Por fim demos por concluída a nossa visita e comunico que a sede da Airbus e o Centro Nacional dos Estudos Espaciais está aqui localizada nesta cidade de Toulouse. Pernoitamos no Caravan parking M956+89, 31700 Blagnac, local sossegado e seguro, também grátis. Igualmente hoje foi a final da liga das nações em futebol.
Estivemos todos a ver o jogo no tablet da Cândida, no entanto o jogo foi para prolongamento e a Cândida emprestou-nos o tablet para vermos o final na nossa autocaravana, depois do 2-2 no final do tempo regulamentar o jogo foi para prolongamento, mas nada se alterou chegando o momento das grandes penalidades em que Portugal logrou vencer a Espanha por 5-3. Portugal conquistando assim a segunda liga das nações na sua história depois de 2019 a ter ganho.

9-Junho – Toulouse – Genebra (634km) Suíça

Outra mão-cheia de quilómetros que temos para transitar até atingirmos o objectivo de hoje o Cern, uma organização Europeia para a Investigação Nuclear, é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado em Meyrin, no cantão de Genebra na fronteira Franco-Suíça.
Foi criada em 1954 e a organização tem 23 estados–membros, incluindo Portugal que aderiu em 1986. Assim que demos início ao percurso encaminhamo-nos para a A68 em direcção a Albi, foi rápido este troço pois foi executado em via rápida, ininterruptamente percorremos uma centena e mais de quilómetros pela N88, mais à frente apanhamos um pequeno troço da A75 que foi gratuito, de imediato retomarmos novamente a N88 e rondamos a cidade de Saint-Ettiénne, ao fim de mais umas centenas de quilómetros. Agora circulamos na A47, depois A7 e A46, onde passamos nos arredores de Lyon. Um pouco à frente adveio a hora do almoço, os nossos alforges ainda estavam cheios das coisas boas que trouxemos, sim outro momento fantástico regado com cerveja super fresca.
Esta hora do almoço foi antecipada 30 minutos pois o Carlos estava com cólicas e antes que ele se borrasse todo, parámos para o acudir. Novamente ao caminho e um pouco adiante chega mais alcatrão para percorrer das D1075, D1084, D1508 e finalmente D884, todas elas estradas departamentais, ou seja, todas as estradas com a letra “D”. Finalmente entrámos na Suíça pela D984F e chegámos a Meyrin. Nessa altura pensamos o que comer, a decisão estava por perto, assim o Mac, Mac foi a melhor solução. O dia já tinha começado a escurecer quando chegámos. O local onde pernoitar vai ser numa Asa que já estava referenciada, apenas descobrir onde se situava realmente, (1242) Satigny – 21 Route du Bois-de-Bay.



Não foi assim tão fácil, este encontrava-se num estacionamento defronte de um parque de campismo, onde carros e camionetas de passageiros estavam também ali estacionados.

Conseguimos três lugares com imensa dificuldade, tanto que eu estacionei num lugar reservado para uma empresa. Só de manhã é que descobri que uma série de locais de estacionamento eram reservados para uma empresa de construção ali perto onde fui despejar o lixo.


Alguns de nós pernoitaram com medo que alguém quisesse sair ou entrar e que nós estivéssemos a dificultar a manobra. Nada aconteceu e descansamos comodamente. Hoje quando eram 09h01 abastecemos gasóleo em Rouffiac, 53,61 litros a 1.482€, mais tarde em 01460 Port eram 20h01 pus mais, 54,03 litros a 1.529€

10-Junho – Genebra – Santa Mónica (190km) Suíça

Esta visita ao CERN já fazia parte de uma viagem que fizemos em 2021, mas nessa altura tivemos azar, porque aos domingos esta unidade de pesquisa encontra-se encerrada, mas desta vez isso não vai acontecer pois hoje 10 de Junho, terça-feira e feriado em Portugal, iremos dar prosseguimento à ideia de visitar sítio tão emblemático.


O início do dia não correu do meu agrado, porque ao sair do local onde pernoitamos verifiquei que uma viatura estava estacionada muito encostada a nós, eu nem podia entrar ou sair pela minha porta, também nem demos pelo barulho do motor desta quando estacionou. Aconteceu que ao fazer a saída de frente e quando a manobra estava totalmente executada o farolim traseiro no meu lado roçou ao de leve pela parte traseira da outra viatura, ficando partido e o pára-choque ficou uns milímetros afastado.

Na outra viatura a tinta ficou raspada e nada mais. Mais tarde dei com o pé no pára-choques e este foi logo ao lugar, apenas terei ainda de passar com polish para tirar a tinta do outro veículo e comprar um novo farolim, mau começo, espero que fiquemos por aqui. Havíamos combinado que tínhamos de nos dirigir para o parque de estacionamento do CERN, cedo, para adquirir os acessos, assim ocorreu. Agora comprar os bilhetes e iniciarmos a tão desejada visita, no entanto as entradas são gratuitas, tanto melhor. Assim iniciamos o programa para esta manhã. Apenas vou relatar dois elementos que acho os mais importantes a saber, aí está o primeiro:

O acelerador de partículas é um instrumento científico cujo objectivo é acelerar partículas elementares, (por exemplo, electrões ou potrões) e provocar colisões entre elas. Desta forma, consegue-se criar novas partículas e estudar como as partículas interagem entre si. Actualmente existem mais de 30 000 aceleradores de partículas no mundo, uns pequenos, outros grandes, mas nenhum como o CERN. Enquanto o primeiro acelerador de partículas em 1929 tinha cerca de 30cm, este o maior do mundo na actualidade tem um perímetro de 27 quilómetros.
























Segundo caso: Tal como todos os centros de investigação científica, muitas das descobertas feitas pelo CERN só têm uma aplicação prática no quotidiano após muitos anos de desenvolvimento, os aceleradores de partículas CERN são essenciais na procura de novas formas de matéria, logo estão na base da descoberta e construção de novos materiais.


Os aceleradores de partículas do CERN são também utilizados na pesquisa de energia nuclear e na medicina como fonte de radiação para tratamentos de certos cancros. Alguns dos componentes electrónicos criados para aceleradores de partículas do CERN foram mais tarde utilizados na rádio, TV, radares e comunicação via satélite.

Entretanto estava à espera de visitar um local onde lograsse avistar um troço deste acelerador, isso não é visitável, apenas salas onde dispõem de peças desligadas que podem fazer parte da veracidade, mas não operam, apenas para observar e ver uma peça imóvel, nada mais. Como foram concluídas as visitas mais cedo vamos andar mais uns quilómetros, onde iremos encurtar substancialmente a etapa de amanhã. Já a caminho, ladeando com o enorme lago de Léman ele com os seus 73 quilómetros de comprimento, fomos andando entre paisagens lindíssimas até Angle onde observamos na estrada um anúncio em que se vendem cerejas. Ora essa, vamos comprar cerejas, então andamos e paramos para ver o local onde elas se encontram. Fui dos últimos a sair da autocaravana e imediatamente deparei com imensas cerejeiras carregadas, rapidamente comecei a apanhar e a comer, já com muitas na barriga fui descobrir onde se encontravam os restantes elementos, estes já estavam num barracão a cavaquearem com uma emigrante portuguesa que lhes estava a vender cerejas já apanhadas ou caso contrário poderíamos nós ir apanhá-las para depois serem pesadas e procedermos ao pagamento.

Deu-nos dois baldes não muito grandes e eis, lá vamos apanhar cerejas. Toda a malta apanhar cerejas, estas têm muito bom aspecto, mas nada das cerejas que estávamos à procura, não são muito doces nem duras como todos gostamos, mas comem-se. Acontece que eu e o Cláudio andávamos era apanhar para comê-las de imediato o resto da malta até estavam contra a nossa atitude. É que eram tantas as cerejeiras supercarregadas que mal faria se comêssemos umas tantas, não era mesmo questão. Eu falo por mim, saí dali com a barriga cheia de cerejas.
























Por fim pagámos as cerejas dos baldes, e, não foram assim tão baratas, sim estamos na Suíça para nós portugueses aquele preço era elevado, para eles suíços era económico para nós nem tanto assim, queríamos sim, pechincha. Concluída tão árdua tarefa, lá vamos a caminho com estradas estreitas e paisagens adoráveis. Uma situação engraçada esta via em que circulávamos foi sempre serpenteando a auto-estrada 9, com percurso tão idêntico.

A diferença foi que cruzamos imensas vilas e aldeias ao contrário da auto-estrada que passava por perto. Já perto do final a Cândida prontificou-se em encontrar local, para pernoitar.













































Primeiramente um camping, mas quando lá chegámos este não tinha lugares, concederam a informação de que ali perto encontraríamos o Camping Santa Mónica Raron na Kantonsstrasse 56, 3942 Raron, Suíça. Local muito amplo e delicado situado num vale paisagístico desta Suíça. Camping com infraestruturas excelentes e funcionais.
Adoramos todos os serviços e local onde nos instalamos, recomendo a quem passar por este local de usufruir dos serviços deste camping. Amanhã outra rota iremos iniciar por este país, por locais que nunca percorremos. Faltava referir que hoje no final do dia foram retirados os pontos da mão do Cláudio. Ele andava ansioso por este momento.

11-Junho – Santa Mónica – Tirano (306km) Itália  

Será um dia direccionado especificamente a conduzirmos em montanha por estradas com imensas curvas, cotovelos, abismos, altitudes e paisagens deslumbrantes.
Vamos então dar início, partimos de Santa Mónica encaminhamo-nos para um dos muitos troços prováveis. Havíamos feito alguns quilómetros e já estávamos a passar por uma linda vila a de Briga logo a seguir Naters, mais uns quilómetros e a verdadeira montanha está à nossa frente, desta vez avistámos e cruzámos a linda vila de Grengiols e perseguimos pela Furkastrasse, sim uma das verdadeiras estradas de montanha dos Alpes, sempre a subir com curvas enroladas, visibilidade reduzida e abismos incontroláveis. Lá bem no alto paramos para tirar uma mão cheia de fotos e apreciarmos o vale e um pico coberto de neve que estava há nossa frente, local maravilhoso este.


















































































































Prosseguimos viagem e a determinado momento passa por nós uma autocaravana com matrícula Suíça GR 23973 a alta velocidade a subir a montanha. Pelo rádio o Cláudio alertou que era excessiva aquela velocidade e que no final o motor e travões estariam bem degastados e um consumo elevadíssimo. Por fim chegámos ao cruzamento com outra rota espectacular a Grimselstrasse, mas seguimos em frente e atravessámos o rio Rhône. Por várias vezes avistamos a linha férrea do comboio de montanha e alguns comboios que seguiam a sua marcha. Lentamente percorremos este trajecto e os quilómetros iam passando até que entrámos no percurso Gotthardstrasse, onde nos deparámos com mais umas dezenas de curvas encaracoladas que teimavam em não acabar.






































Já longe parámos no Passo de Oberalp para tirarmos outra mão cheia de fotos. Sei que poderia estar aqui a relatar o tempo todo, mas vou passar um pouco à frente. Transpomos o cruzamento que nos daria acesso a St. Moritz, mas a direcção é para Berninapass, pela nacional 29 e mais uma vez vimos o célebre comboio que percorre montanhas aqui na Suíça por um preço elevadíssimo.



Mais lagos à nossa volta, montanhas cobertas de neve e outras paisagens deslumbrantes, como de repente entrássemos num quadro cujo tema seria a pintura, é a beleza natural, uma linha de comboio que circunda os pequenos lagos formados pelo degelo dos glaciares é maravilhoso.
Grande parte do percurso é feito a 2200 metros de altitude, mais ênfase dá a tudo o que está a ser relatado. Encontramo-nos já muito perto da fronteira com a Itália onde iremos pernoitar na cidade de Tirano. Finalizada tão escarpada etapa que iremos recordar por longos anos, vamos ficar instalados em mais uma área de camping a “Camper Tirano” na via Alla Polveriera 50, 23037 Tirano SO, temos que se pagar 15€ do ingresso, a verdade é que eu não paguei nada, não fosse eu Português.

12-Junho – Tirano – Trieste (415km) – Itália

Vamos continuar a circular nas montanhas pelas estradas designadas por exemplo SS39 “Strade Statali” que são estradas estaduais, geralmente gratuitas. O exemplo é que estamos numa dessas estradas a circular e continuamos a subir e a descer montanhas, numa das subidas, esta, muito longa e com muitas curvas fomos encontrar um grupo de ciclistas que aparentam ter mais de 50 ou 60 anos a subir com muita garra, porém a quantidade deles devem rondar uns 50, para os ultrapassar foi uma aventura, porque o espaço entre eles ia variando dos 2 metros até 5, 10 ou mais, apesar de irem encostados à sua berma, a nossa dificuldade era que a estrada era estreita e o trânsito também não ajudava.

Ao fim de uns bons minutos as três autocaravanas tinham ultrapassado os ciclistas. Neste início fomos encontrar muitas curvas retorcidas com SSS apertadíssimos foi para não esquecermos todas aquelas que ontem transpusemos.




















Passamos por muitas vilas e vilarejos destes Alpes, rios e pontes, uma experiência inesquecível com paisagens deslumbrantes e muitas opções de lazer. Várias vezes nos interrogamos como seria esta viagem de Inverno, tudo coberto de neve, também deve ser fantástico, apenas com muitas limitações por causa da neve obstruir muitas destas vias. Já havíamos percorrido duas centenas de quilómetros e a montanha persiste, quando passamos por Trento é que ficamos a saber que estas estavam a ficar para trás, serão pouco mais de 100 quilómetros que vamos percorrer com elevações soft para atingirmos Trieste.


















Já entramos em Trieste conseguimos parquear na “Area Comunale Sosta Camper”, situada debaixo dos viadutos da via rápida SS14, endereço Via Karl Ludwing Von Bruck, 34123 Triste TS, local sossegado e vigiado por câmaras, parque pago.
Pensamos em dar umas voltas por Trieste, fomos a pé até ao centro onde fizemos umas voltas pela parte antiga da cidade para depois irmos jantar num restaurante numa das praças, porém alguns de nós não gostaram nada do que comemos, não passou de um barrete e caro com qualidade a deixar muito a desejar. Demos mais umas voltas junto à zona ribeirinha e regressamos a pé até ao estacionamento, ou seja, no total da ida e volta fizemos uns quilómetros jeitosos. Abastecemos hoje pelas 8h50 de gasóleo em Aprica, à minha parte 60,20 litros a 1,679€.

13-Junho – Trieste – Zagreb (227km) Croácia

Eram praticamente 9h00 quando iniciamos este percurso que nos levará até à Croácia, mais precisamente à sua capital Zagreb. Havíamos percorrido poucos quilómetros e eis a passarmos a fronteira italiana com a da Eslovénia. Continuámos viagem e passamos, muito perto das grutas de Postojna, mais uma vez, e neste caso fomos todos que não nos detivemos para as visitar, também sei que o bilhete para as percorrer custa a módica quantia de 34,50€, reparem que neste país a Eslovénia ainda fazem preços com cêntimos, por cá é tudo aos euros, quando vamos visitar um castelo, museu ou palácio.
Vai ficar para uma próxima viagem, vamos esperar. Em Rakek atestamos de gasóleo, eram 10h21 e foram mais 41,310 litros a 1,440€ o litro. Pela 12h43 parámos para almoçar em Šentjernej situado na estrada nacional da Eslovénia 419. Mais outro almoço fundamental para a epopeia que estamos a fazer. Mais tarde fomos ao Lidl, nosso supermercado de eleição para esta viagem, mais vezes o iremos visitar. O trajecto ia diminuindo para enfim chegarmos à fronteira, desta vez entre a Eslovénia e a Croácia, agora são mais 31,4 km para finalmente chegámos a Zagreb, onde iremos ficar no Camp Zagreb, situado em Jezerska ul. 6, 10437, Rakitje, Croácia.
Parque com condições extraordinárias, bem localizado e estruturalmente delineado. Aqui vimos uma autocaravana Mercedes, da mesma família da do Cláudio preparadíssima para andar em pistas de África. Quando chegou a hora do jantar estivemos primeiramente a arranjar todos os componentes para tão espinhosa cerimónia de sustento, todos contribuímos nesta tarefa para que depois nos sentássemos e fossemos comendo e falando num fim de dia quente com um luar já a lembrar Agosto.
Tivemos notícias quase em cima da hora de que Israel atacou as instalações nucleares iranianas matando 78 pessoas e ferindo mais de 320. Nesta sexta-feira, disse o embaixador do Irão nas Nações Unidas. Os ataques mataram generais e cientistas, mas o embaixador afirmou ao Conselho de Segurança da ONU que a esmagadora maioria das vítimas eram civis. Vamos continuar a ter informações desta guerra que poderá afectar a nossa viagem pelo Iraque.

14-Junho – Zagreb – Mitrovica (395km) Sérvia

Dando continuação à situação de guerra entre o Irão e Israel dezenas de mísseis iranianos foram lançados contra Israel em múltiplas vagas de ataques na madrugada deste sábado, segundo informações das forças israelitas.
As sirenes e o estrondo das explosões, possivelmente de interceptores israelitas, podiam ser ouvidos no céu sobre Jerusalém e Telavive. Por estas informações a situação está deveras má para ambos os lados. São 8h40 e vamos começar a desbravar mais quatro centenas de quilómetros, quase a sua totalidade em território Croata. Entretanto ainda fomos dar umas voltas por esta harmoniosa cidade, realizamos uma longa caminhada pelos locais que consideramos de maior importância. Como sempre temos dificuldade no estacionamento das três autocaravanas, duas delas o seu comprimento dificulta o espaço de parqueamento, mas como sempre conseguimos. Um dos locais predilectos para a digressão foi uma das praças centrais, em que estivemos a ver um grupo de folclore actuar com as suas danças, cantares e músicas tão tradicionais destas bandas. Detivemo-nos a ver a catedral com a torre principal a se encontrar em obras, esta parcialmente coberta por andaimes.
Quando aqui estivemos em 2004, estes andaimes já existiam, vejam, passaram-se 21 anos e assim continua. 
Andamos mais um pouco e subimos do outro lado uma escadaria imensa, porque o funicular o mais curto do mundo com 66 metros encontra-se em revitalização. Lá no alto conseguimos ver Zagreb de outra forma, aqui subimos à torre Lotrščak por uma escadaria em espiral, íngreme e apertada toda feita em madeira por 5 pisos até ao varandim, desconfiei que a Sofia não iria conseguir superar tal subida com o calor que estava e ser tão extensa. Todos os dias é disparado desta torre um tiro de canhão ao meio-dia, faltavam ainda uns 20 minutos para isso acontecer, mas ocorreu-nos que não estávamos para aguardar. Descemos e passámos por um mercado de rua onde eram vendidos frutos e legumes, outras coisas também ali eram comercializadas.












































Prestes a terminar o passeio, fomos em direcção ao parque onde se encontravam estacionadas as nossas máquinas. Um pormenor, este parque encontra-se numa rua muito perto do centro em que a dificuldade para entrar é complicada pois a minha caravana passa por entre um muro e o suporte da cancela, deixando-me sem espaço para fazer a manobra, ao entrar tive de recolher os dois espelhos laterias para não roçarem e mesmo assim um deles tocou na camara de filmar que estava à minha esquerda, agora à saída a dificuldade é do lado oposto, veremos se o espaço de manobra é idêntico.




















Presentemente já estamos a percorrer a estrada nacional D2, seguindo-se a 43 até entrarmos na 34, esta via passa muito perto da fronteira com a Hungria, mais uns quilómetros e ao nosso lado esquerdo fica o parque natural Kopački Rit para depois rondarmos Vucovar e entrarmos em estradas, que mais parecem caminhos de floresta, e é que são mesmo, por esse motivo a nossa velocidade reduziu-se bastante, por causa do caminho em terra batida e os arbustos a roçarem as viaturas, foi amargurado fazer este troço, se nalguns locais nos cruzássemos com outra viatura seria um problema do caraças. Já muito longe entrámos numa estrada em condições, a 46 que nos levou até à fronteira. Os trâmites fronteiriços com a Sérvia foram pacíficos e rápidos, mais porque este país está em vias de entrar na Comunidade Europeia. O nosso destino de hoje seria Belgrado, mas não vai acontecer, porque ainda são uma mão cheia de quilómetros e já é um pouco tarde. Resolvemos ficar em Sremska Mitrovica, num parque situado na Stevana Sremca com a Jovice Trajkovica, {44.962032, 19.622674} aonde podemos pernoitar em que havia uma espécie de rio sem água, mas que de um lado e do outro existem diques para que a água não venha a transbordar no tempo dela.




Agora água não há, está mesmo seco. Ficamos no final desse parque imenso, longe da zona onde há u
m aglomerado de pessoas.
Vamos ver se temos sorte e que não venha ninguém nos incomodar durante a noite. Os abastecimentos de gasóleo são constantes e hoje não podia faltar e em Vucovar-Mitnica foram mais 43,66 litros a 1,28€.

15-Junho – Mitrovica – Donja Toponica (333km) Sérvia

Hoje o mesmo de todos os dias, galgar quilómetros por estradas nacionais. Prosseguimos a não optar por vias rápidas, pagas e partimos na direcção da nacional 120 em que fizemos poucos quilómetros para depois seguirmos na 126 em direcção ao sudoeste para seguidamente entrarmos na 100 que nos levou até Belgrado onde iremos parar e visitar esta cidade a capital da Sérvia.


































































Já aqui estivemos em Agosto de 2004, já lá vão 21 anos. Vamos rever alguns dos locais e descobrir mais um pouco da cidade. Estacionamos as autocaravanas e subimos uma das principais avenidas em que o trânsito se encontrava cortado por existir um acampamento de diversos manifestantes com dissemelhantes profissões, tudo muito pacato. Neste trajecto, longo, feito todo a pé, fomos visitar a catedral ortodoxa de Belgrado, sendo esta também conhecida pela catedral de São Sava, o maior templo ortodoxo na Europa e uma das 10 maiores igrejas do mundo, esta baptizada em homenagem a São Sava, fundador da igreja ortodoxa Sérvia. Aqui um sem número de pessoas beijam frequentemente todos os santos em que todos estão a conspurcar a imagem, um nojo. No tempo do covid esta atitude era de louvar.

Depois de presenciarmos os vários actos de fé e a grandeza e o luxo desta catedral, também as senhoras compraram o seu vício, os seus ímanes. Retomamos o caminho de regresso onde paramos para devorar uns MacDonald’s, comida tão típica para esta região. Aqui vamos retomar a viagem por vias com bastante trânsito e já longe percorremos a nacional 158, onde o traçado melhorou e não temos assim tantas curvas e com um piso excelente. Até ao momento já cruzamos umas quantas vezes a auto-estrada A1, mas nada de entrarmos nela, as nacionais é que merecem a nossa estima e confiança, tanto que as paisagens em nada têm a ver com as do auto-estradas. Praticamente faltam já poucos quilómetros para fazermos dois terços da tirada, pouco mais de duzentos e logo vimos o desvio para o Mosteiro de Žiča, mas este também vai ficar para outra vez, se é que vai haver mais uma vez, não sabemos! Chegámos a Deligrad, se quiséssemos ir para o Kosovo seria neste cruzamento que teríamos de tomar outra estrada para nos dirigirmos para lá. Eu, Sofia, Carlos e Júlia, já estivemos no Kosovo nos dias 18 e 19 de Agosto de 2004, já lá vão 21 anos, parece-nos que foi há menos tempo. Nessa altura o Gonçalo estava entre nós, tristeza e uma grande melancolia.

Mais uma vez a auto-estrada A1 cruza-se com a nossa via e durante alguns quilómetros está paralelamente ao nosso lado. Pouco mais andamos e entramos em Donja Toponica, onde iremos encontrar o sítio onde está o camping, já reservado.
Mais uma vez a Cândida tomou a responsabilidade de arranjar o local para dormir e descobriu uma zona de camping DVOR – Niš, Donja Toponica, ul, Četvrta br 7, Donja Toponica 18202, Sérvia. Local e donos maravilhosos.
Quando entramos no recinto havia um número elevado de crianças que estariam ali de férias ou coisa parecida. Este lugar fez lembrar a todos o espaço que o Jardas e Natalina possuem, em algum momento eles gostariam de possuir mais este espaço, mereciam. O nosso jantar foi muito superior em nada o podemos comparar com os hamburgueses do almoço. A ementa foi esparguete à bolonhesa, estava uma delícia, mas aconteceu que numa atitude parva e com um pouco de brincadeira, também parva o espaguete que estava no prato do Carlos e que eu o ia entregar-lhe escorregou do prato e parte dele catrapumba para cima dos calções do Carlos. Desculpa Carlos, não foi por mal, acabei de fazer merda, foi sem querer.

16-Junho – Donja Toponica – Sófia (204kn) Bulgária

Nesta viagem, este será o terceiro dia que percorremos este país a Sérvia, razão para relatar um pouco da história. Havendo este país na península dos Balcãs, no sudoeste da Europa, cuja capital é Belgrado é do conhecimento de todos que já fez parte da Jugoslávia e até 2006 foi uma confederação com Montenegro. No dia 5 de Junho do mesmo ano a Sérvia declarou a sua independência após dois dias de Montenegro ter feito o mesmo. Em 2009 a Sérvia apresentou a sua candidatura de adesão à União Europeia.
Também houve uma guerra quando a província do Kosovo desejou se tornar independente, ainda hoje a Sérvia não o reconhece como país, mas já existe uma maioria de países que reconhecem o Kosovo como um país autónomo. A moeda é o dinar Sérvio com uma cotação em relação ao Euro de 0.0085€. Pouco tenho a aludir da Sérvia, esta será a terceira vez que cruzo este país, realmente não posso afirmar que o conheço bem, mas quem me diz que não farei uma viagem para a conhecer melhor, vamos esperar. Uma das cidades mais importantes que hoje passamos foi Naissus, Gadžin Han e Marina Kutina a partir daí a rodovia nacional 224 ofereceu uma enorme quantidade de curvas, mas a nacional 134 também não se ficou atrás. Num dos diversos desvios que fomos fazendo para encurtar algumas distâncias, surgiu-nos um que deu trabalho pelas barbas. Sucedeu que começou numa via a estreitar até que a determinada altura passou a uma florestal em terra batida com arvoredo a roçar as laterias e tejadilho das autocaravanas, caso houvesse uma outra viatura em sentido contrário, mesmo um pequeno carro era um sarilho. Encontramos ramos das árvores a cobrir o trilho, mais buracos, curvas e contracurvas, uma embrulhada que esperamos nada acontecer. Ao fim de muitos quilómetros esta árdua tarefa findou e eis agora numa estrada com melhores condições. Quando chegámos à fronteira já íamos mais do que fartos deste tipo de rodovias.



O processo de atravessarmos a fronteira não foi assim tão lento como alguns de nós criticamos, um senão é que cada um teve de pagar uma taxa de 7€ para nos borrifarem os carros e mais uns trocos para podermos circular nas estradas búlgaras, e pouco mais tempo perdemos, não podemos esquecer que a Bulgária é um estado membro de União Europeia ao contrário da Sérvia que está à espera de ser admitida.



Ultrapassada esta fronteira ficamos a 89 quilómetros do destino em Sófia onde iremos passar a noite num parque de estacionamento perto da estação central de Sófia, este o Tsentralna Avtogara situado na ul. Knyaz Boris I (42.70968, 23.32062). Quando chegámos parqueamos as autocaravanas e dirigimo-nos a pé até ao centro. Percorremos uma boa distância visitando zonas ainda desconhecidas desta cidade, pois há anos que aqui já estivemos, mas não percorremos a maior parte da cidade onde agora nos encontramos.

Transitámos a totalidade da Boulevard Vitosha, onde mais tarde viemos a jantar e desta vez foi pisa, já algum tempo que não fazia parte das refeições esta iguaria, não mais do que comida de lixo, mas uma vez por outra não faz assim tão mal. Também bebemos cerveja búlgara que o Carlos não gostou nada, os restantes não se manifestaram, eu não a achei que fosse assim tão má.


No regresso ao local de pernoita, ainda fizemos mais umas voltas onde passamos por Serdika, não mais do que a parte mais antiga de Sófia, deparámo-nos com umas escavações arqueológicas mais a mesquita Banja Baši. Já um pouco cansados resolvemos mais uma vez regressar a pé. Mais um dia terminado com sucesso, amanhã coisas novas irão seguir-se.

17-Junho – Sófia – Edirne (327km) Turquia

Antes de sairmos ainda estive a comparar o trajecto por auto-estrada e verifiquei que a distância a percorrer seria de 311km, e demoraríamos cerca de 3h34, pelas estradas nacionais, deste jeito o percurso vai ser de 351km e o tempo estimado para esta distância ficará pelas 5h57, sem dúvida iriamos ganhar 2h23 horas e seriam menos 50 quilómetros.
Ainda perguntei se não queriam optar hoje pelo auto-estrada, mas não obtive resposta. Mais uma vez volto a focar que uma viagem feita em estradas nacionais granjeamos outras paisagens, por auto-estradas são mais minoradas. Já nos encontrámos na nacional 82 para seguidamente apanharmos a 8, será nesta via que se vai desenrolar quase a totalidade da etapa. Tivemos de parar para almoçarmos, pois, pois, é uma situação inevitável, neste caso há 4 elementos que não tomam o pequeno-almoço, ou seja todos os dias a primeira refeição é o almoço que pode suceder às 12h30, ou depois das 13h00. O que já aconteceu.
Todos novamente na estrada e lá vamos a galgar mais duas centenas de quilómetros. Finalmente na fronteira turca em que tivemos de pagar 181€ de seguro. Tanto para mim como para o Carlos as nossas apólices não abrangem a Turquia e mais uns quantos países da Europa, já a do Cláudio, essa sim, é que abrange a totalidade de todos os países europeus, bem como ainda Marrocos e salvo o erro a Tunísia. Aqui a entrada foi controlada e mais que fosse demoramos muito tempo e mais tempo demoramos com a compra de três cartões de dados em que perdemos mais de duas horas só para perfilarem o cartão de dados com os telefones, mas que atrasados neste procedimento. Já dentro de território Turco, agora é só percorrer meia dúzia de quilómetros, sim mais precisamente 18,1km para atingirmos Edirne onde mais uma vez já sabemos o local exacto onde iremos todos pernoitar, sim um parque de estacionamento com poucas condições para receber autocaravanas, mas pertíssimo do centro da cidade e onde começa praticamente uma das ruas principais desta. Localização que pode servir para futuros autocaravanistas, que aqui venham 41.670817 – 26.551921. Praticamente com a chegada, iniciamos o cortejo pela rua que dá acesso a Saraçlar cd.






























































Subimos esta rua, cruzamos os locais onde estivemos pela última vez aqui nesta cidade e já lá vão quatro mãos cheias de anos, no ano de 2004. Recordo que nessa viagem o Gonçalo veio connosco, mas que saudades… Agora visitamos as duas mesquitas principais, pois nesta cidade existem um sem número delas.

A noite já está entre nós e temos que ir jantar, e porque na zona onde nos encontramos há restaurantes que já estão a fechar as portas, tivemos de acelerar o passo para irmos a um, em que o cruzamos e gostamos do ambiente. Conseguimos arranjar lugares, estes na esplanada no meio da rua. Há música ao vivo, sim música Turca, cantada e tocada por dois turcos, isto na Talatpaşa, Saraçlar Cd No 113, 22100 Edirne, este restaurante, vim a saber depois que se encontra aberto 24 horas. A comida não foi nada de especial, concluo que podias-mo ter escolhido melhor comida Turca.
Outro pormenor, foi que havia tantas melgas, ficamos todos mordidos, nem os repelentes e sprays conseguiram eliminá-las. Os cantantes Turcos a meio da refeição lembram-se de vir ter com a nossa mesa para tocar uma rapsódia turca e pedirem contribuição do seu esforço cantante. Terminamos, logo caminhamos para os nossos lares instalados junto a uma futura linha dupla de caminho de ferro, toda feita em viaduto. Abasteci de gasóleo na Bulgária 56,618 litros a 1,493€ litro.

18-Junho – Edirne – Istambul (256km) Turquia

As ofensivas israelitas sobre o Irão continuam. As hipóteses do EUA de atacarem o Irão estão em aberto. Os restantes elementos da expedição à Mesopotâmia continuam com receio de irmos para o Iraque, até há amigos deles que exageram e lhes dizem para não entrarmos na Turquia. Eu estou completamente alheio quanto ao pavor de não irmos a qualquer um destes países, pois o dilema está em Israel e no Irão, nada mais. Vamos ver como as coisas se vão desenrolar, mas no final irão ver que o receio deles se vai desmoronar, isso não tenho dúvidas. Mas agora já estamos na Turquia e as coisas estão normalíssimas, nada de novo, sim podemos andar à vontadinha. Hoje pela manhã, alguns de nós tiveram necessidade de despejar as cassetes, porém aqui não existe local específico.
O responsável pelo parque que apareceu aqui esta manhã para receber os 5 euritos, informou que esses resíduos podem ser despejados ao ar livre por baixo do viaduto ferroviário, não mais no meio de dois montes de terra provenientes da obra terminada. Coisas à Turco um pouco do sistema arabesco que nós já estamos habituados e nos é tão comum, há já alguns anos. Chegou a hora da partida, não temos pressa porque Istambul está muito próximo, cerca de 250km que se fazem rapidamente, mas iremos ter uma incomensurável dificuldade em atravessar esta cidade, medonha nesta altura do ano em que o turismo é engrandecedor. As nossas conversas via rádio são muito frequentes, tantas as vezes que não damos por elas e aí estamos 10, 20 ou 30 minutos nas nossas conversas que muitas vezes podemos considerar “conversas da treta”, neste caso sem darmos por ela já havíamos percorrido 130km e passávamos Çorlu na D100 e rapidamente começamos a ver a costa do mar de Mármara com paisagens fantásticas. Quando ocorreu altura de almoçarmos, estacionamos num parque junto a uma praia.
Em princípio não existia ninguém a guardar este local, mas sem darmos por conta apareceu um turco com conversa de vígaro a dizer que não podíamos estacionar. Era local particular e se quiséssemos teríamos de pagar. Porém o diálogo continuou, não pagámos nada e permacecemos por algum tempo para almoçarmos. O oportunismo era sacar-nos algumas liras. Temos de ter cuidado e o cuidado será pouco com estes turcos de uma figa, vamos ver o que aí vem. Já muito perto do destino a passamos por Avcilar e já chegámos ao grande Istambul, os arredores são a perder de vista, não sabemos onde começam e muito menos onde terminam. Agora à nossa direita fica o distrito de Bakirköy onde se encontra o antigo aeroporto de Istambul o Atatürk que se encontra desactivado para voos comerciais a maioria das operações aéreas foram transferidas para o novo aeroporto instalado a norte do local onde nos encontramos. Continuamos a nossa tarefa de passar a parte europeia da Turquia, bem como da cidade de Istambul e vamo-nos dirigindo para a parte asiática onde já temos o local apropriado para estacionar as nossas casas ambulantes, casas de ciganos dos tempos de agora.
Passamos a ponte que é uma amostra da nossa tão preponderante ponte Salazar, qual 25 de Abril, mas o que é que o 25 de Abril fez para dar nome a tão avolumado evento que foi construído em tempo recorde e sem derrapagens de tempos ou valores. Tão depressa passamos da Europa para a Ásia, mas os engarrafamentos são contínuos. Por fim estamos à porta do parque de estacionamento em Karaköy (40.999574, 29.016778), onde também se encontra um corpo da polícia que aqui está estacionado, podemos deixar cá as máquinas pois ninguém as vai roubar, superseguro 24 horas, 365 dias. É para aqui que são rebocados um sem número de viaturas que não sabemos se estavam mal-estacionadas, apreendidas ou furtadas, ainda não sabemos.

Temos como vizinhos, alemães, franceses, noruegueses e mais uns quantos que não registei a sua origem. Vamos por aqui ficar onde iremos fazer o jantar e amanhã partiremos para a parte europeia num cacilheiro. O jantar feito numa casa na pradaria junto ao mar de Mármara foi hambúrgueres com arroz basmati, com ervilhas e vinho verde. Pela noite ficamos a ver notícias sobre o Irão e Israel na Sic noticias, seguindo-se cama que se faz tarde.

19-Junho – Istambul – (0km) Turquia

Demos início a uma pequena estirada para apanharmos um cacilheiro onde iremos trespassar uma parte do mar de Mármara para nos colocar na parte europeia de Istambul. Mar calmo e eis a desembarcar para seguirmos para o mercado Misir Çarşisi, não mais do que o mercado ou bazar das especiarias, na realidade aqui quase tudo se vende.
O Carlos anda há alguns dias com interesse em cortar a barba, porque desde a largada ainda não a fez. Quando nos encaminhávamos para visitar a Ayasofya viu um barbeiro aberto e aproveitou para asseio da barbicha. Este acto iniciou-se com uma certa palhaçada desde o começo até o rapar final da bigodaça, temos fotografias dos diversos andamentos até à de Hitler. Este serviço incluiu também corte do cabelo, penugem das orelhas e escanhoar os pelos das narinas/sofagem, massagem do trombil, sim serviço completo que no final lhe custou a módica quantia de 50€, preço para turista. O barbeiro Turco ganhou neste cliente o equivalente a 16 clientes turcos já a serem explorados. Sim o Carlos ficou com bom aspecto, quando passa por outras gajas, todas olham para ele, cuidado Júlia que ele ainda vai ficar por estas bandas.
A visita a Ayasofya ficou cancelada porque existia uma fila imensa de acesso, bem como o valor de entrada era exorbitante, qualquer coisa como 35€, este preço é só para estrangeiros o Turco não paga nada. Mais um grande negócio à Turco. Soubemos que a entrada na Mesquita azul era gratuita e muito perto dali, foi de imediato eleita para a visita, porém nem todos entramos. Resolvemos também ir almoçar e ingressamos num restaurante Turco em que todos aprovaram dos repastos e da cerveja e outras bebidas para as senhoras. Na revinda optamos por comer o célebre gelado turco. Ele vendedor optou por demonstrar os malabarismos de entreter o papalvo ou saloio como pretendam, tira, põe, mete, torce e não cai, para no final pedir por cada gelado um valor irrisório de 4€, também um preço acessível ao turista.
Igualmente o Cláudio comprou uma máquina de barbear feita na Turquia muito barata, fomos dar uma volta de metro, uma senhora volta, pois, fomos até ao fim da linha onde passamos pelo fundo mar que separa os dois continentes, valeu a pena este trajecto. Neste passeio passamos pela torres de Galata em que o preço de entrada é de 350 liras turcas, mas para nós somente 35€, também barato. Resolvemos não entrar e fomos procurar uma camisola do Galatasaray, usada no último, campeonato, a Cândida não conseguiu, estão esgotadas e só daqui a algumas semanas é que vão chegar. Esta camisola é para o Gui que veio, no entanto, a optar por outra do Galata, não aquela que desejava. Já na caminhada nocturna pensou-se, então, não querem beber um chá e comer uns bolos de cá?
Opção aceite e prontamente descobrimos um café o Galatasaray Mado que nas montras tinha imensos bolos, para abrir o nosso apetite, engraçado, pois fomos encaminhados para um elevador que nos colocou no 7º piso com uma vista nocturna fantástica sobre Istambul, muito idêntica à da torre de Galata e muito mais económica. Um pormenor que nos encanta: Há imensos gatos na Turquia que são tratados com carinho e cuidados de toda a gente, não têm fome, estão todos com bom aspecto e muito felizes por serem Turcos. Até para nascer gato tem que se ter muita sorte, estes têm, não tenhamos dúvidas.



O dia e a noite estão a acabar, vamos fazer mais uma caminhada por becos, ruelas e ruas de Istambul para apanharmos o cacilheiro que nos levará ao nosso hotel de 7 estrelas ou 1000, sei lá.

20-Junho – Istambul – Akhisar (471km) Turquia

Esta manhã o Claúdio e Cândida foram requisitados pelo guarda do parque para prender um cão, pertença dos polícias que este gajo não conseguia por ter medo dele, tarefa concluída com êxito. Coitado do cão era dócil só um palerma como este é que poderia ter medo dele.

Uma das tarefas de hoje foi ir ao estádio onde o Mourinho treina o Fenerbahçe comprar uma camisola para o Gui, demos algumas voltas, mas o local não seria aquele onde se podia adquirir, ficou adiada esta compra e vamos então partir para a etapa que termos pela frente.
Esta tirada terá o final na cidade de Esmirna totalizando 478 quilómetros é muito extensa e possivelmente vamos ter de fazer alguns quilómetros por vias rápidas, veremos o que nos reserva os primeiros 100 quilómetros, onde iremos passar por zonas muito povoadas e a quantidade de trânsito que iremos ter pela frente. Primeiro que chegássemos a Bursa foi o fim da macaca, só até lá foram mais de duas horas e em Bursa quando pensaram em comprar pão pior ainda, andamos pelo centro por ruelas com trânsito complicadíssimo e locais de estacionamento que não existem, por fim lá encontramos o tão desejado pão. Posso dizer e afirmar que desta cidade histórica nada soubemos, vamos ver se no retorno por aqui possamos passar e ver a enorme mesquita que actualmente só a avistamos duas ruas abaixo.
Uma das rodovias eleitas para hoje e que iremos transitar durante muitos quilómetros é a D565. Tantos quilómetros já fizemos, lá tivemos de parar para o desejado almoço volante, (exclusivamente 6 almas) num esconso desta estrada com sombra, porque os 42° que estão são verdadeiramente difíceis de suplantar. Terminada tão árdua empreitada seguimos estrada abaixo e reparámos que o nosso destino final iria ficar incompleto por causa das horas a que iriamos chegar. Fizemos mais uma boa estirada e resolvemos finalmente tentar encontrar a cidade onde vamos encontrar um local onde ficar.

Seleccionamos, depois de uma árdua reunião de condóminos via rádio, ficar em Akhisar que fica a cerca de 90 quilómetros de Esmirna foi eleito para descansarmos o camping Akhisar Belediyesi Karavan Park Alani onde vamos repousar, situa-se na Atatürk, 45200 Akhisar/Manisa. Está situado no meio de uma plantação de um pinheiral, completamente alinhados para que no intervalo destes fiquem as autocaravanas estacionadas. Local imperturbável, onde a generalidade ou mesmo totalidade dos campistas são Turcos apetrechados com caravanas feitas na Turquia, insignificantes autocaravanas aqui existem. O parque que é enorme, está quase repleto. Mais gasóleo desta vez 51,57 litros a 64LT=1.344€ em Dilovasi.

21-Junho – Akhisar – Develi (319km) Turquia

De maneira que ontem não conseguimos chegar a Izmir, hoje a primeira paragem será mesmo lá. No itinerário iremos fazer um desvio para que posteriormente nos encaminharemos para o destino final em Pamukkale. Aproximadamente 89 quilómetros nos separam de Izmir ou Esmirna, cidade conhecida por um e outro nome.


Quando chegámos imediatamente a dificuldade em encontrar parque de estacionamento, há segunda tentativa já permanecíamos bem parqueados num parque para todo o tipo de viaturas, mas pago. Iniciamos uma caminhada a pé até ao Kemeralti Bazaar, como nós não soubéssemos o que era um bazar, mais uma vez nos deparamos noutro com as idênticas características dos antecedentes. Vimos boa porção de peixes e legumes, chamam sardinhas a um peixe semelhante com elas, mas não deve ser a mesma coisa.
A cor do salmão cá é muito mais forte e evidência um pouco mais gorduroso. A caminhada foi comprida que até chegou a hora de almoçarmos. Entramos num restaurante de sustento Turco e papámos praticamente todos Kebab, como não tinham cerveja, foi fanta de laranja, bojo cheio, já podemos encetar a caminhada. Dar a conhecer um pouco de Izmir que é uma cidade na costa do Mar Egeu com cinco mil anos, é uma das cidades mais antigas da bacia mediterrânea. A cidade original foi estabelecida por volta do terceiro milénio AC, quando compartilhou com Tróia a cultura mais importante da Anatólia. Por volta de 1500 a.C. tinha caído na influência do Império Hitita da Anatólia Central.
Foi também conhecida como Smyrna na antiguidade. Ela foi fundada pelo gregos, ocupada pelo romanos e reconstruída por Alexandre o Grande, antes de fazer parte do Império Otomano no século XV. Para o final do dia percorremos a estrada nacional D-585 em que foram feitos uma mão cheia de quilómetros.






















Por fim já avistamos adiante as piscinas termais de Pamukkale que iremos vistoriar amanhã, hoje não teríamos tempo para conhecer este lugar tão popular desta Turquia. Esta noite vamos ficar no Ceylanpinari Dinlenme Aile Havuzlari Karavan Kanp em Develi, 20190 Denizli Merkez, que é vizinho desta formação calcária.

22-Junho – Develi – Antália (240km) Turquia

Começou aquilo que já era esperado há muito tempo. Ataque dos EUA ao Irão.
A operação começou pouco antes da meia-noite de sexta-feira (20), indo até à noite de sábado (21), informou Caine. Conforme os bombardeiros B-2 saiam dos EUA, alguns seguiam para o oeste como isca, enquanto os demais “seguiam silenciosamente para o leste, com comunicações mínimas durante o voo de 18 horas”.
Durante a noite, nova mensagem “qualquer retaliação pelo Irão contra os EUA, terá como resposta uma força muito maior do que a que vimos esta noite”. A operação americana aconteceu após uma semana de combates aéreos entre Israel e Irão em que as forças Iranianas partiram ou escavaram muitos edifícios em Telavive, sendo a quarta vaga de mísseis Iranianos a atingir dramaticamente Israel, causando um rude golpe para as defesas de Israel, quando mísseis iranianos escaparam à defesa antiaérea. Israel, afirma e diz à boca cheia, terem uma superdefesa aérea a que chamam Domo de Ferro. Só tretas, não lhes serviu grande coisa esta defesa da treta, esta como tantas outras.


No entanto os ataques aéreos Israelitas liquidaram o Chefe das Forças Armadas do Irão, Mohannad Bagheri e da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, além de dois cientistas nucleares. Nós ficamos cá para ver onde isto vai parar. Vamos sim é continuar com a nossa prospecção de lugares fantásticos nesta Turquia, que é de lhes tirar o chapéu, mais adiante vou mencionar factos do desenvolvimento enorme deste país.
Umas das visitas de hoje vão estender-se ao redor do local onde pernoitamos. Dirigimo-nos nas autocaravanas até a um parque na vertente de Pamukkale, foi aqui que apanhamos um táxi que nos levou ao cimo para iniciarmos o passeio pelas ruínas de Hierapolis, cidade fundada por Eumenes II, rei de Pérgamo, no Século II, a.C. Um terramoto no ano 17 no reinado de Tibério, tudo foi abaixo. Mais tarde a cidade foi reconstruída e teve grandes transformações no século II e III d.C. que fizeram perder todo o seu antigo carácter helenístico, para se tornar uma típica cidade romana, foi nessa altura que se tornou num centro de repouso de Verão para os nobres de todo o império, atraídos pelas águas termais. Uns séculos depois mais precisamente no ano de 1354, um terramoto a devastava completamente, a principal razão de contemplarmos tudo de pantanas. Se tencionamos ver o que foi uma cidade fantástica, pagamos mais uma vez uma módica quantia de 30€, uns euritos como lhes chamamos nestas circunstâncias.
Colocamo-nos todos ao caminho e mal havíamos percorrido três centenas de metros deparamo-nos com uma subida íngreme e tanto a Sofia como a Júlia desistiram, indo estas fazer outro percurso. Os restantes subiram e toparam no cimo uma vista soberba sobre o teatro que é considerado o teatro romano mais preservado do mundo, Fotos foram tiradas e começamos a descer até à necrópole, no caminho encontrámos ruínas de muitos templos, fóruns e casas. Tudo isto se encontra numa área muito ampla. Um pouco abaixo chegámos a Pamukkale que a sua formação se deve à solidificação de calcite que sai junto com a água das fontes termais que nasce entre os 35° e os 100°.



O branco destas encostas pode parecer-nos neve que originam piscinas onde podemos passar descalços ao longo da visita, foi o que fizemos, no entanto, os mais astutos com vontade de tomarem banho que é para esquecer, porque a altura da água nestas piscinas é relativamente baixa.

Molha-se os pés, joelhos e não chega para molhar os calções. Gostamos de conhecer e visitar estes sítios, não vamos omitir. Como detemos uma grande tirada pela frente de 240 quilómetros tivemos de partir e circular na D320 e D585 até Söğüte, daqui até Antália foram mais 104.

No entanto a Cândida já tinha delineado o local onde iremos ficar sendo: Antalya Büyükşehir Belediyesi Karavan Park, localizado em Arapsuyu, 600.Sk, 07070 Konyaalti/Antalya. Este parque fica muito perto da praia.

23-Junho – Antália – (0km) Turquia

Determinámos ficar mais um dia aqui neste parque. Razão de ter uma praia espectacular e nós merecermos também um dia de descanso. Esta praia fica bastante perto é apenas fazer uma pequena caminhada, atravessar uma praça e estamos com os pés na areia.
Como vamos ficar por aqui o dia inteiro, alugamos chapéus de praia com direito a espreguiçadeiras. Temos atrás de nós restaurante onde podemos almoçar ou consumir uma bebida. Como calculávamos a água é quente e a areia igualmente não é má comparada com as nossas areias leaders na Europa. A manhã já se passou e a hora de almoçarmos está por perto.
Fomos até ao restaurante, arranjamos lugares que nos agradaram e pedimos as refeições e bebidas. Pouco tempo se passou e já comíamos num dia de sol escaldante, ficamos ainda à conversa e depois fomos novamente para dentro da água. Banho mais banhoca, sol e sombra, assim passamos todo o dia neste procedimento de boas férias para estes Portugas que estão longe das suas casas. No final do dia fomos para as nossas casas aqui na Turquia, estivemos no supermercado a comprar almas coisas que precisávamos e lá fomos nós preparar o nosso comer. Mais um daqueles fabulosos que só nós sabemos preparar. Final de um dia fantástico, diferente de todos os outros antecedentes.

24-Junho – Antália Alanya (168km) Turquia

Ficou para hoje visitarmos uma pequena parte de Antália, esta cidade para alguns de nós não é novidade o mesmo não sucede com a Cândida e Cláudio, iremos na mesma fazer um trajecto que nos leve a pontos relevantes.

A esta hora da manhã já está um calor escaldante, arrumamos estacionamento perto do centro da cidade num parque colocado no meio de alguns prédios devolutos onde parte deste percurso foi feito pelo meio de três ruelas em que as autocaravanas passam a arrasar, quase a raspar os prédios. Mais um local manhoso para se estacionar. Seguidamente perseguimos para uma das partes históricas da cidade, onde fomos transitando por todas as sombras que encontrarmos, assim fugirmos à torreira do sol.
Passamos defronte a mais outra mesquita, há cidades em que em cada quarteirão existe uma mesquita. Seguimos para a cidade velha de Antália que é chamada de Kaleici, é um bairro histórico repleto de ruelas estreitas, casa tradicionais otomanas e monumentos importantes como o portão de Adriano e a mesquita Minarete Yivli. Esta zona fez-me lembrar Alfama pela suas ruelas estreitas e prédios vagos. Fizemos o percurso de regresso que por sinal até é longo para seguirmos viagem para Alanya o destino final de hoje, sim depois de percorrermos mais 168 quilómetros, sempre na nacional D400. Inicialmente o percurso foi feito pelo interior, mas não tardou muito a ficar muito junto ao mar com vistas soberbas e percurso facílimo de se fazer, uma marginal extensa. Finalmente chegámos a Alanya onde procuramos lugar para parquear, tantas as voltas fizemos que em nenhum lugar conseguimos estacionamento, sim ficamos a conhecer locais da cidade que não eram previsíveis. Mais outras tentativas fizemos noutro local da cidade, sem resultados. Tanto nós como o Carlos já fomos muito felizes nesta cidade e queríamos dar a conhecer aos restantes o local onde estivemos, não foi possível. A razão principal é que há tanto e tanto turismo que as ruas estão apinhadas de carros e pessoas, nem um buraco para estacionar um carro.
O que fizemos foi subir ao castelo para termos vistas fantásticas e tirarmos umas fotos, descemos e sempre com o sentido onde iremos parar, não conseguimos e desistimos de ficar em Alanya. Fomos andando, mais uns quilómetros fizemos, e na nacional D400, junto ao mar vimos um espaço, tipo estacionamento onde nos detivemos e resolvemos que será ali onde iremos passar o resto do dia e prepararmo-nos para pernoitar. Subimos o passeio e fomos estacionar em cima da areia com a praia logo à nossa frente, nem é preciso atravessar seja o que for, é mesmo o local indicado para nós. Pouco tempo se tinha passado e mais alguém com o mesmo sentido do que nós, estacionou a viatura em cima da areia, mas de imediato ficou atascado, teve que contactar alguém para o vir tirar dali. Eu nem penso que poderei ficar nas mesmas condições e se alguma vez acontecer nem me vou preocupar.


O Cláudio tem uma viatura 4x4 que nos resolve o problema, se é que existirá. Aqui fizemos mais uma grande jantarada, como deve ser com um vinho tinto de boa qualidade, algumas senhoras optaram por sumos.
O por do sol foi fantástico aqui nesta zona do Mar Mediterrâneo defronte ao Chipre onde há anos fizemos a travessia de barco entre a cidade cipriota de Famagusta e a cidade turca de Alanya.
Este sítio onde hoje vamos pernoitar situa-se ao lado da estrada nacional D400 defronte do Sedir Park Joy Hotel, situado em Demirtaş, Özgür Sokak No 5, 07430 Alanya. Segundo relato do Carlos Neves – acabamos por ficar em acampamento cigano em cima do mar à saída de Alanya, praia de água quente, mas muito pedregosa. Por sol fantástico, banho de água doce na praia e vamos ver se conseguimos sair da areia ou de vamos ter porras.

25-Junho – Alanya – Atakent (237km) Turquia

Tínhamos como destino Konya, mas resolvemos alterar o trajecto. Soubemos que foi assinado um tratado de cessar fogo entre americanos e iranianos o que deixa mais espaço de manobra quanto ao ir-mos até ao Iraque.
Portanto concluímos que no regresso iremos passar por locais inicialmente propostos e que agora foram modificados. Desta feição iniciamos a etapa de hoje, repetidamente pela nacional D400 que se vai manter praticamente marginando a costa mediterrânica. Fizemos uma pequena paragem para apreciar a praia de Koru, com um areal estupendo, todavia com bastantes rochedos, haveria sido igualmente um lugar admirável para nós termos ficado a noite passada, mas o local de ontem já nos estava destinado pela natureza. Eram precisamente 12h40, quando parámos para comprar pão, sim pão para os mesmos de sempre, mas hoje também iriamos precisar quando interrompêssemos a etapa um pouco à frente ao passo que irmos almoçar.
























Prosseguimos viagem e voltamos a parar para o repasto tradicional e mais uma vez à beira da estrada, beira mar e num local onde tivemos um pouco de sombra, as temperaturas andam acima dos 40°, hoje e neste momento estão 42°, um calor infernal. Perseguimos viagem passado uma hora, com a barriguinha cheia. Eu depois do almoço fico com sono, não compreendo, mas há alturas em que é difícil de ultrapassar e estou à espera que a Sofia não adormeça o que nesta altura se tem também tornado vulgar, mas não a posso deixar dormir porque senão pode haver borrada.
O percurso também ajuda um pouco a descontrair-nos, porque temos paisagens fabulosas. Acho que o ar condicionado a me bater no peito e cara são os causadores, também da sonolência, pois tenho adormecido facilmente e durmo mais do que o suficiente, e logo eu que estou habituado a dormir pouco. A poucos quilómetros da chegada passámos pela cidade de Taşuco onde a partir daí o percurso deixa de ser junto ao mar e vamos embrenhar-nos numas pequenas montanhas, conhecidas pelos montes Tauro onde mais adiante cruzarmos cidade de Silifke, em que corre na encosta o rio Göksu.
A falta de tempo obriga-nos a cortar da viagem um sem número de cidades ou locais de muito interesse, tal como esta cidade com muita história e monumental de Silifke, será que fica para uma próxima, é pouco provável, por ficar muito longe. E finalmente chegamos a Atakent onde iremos permanecer esta noite no Silifke Belediyesi Atapark Piknik Alani, situado em Atakent, Plaj/1 Sokak No 1A, 33960 Silifke/Mersin. Logo que chegámos louvamos o espaço e a praia para que fossemos quase de imediato tomar banho, A água aqui é espectacular a distância que percorremos dentro de água é enorme sempre com pé e praticamente sem ondulação. Resultado desta experiência, resolvemos ficar aqui mais um dia nesta praia espectacular. Temos tudo e todas as condições para descansarmos neste paraíso.

26-Junho – Atakent – (0km) Turquia

Hoje, não houve pressa, fomos os primeiros a despertar, ainda ficámos um pouco mais na cama a ver se os restantes hóspedes dessem sinais de vida, mas não, estão nas sete quintas do dormir. Como o sol já está alto o interior da autocaravana está quente, porque não há nem uma brisa, temos as janelas todas abertas e clarabóias escarrapachadas, não dá, temos de ir para a rua. Assim foi, fomos de imediato para a praia.
Do sítio onde nos encontrámos até à água são 50 metros, porque já nos encontrámos acampados sobre a areia. Dentro de água mantivemo-nos à vontade uma hora e tal até que fomos para a areia apanhar sol e dali a algum tempo o resto da matilha dava sinais de vida e lá vieram até nós. Por ali ficámos até à altura de termos de almoçar. Possuímos os toldos abertos das autocaravanas para nos protegerem do sol, é por baixo deles que colocamos as mesas e cadeiras, caso contrário não seria possível mantermo-nos sem uma sombra. À tarde repetiu-se a nossa presença dentro da água, só lá é que nos sentíamos convenientemente. Depois para o fim do dia a Cândida colocou a máquina de lavar roupa em funcionamento e toda a gente aproveitou para lavar tudo o que estava encardido ou imundo. Foi uma tarefa árdua, mas benéfica, ficou tudo lavado e os estendais ou enxugadouros como lhes queiram chamar, ou seja, as cordas ficaram cheias de roupa a escorrer. Depois veio a hora de se comer, jantar quero dizer e outra vez uma enorme jardineira, regada com um tinto de se lhe tirar o bóiné, suminhos para a menina Jula e cerveja para o menino Carlos.


Também tivemos gelados, sim cornetos de pistachio, chiripiti de cravo/canela, gengibre e café, este café é também um chiripiti, não é o café, estão a perceber, então bar aberto para todos. Passamos uma noite de luar de “Agosto que lhe dá no rosto”, sim ainda estamos em Junho, mas faz lembrar aquelas noites soalheiras de Agosto em Portugal. Mais um dia fantástico passado no Sul desta Turquia fabulosa.

27-Junho – Atakent – Gaziantep (341km) Turquia

Vamos abandonar com muita pena esta praia magnífica, um local sossegado localizado numa cidade que tem todas as estruturas de vir a ser uma metrópole de férias, existem centenas de prédios completamente construídos que ainda não foram habitados.
Até os arruamentos já se encontram concluídos, não conseguimos entender a razão, já numa parte desta cidade os prédios já estão habitados e a movimentação de pessoas e carros é normalíssima. O mais provável é estarem a construir de raiz mais uma ampla cidade para férias dos Turcos e mais viajantes que advenham. Como o plano de paz entre EUA e Irão estar a decorrer o nosso destino vai ser mesmo caminharmos para o Iraque sem quaisquer receios, eu por exemplo nunca tive esse pavor, pois o problema era entre americanos, iranianos e israelitas, Numa altura destas era improvável meter outros países em conflito, isso era sim o princípio, provável de uma guerra mundial, todos têm medo que tal sobrevenha.
Hoje mais um dia em que não tivemos pressa em partir, apesar do número de quilómetros de temos de fazer. Vamos continuar a circular pela nacional D400, esta é uma via que se inicia no oeste da Turquia na cidade de Datça onde irá ter o seu término a leste, logo a seguir a Esendere na fronteira com o Irão, são precisamente 2030 quilómetros para serem percorridos em 31 horas sem parar. De alguma maneira iremos fazer tal distância, mas já percorremos uma larga centena de quilómetros, sim hoje vamos continuar, também amanhã vamos prosseguir a percorrê-la. Agora contemplamos vistas inesquecíveis por esta costa marítima que fica á nossa direita, lindas as vilas e cidades que já passamos, pena não as logremos fazer mais paulatinamente do que pára aqui e pára ali, já sei era uma eternidade, mas fazia-se.






















Por fim passamos a cidade de Mersin outra grande cidade com muita história, onde ao longe vimos o seu castelo altaneiro, onde me pareceu ver mais adiante outro castelo erguido numa pequena ilhota. Esta Turquia reserva-nos imensas histórias embrenhadas nas suas cidades que nos estão a passar ao lado. A partir daqui a D400 oculta-se para o interior deixa a linda costa mediterrânica e lá muito longe já estávamos a passar por Koza, depois por Osmaniye, tanto uma como outra a rodovia corta-as ao meio, cada cidade, sim passamos pelo centro de cada uma, são mais duas grandes cidades em crescimento com imensas construções recentíssimas.
Agora estamos a circular numa zona montanhosa para variar, já não era sem tempo. O final da etapa aproxima-se e eis à entrada do parque muito bem localizado, numa zona onde se vê que, aqui há muito dinheiro, isto pelas vivendas, condomínios e parques de lazer envolventes, até o parque onde agora permanecemos é luxuoso e muito bem inserido. Casas de banho que nunca deparamos, local onde se pode cozinhar, top, lavandaria com várias máquinas de lavar e de secar roupa de grande qualidade e novinhas, arrumamentos e locais de parqueamento também do melhor.
Tanto que se alguém quiser seguir este roteiro tem mais um local onde ficar, aqui fica o endereço: Antep Karavan Park situado em Sarisalkim, 37F7+W8,27220 Şahinbey/Gaziantep. Dia terminado com um excelente jantar. Houve ou há festa nesta terra pois ouvimos foguetes, já noite.

28-Junho – Gaziantep – Mardim (358km) Turquia

E agora o que temos de fazer é, simplesmente voltar à D400 e percorrer mais três centenas e meia de quilómetros por este país tão grande, e não nos podemos esquecer de que nos encontramos no continente Asiático, por vezes estamos tão preenchidos com a Europa que nos esquecemos de tal e pergunto qual a diferença, é que não há, razão de que as semelhanças são idênticas.

O empenhamento de nos vermos livres da distância a percorrer foi que mantivemos uma velocidade constante e com as nossas conversas via rápido foram longas o tempo passou-se sem se dar por conta.


Eis já terminámos o percurso na tão célebre para nós a D400 e já estamos a 20 quilómetros do destino final. Chegados à cidade, percorremos nesta uma vasta área a conduzir, passamos por ruas muito apertadas e com muito trânsito e concluímos que é um sítio para passear e ver o que nos desperta esta cidade. Desde já é, muito antiga, no alto de um monte bem elevado.
O Carlos numa das ruas movimentadas foi comprar pão e logo começou a ouvir buzinadelas porque um autocarro não conseguia passar. Começamos a descer para encontrar o parque de camping que fica uns bons metros mais abaixo. O parque de camping, Mardin Karavan Camping em Ağalday Oto Park, Necmettin, 47100 Artuklu/Mardin, mais parece um simples parque de estacionamento, apertado e com poucas condições nele existem, mas vai remediar por hoje. Com isto, há umas 7 caravanas mais aqui estacionadas, com as nossas são 10, se vieram mais umas duas fica repleto. Máquinas já devidamente estacionadas, logo subimos escadas e ladeiras para começar o passeio a pé.
Detivemo-nos em diversos locais a ver o ambiente e a quantidade de turismo existente. Alguns de nós diziam que aquele turismo é Turco em nenhum local íamos encontrar europeus, não foi o que pensaram, passamos por alguns turistas que não eram Turcos, não muitos, mas detém outros povos a visitá-la. Quando se aproximou a hora de jantar, existiam várias ideias para saborearmos comida Turca. O dono ou responsável pelo parque aconselhou-nos um local onde depois de andarmos bastante o descobrimos, porém não foi da maioria do nosso agrado este restaurante, estava muito calor e este local tinha apenas uma ventoinha a trabalhar com um calor no seu interior sufocante.




Apenas o Carlos optou por ficar, os restantes, fomos procurar outro sítio e descobrimos o restaurante Hamdani, situado em 1. cadde No. 455 Diyarbakir Kapi, Mardim. Subimos até ao último andar, um terraço de onde avistávamos lá bem do alto uma parte da cidade.

O restaurante é de comida Libanesa o que todos nós apreciámos, bem confeccionada, tanto eu como o Cláudio optamos por comer borrego a Sofia e Cândida, ambas comeram carne de vaca cortada aos bocadinhos dentro de um tacho que se deliciaram.

Quando terminávamos tais iguarias chegaram o Carlos e a Júlia para se juntarem à restante maralha. Foi o terminar de uma dia e noite nesta terra linda e acolhedora, regressamos ao parque descendo uma enorme escadaria e rampas. Mais um dia de classificação com 20 valores, praticamente têm sido todos os dias.

29-Junho – Mardim – Sytrt (301km) Iraque

Será que conseguimos entrar hoje no Iraque, estou convencidíssimo que sim. Concordamos com a hora de saída, esta seria por volta das 9h00, não sabemos na verdade o destino final, tudo dependerá do tempo que iremos perder nas fronteiras ou com outras contrariedades.
É hoje o último dia que nos separamos de circular na D400, encontrarmo-nos já a conduzir e a determinado momento apercebi-me que do outro lado da estrada estava a Síria e pouco mais andámos logo vi o cerrado e arame farpado a dividir estes dois países. Foram muitos quilómetros com esta visão em que não se vêm quaisquer tropas, apenas umas torres de vigia, mas vazias. A nossa inquietude era tanta que resolvemos parar na cidade de Nusaybin onde em tempos havia fronteira e era um dos acessos para se entrar na Síria a quem vinha da Turquia. Fizemos algumas voltas, mas os acessos já não existiam, numa estrada de acesso vimos barreiras de terra sobre o trilho e passeio a obstruir a passagem, reparamos que deste lado a movimentação era normalíssima e do outro apenas vimos casas, mas não alcançamos ver o movimento da cidade síria de Al-Qamishli.


Concluímos a nossa cusquice para continuarmos junto à linha de fronteira, é que está mesmo ao lado da via de circulação. Faltavam 50 quilómetros para a fronteira quando acabou de vez a D400, seguimos na D430 e a dois quilómetros da fronteira começou o engarrafamento de camiões ao longo da estrada, estes para entrarem no Iraque. Os carros não necessitavam de estar naquelas filas e fomos andando até que chegou o posto fronteiriço.
Ainda demoramos algum tempo para podermos seguir para o posto de fronteira Iraquiano. Aqui estamos a demorar mais algum tempo porque temos de tirar os vistos e estes têm de ser pagos via net, com cartão de débito imediato é que não aceitam outra forma de pagamento, tanto até que já vínhamos preparados com dólares americanos para este tipo de gastos, mas não aceitam dinheiro. Tantas as tentativas inglórias via net que tivemos, que por fim fomos recorrer ao funcionário iraquiano que nos tem atendido, este por sua vez foi muito simpático e conseguiu uma vez, depois outra e outras, pois nós não conseguíamos mesmo fazer o pagamento pelo cartão revolut ou outro, não conseguimos compreender o não obtermos fazer o pagamento, com isto perdemos imenso tempo, além de que ainda tivemos de correr uns quantos guichés para tratar da papelada, registo, carimbar sei lá mais o quê, tudo muito demorado.
Finalmente todos os trâmites de ingresso concluídos e já podemos ir embora em direcção a Mossul. Seguimos viagem e já vimos centenas de camiões que cruzamos em andamento bem como os que se encontravam estacionados nas bermas da estrada, em alguns casos a via estava quase integralmente obstruída, havia 2 e 3 filas de camiões imóveis à espera de entrarem em locais de controlo e verificação das cargas. A maioria dos camiões transportavam ramas de petróleo para entrarem na Turquia e irem para o porto de Ceyhan localizado na Turquia, outros também transportam grandes quantidades de hidrocarbonetos a Turquia por sua vez fornece produtos alimentares, industriais e outros. Neste percurso as tropas do Curdistão iraquiano, juntamente com a polícia e alfândega já nos mandaram parar duas vezes.



Anteriormente havíamos percorrido até aqui 300 quilómetros quando deparámos com mais uns controlos das tropas do Curdistão que nos mandaram parar mais outra vez, nesta ocasião tivemos que sair todos das viaturas e encaminhados para dentro de contentores onde trocaram algumas palavras connosco para seguidamente verem os nossos passaportes, depois deste exame quiseram entrar dentro das caravanas para observarem como eram, pedindo para abrir a porta da casa de banho, mais um armário ou gaveta, mais nada.






















Simplesmente cusquice. Seguimos viagem, sucedeu que poucos metros à frente deste posto de controlo vimos um local que nos chamou atenção e foi aí que parámos para pernoitar.


O Cláudio com o seu mini fogareiro fez umas brasas onde grelhou umas costeletas de borrego Turco, que estavam um regalo. Ainda antes de nos irmos deitar passou por ali um fulano que não nos apercebemos quem era com uma conversa que também não conseguimos compreender nada, foi-se embora e ali ficamos a falar para mais tarde já noite cerrada irmos para dentro das casinhas ambulantes.

Na volta quem por ali passava, pois estamos pertíssimos da estrada diziam ali: estão ciganos europeus acampados. 
Localização deste nosso acampamento HXFX+9H, Babirah, Nineveh Governorate.

30-Junho – Sytrt – Bagdad (461km) Iraque

A nacional 1 iraquiana está a seis metros donde nos encontrámos, vamos entrar nela a dirigirmo-nos para a capital Bagdad que fica bastante longe. No caminho temos de trocar, cambiar dólares em dinares, esta moeda têm um valor irrisório em relação ao euro, logo, cada dinar vale 0,00065€ ou 0,000786, US$ vendo a cotação de outra feição posso dizer que 1€ vale 1535,30 dinares ou 1US$ vale 1308,89 dinares, será nesta base que cambiaremos os nossos dólares.
Nesta altura já percorremos 26 quilómetros e previamente estamos a parar novamente para fiscalização, das tropas, alfândega e sei lá mais quem, são tantos, que no final querem conhecer-nos e verem o interior das autocaravanas, mas é com este pára-arranque que perdemos o nosso tempo. Esta pausa deve-se ao facto de estamos às portas de entrarmos em Mossul, cidade que esteve no poder por muito tempo do Estado Islâmico. Fiscalização e anotações terminadas e aí seguimos sem problemas. Chegámos a Mossul e estamos a ir para o centro da cidade, passamos por algumas ruas estreitas e em mau estado, outras a sua aparência é normalíssima com prédios novos, outros a serem construídos, reparámos que a cidade está a crescer para ter um futuro risonho, Mossul é a terceira maior cidade do Iraque, depois de Bagdad e Bassorá.
Esta, está localizada no norte do Iraque e é a capital da província de Ninawa, esta cidade é a antiga Ninawa citada na Bíblia. Retornando a falar desta cidade de Mossul. Esteve sob o domínio do grupo terrorista auto-intitulado Estado Islâmico que a ocupou em Junho de 2014 e a declarou sua capital em solo iraquiano. Em meados de Outubro de 2016, o governo iraquiano apoiado pelos curdos e por uma coligação internacional lançou uma grande ofensiva militar para retomar o controlo de Mossul e das regiões vizinhas. A cidade foi reconquistada pelas forças iraquianas em 10 de Julho de 2017, ficando muito arruinada pelo fogo de artilharia e não só.



Depois de algumas voltas por Mossul, fomos também cambiar os dólares e seguidamente comprar um cartão de dados para o telefone da Sofia. Esta situação foi muitíssima exaustiva. Primeiro a loja tinha imensos clientes para atender, mas a pessoa que inicialmente me atendeu disse-me para esperar um pouco que ia arranjar maneira de ser logo atendido, mas reparei que dessa forma passaria à frente de muita gente. O real é que recorri à Cândida para ajudar no diálogo. Ainda estivemos muitos minutos na expectativa pelo atendimento, mas quando veio a minha vez a funcionária teve de preencher documentos para que eu lograsse adquirir o cartão de dados. Mais parecia que eu estava a ficar documentado para ser um cidadão iraquiano. Mas, sim, consegui adquirir o cartão para ter net e telefone aqui no Iraque. Hoje quando viajamos é essencial termos toda a comunicação necessária.

Diferentes voltas fizemos e os primeiros contactos mais próximos com a população iraquiana foi aqui em Mossul. São pessoas simpáticas e tentam ajudar o próximo. É uma ideia minha, muito antiga de que o povo árabe é simpático e agradável. Tivemos de partir, permanecemos ainda muito longe do destino actualmente, para isso vamos pôr-nos a andar depressa. Diferentemente não estávamos à espera de encontrar estradas em tão bom estado. Também ao contrário do que inicialmente julgávamos o trânsito é imenso com muitos camiões e carros, muitos deles de qualidade e de um custo muito elevado do que é praticado em Portugal, grandes máquinas andam aqui a circular.

Chegou a altura de metermos gasóleo, já passamos por alguns postos de abastecimento e o gasóleo não existe em todos os locais. Por fim encontrámos um e atestámos. Reparei que o odor do gasóleo é estranho, cheira mal e a cor não é bem aquela que conhecemos. O litro ficou a 0,33€, sim muito barato. Lá vamos a caminho e chegámos a outro ponto de controlo, mais paragem, mais passaporte, mais cópias que tiram do passaporte e registam no telemóvel, mais vistoria e entrada dentro das autocaravanas e não sei mais. Retomamos a rodovia e dali a 60 quilómetros outro local de controlo, este repleto de camiões ao longo da estrada para entrarem num parque fechado, mas que confusão está aqui instalada. Folhearam todos os passaportes, copiaram as páginas dos carimbos de entrada no Iraque e lá vieram cuscar as autocaravanas.

Novamente à estrada e outra vez nova paragem esta quando estávamos a chegar para passar por Tikrit, esta já era de esperar pois sabemos que é conhecida por ser a terra natal do sultão Saladino, curdo de nascimento e célebre herói da civilização muçulmana na luta contra os cruzados, bem como do antigo presidente iraquiano Saddam Hussein (1937-2006), onde se encontra sepultado. Esta fica no triângulo sunita, uma região do país. Ou seja, todos os cuidados serão poucos, pois este país há quantos anos esteve em guerra! Novamente a fazermos quilómetros e uma tempestade de areia está presente, esta ergue-se com muito vento e a atmosfera surge com uma cor alaranjada e a nossa visão fica reduzida, vamos ter cuidado na condução. Eis que surge mais um controlo este perto da estrada de acesso a Samarra, tudo se veio a repetir e por vezes ficamos saturados de tantos controlos. Ainda detivemos outro controlo, uns quilómetros antes de entrarmos em Bagdad.
Muito trânsito, engarrafamentos e imensos transeuntes, tivemos de percorrer uma parte grande da cidade para chegarmos ao hotel que se reservou, pois não conseguimos saber se existe algum local seguro onde pudéssemos pernoitar, assim optamos por ficar duas noites no seguinte hotel: Sarko Hotel, situado em Baghdad, alsaadon, Al Bataween, Almushager street 10044. Este está situado praticamente no centro, existem por perto restaurantes e locais turísticos. O estacionamento das autocaravanas, não foi fácil, ficaram na rua, mas pensamos que não haverá problema, duas no canto de dois prédios, outra na rua defronte a um parque de estacionamento que o guarda lhes vai dando uma olhadela, disseram do hotel, será verdade? Há noite resolvemos ir jantar a um restaurante iraquiano, mas o Carlos e Júlia resolveram comer na autocaravana.
Os restantes apanharam um táxi e fomos para uma zona central onde predominam muitos locais onde jantar. Este taxista que foi informado pelo hotel onde nos encontrávamos, o local que nos deveria levar, não sabia o caminho e andou por lá às voltas, ainda teve de parar para perguntar como deveria ir para tal sítio. Finalmente na zona requerida e estávamos a olhar para que sítio podíamos ir e eis que uma iraquiana que se apercebeu da nossa dúvida, veio ter connosco, acompanhada do marido e deu-nos o local onde lograríamos jantar. Esta Iraquiana estava muito bem-apresentada, vestida com roupa preta comprida um lenço de seda na cabeça, bem maquilhada e na verdade era muito linda e simpática.

O restaurante que fomos era espectacular, papámos comida iraquiana de qualidade num ambiente com predicados de qualidade. Fica aqui o nome dele “Shmesani situado na Karada Kharidge rd Bagdad”, praticamente ao lado fica a gelataria Al-Faqma. Como se ainda não estivéssemos fartos, cheios, fomos parar na gelataria Al-Faqma Ice Cream, situada em Karada Kharidge, Baghdad Governorate (TCQ4+9V), igualmente com uma classe superior, comer uns gelados e saborear um doce que é a especialidade da casa.
























Foi o dono que nos atendeu, quando entramos para comer um gelado e que nos deu a provar uns quantos, aconselhou-nos nos sabores e por fim falou no tal doce que acabamos por comer, desta forma demos por terminadas as nossas guloseimas por hoje, já era sem tempo.






Este bolo é conhecido por Kanafeh é um doce árabe feito com Vermicelli, um tipo de massa bastante fina, semelhante à aletria, geralmente acompanhado de queijo. Bem de noite regressamos à mesma de táxi, desta vez o fulano sabia o caminho correcto para o hotel. Estranho foi no final quando íamos a pagar em que ele disse para nós fazermos o preço e pagarmos o que achássemos.

Tudo estranho e mais diálogo nosso para ele dizer o preço, em que ele insistiu mais uma vez que éramos nós que sabíamos o que pagar.
Então o Cláudio tirou mais ou menos o valor que havíamos pago anteriormente e ele olhou como que não, compreendemos que não é isso que queria, risos de ambas as partes em que a Cândida tirou mais uns trocos, quero dizer notas e agora sim, ficou contente. De qualquer das formas o que pagamos foram tostões, mas para ele não. Depois de fazermos 461 quilómetros e dos controlos excessivos, finalizamos este dia felizes e que amanhã venha outro idêntico pois vamos continuar satisfeitos.

1-Julho – Bagdad – (0km) Iraque 

Bagdad, nunca na minha vida ponderei, alguma vez, estar em Bagdad, as histórias eram tantas e as informações que obtive eram imensamente contraditórias o que levava a pensar, Bagdad, nunca irei ao Iraque, quanto mais a Bagdad.



Não é que tivesse pavor, não, mas todas as notícias que nos colocavam era de que se tratava de uma terra impossível de alcançar. Entretanto nos últimos 20 anos, sempre reconheci que um dia eu tinha de lá ir. Até num livro que era uma parte da cronologia de um aventureiro na condução de Datsun e jipes de nome José Megre, este disse que apenas lhe faltava um país para ter ido a todos, este era o Iraque.



Descrevo uma das últimas conversas que Megre teve (falta-me mais um país significativo a juntar à lista das quase 200 viagens pelo mundo inteiro o Iraque, nem mais nem menos). A mim ainda me faltam algumas dezenas de países não muitos e posso afirmar que não são dos que estão mais longe, mas ainda estou longínquo de dizer que ainda me falta um.
Entretanto, presentemente, estão programados para hoje uma série de lugares que gostaríamos de visitar, desta maneira colocámos o início, pela mesquita de Al-Khilani onde em 19 de Junho de 2007, foi colocado um camião bomba em que resultou da sua explosão 75 mortos. Prosseguimos até às margens do rio Tigre, aí encontrámos uma placa onde estava gravado o nome desta cidade, mais fotos para o futuro, seguimos para visitar o Museu Nacional do Iraque que se dedica à história e Cultura do Iraque, com destaque para o seu papel como berço da civilização. Reabriu em 2009 após ter sido saqueado durante a invasão de 2003, exibindo novamente as suas colecções de arte e artefactos. Apreciamos imenso o termos visitado este local.


Concluímos esta visita e pouco depois avistamos o emblemático edifico do Banco Central do Iraque, este consegue distinguir-se de todos os demais existentes nesta cidade. Mais adiante a emblemática figura “salve a cultura do Iraque”, implantada numa praça central com muito movimento. Noutro local grandes edifícios de habitação se erguem, são construções moderníssimas. O Iraque está a andar. Vê-se a olhos vistos.










































Sem querer visitamos a Praça Tahrir ou Praça da Liberdade, originalmente conhecida como Praça Rainha Alia, é uma praça localizada no centro de Bagdad no cruzamento da rua al-Sa’doun com a estrada da Ponte al-Jumhuriya. Imensas voltas fizemos nesta cidade, em muitos locais fomos impedidos de seguir, há ruas e bairros que não tivemos qualquer acesso, a polícia e exército não deixaram passar. Concluo, gostei desta cidade e do seu povo. Já muito tarde regressamos ao hotel para descanso dos guerreiros.

2-Julho – Bagdad – Munirah (451km) Iraque

Iniciaremos o regresso ao norte do Iraque, por duas razões. A primeira é que não consigo encontrar em nenhum lado AdBlue no Iraque a segunda razão os nossos companheiros de viagem estão amedrontados em prosseguir viagem para o sul, são mesmo uns medricas, ou seja, para mim o Iraque tem imensas coisas para nos mostrar, por isso é com muita pena minha em fazer já este retorno.


Eram 8h00 já estávamos preparados para a partida, ainda percorremos muitos quilómetros dentro desta cidade em que os engarrafamentos são pertinazes, reparámos em prédios que ainda mostram indícios das guerras, com varandas escavacadas, paredes esburacadas e telhados que foram pelos ares, mas a movimentação nas ruas de pessoas é como nada tivesse acontecido, já para nós é novidade e reparo do que ali se passou. Já nos colocamos na alçada da nacional 1 em direcção a Samarra e pelas 12h00, lá estávamos a parar para mais um controlo rodoviário por parte do exército iraquiano, não foram muitos chatos, querem ver passaportes e um pouco de conversa. Mais alguns quilómetros e quando já estávamos perto de Samarra outra e mais adiante outra paragem para saberem para onde nos encaminhávamos, nesta altura compreendemos, pois, trata-se de um local, onde as tropas, bandidos do estado islâmico andaram, mas nós o que é que temos a ver com essa gentalha?













































Por fim chegámos e fizemos um pequeno troço por terra batida e caminhos tortuosos. Local espectacular. Só nós mais ninguém estava neste espaço tão afastado do quer que seja. Tiramos fotos, fantásticas. O Cláudio e a Cândida começaram a subir aquela escadaria eu pensei um pouco e também resolvi fazer o mesmo. Uma primeira volta, depois uma segunda e olhei para baixo e vi que era uma altura imensa, tanto que a escada em espiral é exterior e sem qualquer corrimão, cair é ir lá para baixo e de seguida a morgue espera por mim. Subi mais uns degraus e eis que a Cândida diz, Gilberto não subas mais porque aqui em cima a escada é mais estreita e a passagem complicasse. Nessa altura já estavam ao meu lado, então lá vamos os três a descer.
Era, sim uma rica tentativa de ir ao cimo que na verdade seria espectacular, mas arriscada. Não posso dizer que fica para a próxima, tenho a certeza de que nunca mais lá irei a este local. A grande Mesquita de Samarra foi, por um tempo a maior mesquita do mundo, sendo destruída em 1278, depois da invasão do Iraque por Hulagu Cã. Apenas a parede externa e seu minarete permaneceram até à data. A Torre Maluia, é um cone em espiral de 52 metros de altura e 33 metros de largura, foi erigida em alvenaria de tijolo com uma rampa sobre um eixo em espiral. Finalmente demos por encerrada esta visita, vamos partir e encontrar local para almoçarmos, pois já se está a fazer tarde. Estamos novamente a conduzir para Hatra e passado uma hora encontramos local para almoçar.
Paramos e tivemos algumas dúvidas no restaurante à beira da estrada, fomos ver como era. À primeira vista pareceu-nos o local indicado. O almoço era frango assado. O Carlos e Júlia não quiseram participar e comeram dentro da sua viatura com um calor do caraças, nós optamos por comer o franguinho que até tem bom aspecto. O clima está ameno, estão duas ventoinhas a trabalhar a vomitar vento e o sol a bater numa das montras. Resultado almoçamos muito bem, os franguinhos estavam saborosos, acompanhados de pão (pita) e coca-cola, também trouxeram sopa que provámos, estava gostosa. Recomenda-se a quem vier para estas bandas do Iraque pode parar neste restaurante o “Al-Jawhara restaurant, FQ4V+247, Ad-Dawr, Saladin Governorate, Al-Dour.










































Satisfeitos recomeçamos o caminho em direcção à cidade de Tikrit, em que desta vez vamos passar defronte de três palácios que se encontram em ruínas.












































Parámos e muitas fotos tiramos, vimos a destruição provocada pelas bombas americanas lançadas em 2003 pelos bombardeiros para derrubar Saddam Hussein. Este complexo nas margens do rio Tigre era extenso e existem ainda muitos palácios que se encontram em bom estado de conservação exterior que, no entanto, foram saqueados no caos que se seguiu à entrada das forças dos EUA. Vimos a grandeza destes palácios e pensamos a riqueza que ali existiu, agora escombros.

Vamos prosseguir viagem para a cidade de Hatra. Havíamos percorrido umas dezenas de quilómetros e como já calculávamos tivemos um segundo controlo pela forças armadas que registaram nos seus telemóveis a nossa passagem e presença nesta área.




















Já perto de Hatra outro controlo surgiu, para que pouco depois entrássemos na cidade histórica em que 2014, foi tomada pelo Estado Islâmico para ser utilizada como depósito de armas e campo de treinamento de novos soldados.

Em Abril de 2015, o grupo divulgou um vídeo que mostrava militantes usando grandes martelos e armas para destruir esculturas e estruturas antigas. Nessa altura a directora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que “a destruição de Hatra é um momento decisivo na lamentável estratégia de limpeza cultural do Iraque”.



Hatra foi uma antiga cidade fortificada, construída no século III a.C. pelo império Selêucida e depois capturada pelo Império Parta, também foi capital do primeiro reino árabe.


Resistiu à invasão dos romanos em 116 e em 198, graças às poderosas muralhas reforçadas com torres. Quando chegámos a esta cidade fomos recebidos por três soldados que faziam parte da segurança e de um outro elemento civil que nos guiou ao longo dos diversos locais.



Não estávamos à espera de tanta informação que nos foi partilhada. Entramos em locais fabulosos com muitos séculos de história, ficamos cientes dos estragos provocados pela presença do estado Islâmico.

É de lamentar a ideia retrograda destes de destruir um local com tanta história de séculos passados.




Apesar de algumas marcas deixadas pelo conflito em Hatra, como buracos de tiros em algumas paredes, cartuchos ainda no chão e a destruição de estátuas e figuras de rostos. A nossa visita demorou uma hora, pois o sol tinha-se posto e a hora de encerramento chegou.












































Partimos com saudade de um local tão simbólico da humanidade. Termino que o Iraque tem tanto para nos mostrar e com um povo simpatiquíssimo. Partimos e temos de encontrar um sítio para descanso.



O local encontrado foi um largo de estacionamento ao lado desta via N1. Ao fundo umas casas e possíveis armazéns, desde já um local sossegado onde iremos permanecer esta noite, outra vez despreocupados.

3-Julho – Munirah – Başverimli (260km) Turquia

Um dos destinos programados para hoje é a cidade de Nimrud, também chamada na bíblia de Calá que foi fundada no ano 1300 a.C. e pertenceu ao império Assírio, esta se situa a 30 quilómetros a sudeste de Mossul.
Quando chegámos a este sítio arqueológico tivemos de fazer uma subida em terra batida e à entrada fomos abordados pelos seguranças que nos perguntaram se tínhamos bilhetes de acesso. Com certeza que não, até desconhecíamos a necessidade de termos esses bilhetes, quando na realidade são sempre adquiridos no acto do ingresso. Comunicaram que ali não os podíamos adquirir, só em Mossul. Logo desencorajamos e ao olhar para o interior de uma parte do recinto nada nos chamou atenção e fomos embora desistindo desta visita.
Mais tardiamente vim a saber que a parte principal deste sítio arqueológico tinha sido devastado em Março de 2015 por membros do grupo Estado Islâmico em mais um acto de intolerância e ignorância da organização. A 13 de Abril de 2015, estes membros divulgaram um vídeo no qual é exibida a explosão das ruínas. Retomamos trajecto para visitar um mosteiro da igreja Ortodoxo Siríaca era famoso pelo número de monges e estudiosos e pela sua grande biblioteca, ele está situado no monte Alfaf a norte de onde nos encontrámos. Conhecido como o Mosteiro de Mor Mattai ou Mosteiro de São Mateus. Os monges deste mosteiro não fugiram quando estavam prestes a ser atacados pelo Estado Islâmico. Sim vamos colocar-nos a caminho para visitá-lo.
Desta forma tivermos de fazer desvio para uma estrada secundária em que fomos deparar com mais um controlo militar em que tivemos de mostrar como de costume os passaportes e a vinda de um elemento para inspeccionar as autocaravanas, tudo ok, seguimos viagem e poucos quilómetros havíamos andado, logo apareceu mais outro controlo este levantou problemas e perguntou para onde nos dirigíamos, por fim indicou que não poderíamos passar e que temos de voltar atrás. Estranhos por esta atitude, mas como eu calculei não tinham interesse que num país destes nós fossemos visitar um mosteiro de religião cristã. Já na estrada de retorno, fomos transpor o controlo onde havíamos parado inicialmente. Sucedeu que o responsável por este posto ficou deveras chateado por não nos terem deixado transpor e ofereceu-se para nos levar pessoalmente ao posto de controlo e disse que possuía influência e que tinha autoridade para prosseguirmos viagem, porém nós já mais do que esfalfados com tantas peripécias, agradecemos e não pretendemos aceitar a oferta, apenas perguntamos qual o melhor caminho em direcção a Mossul, foi-nos dada as informações e seguidamente lá vamos ao caminho, esquecendo o mosteiro em definitivo.
Chegados perto de Mossul outra paragem para mais outra vez mostrar o que tantas as vezes já exibimos. Nesta altura o destino é visitar Ninawa arredores de Mossul. Concretamente tantas as voltas que demos em Mossul por rua e ruelas para encontrar este local. Sucedeu a determinada altura em que numa das ruas o trânsito bloqueou totalmente com a nossa passagem. Não estão a ver o que é três autocaravanas numas ruas com dois sentidos e repleta de lojas de ambos os lados que na realidade podem cruzar-se com alguma dificuldade dois carros, mas o cruzamento connosco era quase impossível, então mais manobras de marcha atrás o encostar aos prédios de uns e de outros, lá se conseguiu desembaralhar aquela patranha. Chegados mais tarde ao local não conseguimos encontrar sítio para estacionamento. Este espaço arqueológico fica numa zona central e assim ficámos interditos de nos aventurar a conhecer estas ruínas tão impressionantes que incluem restos de grandes palácios, templos e enormes muralhas que datam do século 7 a.C. Quando tomaram a cidade iraquiana de Mossul em 2014, os militantes do Estado Islâmico destruíram boa parte da arquitectura e das esculturas de Nínive, que antes de sua quase completa destruição pelos membros do grupo, era o maior sítio arqueológico do Oriente com mais de 750 hectares. Esta cidade foi construída durante o antigo período Assírio que durou entre os séculos XX a.C. e XV a.C. e foi um dos primeiros reinos do mundo. Assim, ou seja, por hoje ou por agora demos por encerradas as descobertas histórias no Iraque, vamos nos colocar ao caminho para que que ainda logremos cruzar a fronteira Iraque-Turca. Chegámos à zona fronteiriça, não existem muitos carros, camiões isso sim, umas centenas.
Trâmites normais de uma fronteira ultrapassados, esta a do Iraque, mas demorou algum tempo para chegarmos à fronteira Turca, confusão que não compreendemos, porquê, aquela demora! Livres da confusão fronteiriça e eis a caminho de um local na Turquia onde vamos poder transpor esta noite e facilmente a encontrámos, desta vez bem junto à já nossa conhecida D430 sendo mais um lugar ao lado desta estrada, arredores de Başverimli vamos esperar que o barulho do trânsito nocturno não nos incomode. Umas palavras, poucas, mas que vão dizer muito sobre o que penso do Iraque “Quão louco tens de ser para viajar para o Iraque"? Pouco.


Apenas o suficiente para vencer o medo e o preconceito que os media te transmitem. Os iraquianos revelaram-se um povo extremamente acolhedor e simpático. A presença militar é fortíssima, a cada sítio há militares e carros armados, mas nada mais acontece. A sensação de segurança é plena. É óbvio que se trata de um país acabado de sair de mais uma das muitas guerras, com várias feridas internas ainda mal saradas e onde a qualquer momento tudo pode mudar. O principal perigo que identifico é a condução. Sem dúvida a condução.

O trânsito é completamente anárquico nas cidades e fora delas, a grande velocidade e sem prestarem atenção ao que os rodeia, o carro. Quanto à higiene e alimentação, são razoavelmente boas. Nenhum de nós teve problemas intestinais, todos passaram imunes, sem nos termos privado de nada. Então, então não querem conhecer o Iraque. Venham daí, não se vão arrepender. Local onde dormimos à beira da estrada 37°12’37.2” N - 42°27’19.0” E.

4-Julho – Başverimli  Diyarbakir (326km) Turquia

Cá estamos para o retorno à Turquia e concluir a segunda parte neste país que nos tem encantado. Tal-qualmente vamos ter mais tempo pela causa das alterações anteriormente efectuadas e com certeza iremos ter outros benefícios algures por diante. Uma prioridade para hoje é encontrar um posto de abastecimento de combustível para abastecer de AdBlue, não foi preciso andarmos muito e finalmente encontrámos o tão desejado produto. Fiz o abastecimento e pusemos algum gasóleo, praticamente os depósitos ainda se encontravam atestados.
Porém a minha viatura tem vindo a deitar imenso fumo branco, derivado da péssima propriedade do gasóleo iraquiano, é muito barato, mas de má qualidade. Temos de gastar a quantidade que as viaturas têm para que esta questão seja ultrapassada. A viatura do Carlos também já começou a fumegar, mas não tanto como a minha a do Cláudio, essa nem se queixa, esta quer combustível e o resto é superado sem problema algum, grande máquina comparada com estas duas meninas da época que nem mini-saia sabem usar, são as modernidades enlouquecidas da época europeia. Continuamos a circular na D430, muito perto da fronteira com a Síria, país que nesta altura está numa enorme mudança política, pois o soberano Bashar Al-Assad, deu à sola da capital Damasco rumo a Moscovo no dia 7 de Dezembro de 2024, impulsionando o rápido colapso do regime. Este pilantra foi um ditador, matou milhares de Sírios e levou este país à miséria e tortura do seu povo. Embora para este gajinho tenha sido aceite o seu pedido de asilo, continua sujeito a severas restrições. Não está autorizado a sair de Moscovo nem a exercer qualquer actividade política.
Além disso, as autoridades russas terão congelado os seus bens e dinheiro. Os seus bens incluem 270kg de ouro, 2 mil milhões de dólares e 18 apartamentos em Moscovo. A sua gaja uma gastadora nata, tinha e esbanjou dezenas de milhares de dólares em artigos de luxo, tais como centenas de sapatos Christian Louboutin, jóias de Paris, mobílias de Chelsea, lustres, cortinas, pinturas e não sei mais o quê. Para contornar as sanções impostas a Bashar, ela socorreu-se de um nome falso -Alia Kayali- e de moradas também falsas em Londres e no Dubai. Passando à frente e continuando a viagem perfeita para hoje chegou a hora do almoço e eis que a Cândida viu na net um restaurante que iriamos ficar saciados “Asmali Konak Café & Restaurant”. Situado em Atlian, Hasankeyf Yolu km 10, 72000 Suçeken/Batman Merkez/Batman, junto às margens de uma barragem do rio Tigre. Local deveras propício a um bom almoço ou jantar. Uma quantidade de refeições à escolha, um serviço, espaço com uma paisagem deslumbrante, tudo ok. Mandamos vir os pratos que nos agradaram. Resolveu o Gilberto ir à autocaravana buscar duas latas de cerveja para mim e para o Carlos e desfrutarmos de uma refeição digna do seu paladar, porque aqui neste restaurante só têm refrigerantes e com a qualidade do almoço de maneira alguma acompanhar com água ou sumo é desconfortante, será capricho nosso!
Quando cheguei à mesa bebi logo uma golada, pois estava sequioso com o calor que se encontrava. Já todos a se preparem para iniciar a refeição, eis que um funcionário vem dizer que não posso beber a cerveja. Ok, então da minha parte é escusado trazer o que pedi pois não vou almoçar aqui. Este retirou-se e vem com a contraproposta de que sim podemos beber, apenas colocou a cerveja num copo. Está bem, vou então almoçar. Neste intervalo o Carlos tinha-se ausentado e quando chegou ficou admirado de que afinal já se podiam beber as cervejas. Este almoço fui numa esplanada, tipo terraço ao ar livre, tudo o que pedimos encontra-se maravilhoso, tudo fantástico, iremos recordar este local. A questão de não se poder beber bebidas alcoólicas eles tinham razão, pois o proibido é para se cumprir.
Pronto, satisfeitíssimos aí vamos a caminho pela nacional D955, seguidamente D370, onde nos deparamos com uma mão cheia de burros, animal que somos todos unânimes em dizer que “nós gostamos dos burros”, sim dos burros. Muitos quilómetros havíamos já realizado e vimos uma bomba de extracção de petróleo, invertemos a marcha e fomos até ela, vimos o seu funcionamento e as belas das fotos não poderiam faltar. A mim e ao Carlos, fez-nos lembrar há muitos anos quando visitamos o EUA, e fizemos o “coast to coast”, onde nessa altura também espiolhamos uma, mas não tão grande como esta que vimos hoje. Para finalizar o percurso de hoje entrámos na D970 e eis às portas de Diyarbakir.
Cidade muralhada onde tínhamos como referência para ficar uma Asa dentro das muralhas, mas não conseguimos localizá-la, voltas e mais voltas, apenas deu para encontrar numa ruela um morador que nos abasteceu a todos com água. Daí entrámos numa zona com muito movimento desta cidade em que simplesmente ouvi um ruído de algo a bater no lado direito junto ao espelho retrovisor da autocaravana e consertei que foi uma peça de fruta que foi atirada de propósito por alguém contra nós. Mais umas voltas e deparámos finalmente o local onde estacionar as máquinas e onde iremos repousar esta noite, um jardim imenso às portas da cidade.























Para o centro, apenas teremos de percorrer a pé uma centena de metros. Pouco tempo demorou e já íamos a caminho para iniciarmos as voltas de reconhecimento a pé. Numa das ruas tiramos fotos com a polícia do município, comprámos fruta, por fim um chá turco bem típico na sua preparação e sabor, consumido num jardim em que todos nos sentamos ao redor de uma mesa baixíssima e abancados nuns bancos a que eu chamo de “mochos”, nome dado no nosso Alentejo aquele tipo de bancos. Finalmente, regresso ao nosso dormitório por ruas apenhadas de gente nesta noite de luar, situado na Sur Kaymakamligi - Şeran Plaza, Cami Nebi, Inönü Blv no 18. Boa noite para todos.

5-Julho – Diyarbakir – Kahta (250km) – Turquia

Mais uma catrefada de quilómetros para hoje que serão feitos pelo interior desta Turquia. O que vamos ver de imediato, mesmo aqui ao lado é a ponte sobre o rio Gozlu em Dicle Vadisi, um local de digressão para o cidadão turco ao fim de semana. Seguimos o trajecto e ingressamos numa zona montanhosa, como calculávamos, hoje estamos a ter um percurso também com imensas curvas.
Numa das serras em que atravessamos vimos uma formação rochosa em que as pedras eram autênticos hexágonos, pentágonos, não mais do que figuras geométricas. Já vi este tipo de rochedos na Irlanda há alguns anos atrás. Seguimos para um vale para atravessarmos uma ponte, um tanto idêntica aquela que une Portugal e Espanha em Ayamonte e a serrania não nos deixa, mais montes, vales e pequenas povoações é o cenário que nos esboça esta etapa. Muitos quilómetros já havíamos realizado e passamos por uma vila de nome Balli, mas nada tem a ver com Bali na Indonésia, não nos íamos enfadar se neste momento estivéssemos em Bali. Fomos ambulando e a certo instante surgiu um carro de matrícula turca com uns quantos fulanos la dentro a fazer sinais que não conseguíamos interpretar, até que bastante mais à frente fizeram sinal que iam parar. O Cláudio que seguia atrás deles fez o mesmo e nós como deve ser, os bons samaritanos fizemos o mesmo. A patrulha Cláudio e Cândida estiveram alguns minutos à conversa com eles e nós nada de sair das viaturas. Ao fim de algum tempo todos arrancamos e qual o nosso espanto quando fomos informados pelos ocupantes da Mercedes que eles tinham feito uns filmes por causa da célebre e tão fotografada e homogénica. Vario – Mercedes Benz, eles,
Turcos passaram para o telemóvel da Cândida dois filmes que mostram dois trajectos em que fomos filmados. Estivemos a ver tais filmes o que achamos uma gentileza. Parabéns Turcos por esta iniciativa que retribuímos. Partimos e esta não estávamos à espera, não é que transpusemos um controlo do exército Turco, muito idêntico aquela dezena que tivemos no Iraque, só que desta vez viram que não éramos Turcos e mandaram-nos prosseguir caminho. A nacional eleita de hoje é a D360 que vamos percorrê-la por mais algum tempo até que chegámos a Arsameia, local arqueológico em que no século I a.C. foi fundada. Percorremos uma enorme fracção deste local, detivemo-nos com uma descomunal inscrição grega feita na Anatólia produzida numa rocha enorme que se encontra à entrada de um túnel. Há imensas estátuas ao longo do caminho, mais um túnel que deu apenas para entrarmos poucos metros, porque a quantidade de insectos voadores era constrangedor.
Uma parte em que o acesso se tornou difícil a Júlia e a Sofia optaram por ficar para trás, no regresso cruzamo-nos com elas novamente e o grupo ficou pleno. De regresso ao parque das autocaravanas, logo partimos para outro local arqueológico o Nemrut em que o percurso de acesso é sem dúvidas fascinante por montanhas ingremes, onde ficamos rodeados de terrenos áridos, com diferentes relevos e muito poucas provas de existência de civilização ao longo do caminho. Enfim chegámos ao parque de estacionamento a partir daqui subir o monte Nemrut é obra, mais uma vez a Sofia e Júlia optaram por não escalar esta soberba montanha, está uma temperatura altíssima e repararam que o esforço não compensava o que iriam contemplar. Caminhada iniciada com umas pequenas paragens técnicas pelo caminho e por fim estamos bem no alto.
Viemos encontrar estátuas muito antigas e no meio deste monte dizem encontrar-se o túmulo de um rei, será verdade? Este local faz parte do património Mundial da Unesco no Nemát de montanha, onde se encontra o tal rei. O certo é que nos encontrámos a 2150 metros acima do nível do mar e onde ficou aquele que é considerado o túmulo real de Antíoco I. As estátuas repletas de inscrições em grego, estão praticamente intactas, o que impressiona quando pensamos no quão antigas e quando temos em conta que estão expostas ao ar livre. Mais ainda, no Inverno toda esta área e as montanhas circundantes ficam carregadas de neve. Permanecemos bem documentados com a quantidade de fotos tiradas, agora temos pela frente uma enorme escadaria com centenas de degraus a percorrer até à nossa chegada lá abaixo.
Presentemente retroceder todos os quilómetros feitos a subir, agora o inverso, vamos descer em que os travões têm que estar aptos para não aquecerem demasiado e não venham a cheirar a ferodo. Finalizada esta montanha, logo de seguida surgiu uma outra que ainda não havíamos passado, imediatamente reparo que a quantidade de combustível está baixa. Demorou ainda uns bons quilómetros até que apareceu um posto de abastecimento onde abasteci 67,61 litros a 50,59 Liras Turcas, o equivalente a 1,04€ o litro, igualmente comprei um aditivo para o gasóleo para aditivar e limpar os resíduos que possuo do Iraque. Hoje apenas uma vez surgiu um pouco de fumo nada comparado com o que sucedia antecedentemente. Finalmente para a Asa situada no Kommageneiz Hotel em Yavuz Selim, Mustafa Kemal cd. No 3,02400 Kâhta/Adiyaman.




Esta Asa fica no estacionamento do hotel que aproveita a ocasião para receber algumas autocaravanas, assim sucedeu connosco. Entretanto como ainda era cedo o Cláudio lembrou-se de reparar o humidificador que nos últimos dias tem estado com problemas, subiu para o tejadilho da Mercedes e começou a desmontá-lo, viu que tinha uma grande quantidade de sal que estava a impedir o seu bom funcionamento, limpou, soprou o filtro e sei lá mais o quê. Chegou à conclusão daquela quantidade de sal, foi quando estivemos num parque no sul da Turquia em que a água era salobra, resultante de ter uma enorme quantidade de sal que lhe foi estragar o filtro do aparelho.





Grande trabalheira que teve, mas o resultado não foi aquele que tanto desejava. A Cândida ligou a máquina de lavar roupa e acabámos por fazer o nosso jantar neste local. Mais outra etapa concluída com sucesso, venham mais, estamos preparadíssimos.

6-Julho – Kahta – Kayseri (441km) Turquia

Se ontem percorremos zonas montanhosas, hoje por aquilo que já estamos a observar vai-nos acontecer o mesmo, serras e vales pela frente, vai ser outro fartote. Também, mais outra boa estirada de mais de 400 quilómetros com um calor que não desguarnece, o Cláudio é que está desarmado porque o raio do ar-condicionado não funciona, conduz frequentemente com as janelas abertas para que haja um pouco de ar, mais fresco, ou seja uma grande pincelada que têm que ultrapassar, é que nesta altura alcançamos o meio da nossa viagem e as temperaturas neste momento do ano irão se manter, certamente elevadas.
As nossas conferências via rádio são constantes, com tantas conversas da treta, mas fazem que nos mantenhamos descontraídos e os quilómetros sejam transpostos mais tenuemente. Entre tantas há uma que começou a falar-se e não sabemos qual o desfecho final porque o impacto de saloiada é pertinente, ora examinemos – o Carlos e o Cláudio querem comprar umas buzinas para equipar as suas autocaravanas. Eu não digo nada, mas deu-me a parecer que a compra de tais objectos se deve ao facto de que quando buzinarem as autocaravanas atingem velocidades mais altas, pra i uns 180 ou 200km, e porquê? Porque as ventaneiras provocadas pelo sopros pode mesmo alterar tais ligeirezas, vamos ver, pois estão interessadíssimos, apenas o Cláudio tem um senão a Cândida não está nada de acordo, deve pensar que só os parrecos é que têm coisas destas.
Sobre este percurso tantas estradas novas utilizamos, tantas já terminadas, a Turquia também neste sector encontra-se com um desenvolvimento extraordinário. Se há uma montanha fazem um túnel se existe um rio, porque não fazer uma ponte ou uma nova ponte, dá prazer conduzir neste país. É raro encontrar buracos, apenas vamos ainda vendo alguma irregularidade na pintura dos traços ou tracejados, sim um pouco tortos, hoje existe maquinaria para que isso não aconteça. Irão reconhecer este pequeno erro e passarão a ser correctos ao pintar esses traços. Já perto de Kayseri, terraplanagens para abrirem novo troço nas montanhas.
Já o sol se estava a pôr quando entrámos em Kayseri. Asas não se encontram nesta cidade, procuramos uns quantos sítios, mas o mais perto do centro que vai ser o local para pernoitar, sim o mais nomeado situa-se junto a um jardim em que o parque de estacionamento vigiado e pago vai ser usado como o lugar mais seguro para descansarmos nesta cidade, Mimar Sinan Parki, ponto GPS 38.722614 – 35.484363, Gevhernesibe, 38010 Kocasinan/Kayseri.
Quando entrámos o Cláudio encaminhou-se para um canto um pouco distante da zona controlada por câmaras e imediatamente avisei-o que não seria o local mais propício para se aparcar, porque esta cidade não é assim tão segura. Nesse momento saí e o que vi de imediato uma carteira vazia, sim estava sem nada dentro. Ninguém naquele local deita fora uma carteira, esta tinha bom aspecto, quase de certo foi trabalho de uma artista do gamanço. Mudámos de local e encaminhamo-nos para mais perto da entrada onde se encontra o segurança e algumas câmaras de vigilância. Se existem tantas câmaras é por alguma razão!
Já com os locais de estacionamento assegurados fomos jantar num dos restaurantes mais frequentes e que a comida é mais barata, um Kebab que tanto eu como a Sofia, comemos, mas não apreciamos. Fizemos mais algumas voltas pela cidade para que depois ainda tivemos tempo para comer uns bolos típicos destes países árabes o Kanafeh. Voltas concluídas e seguimos para as nossas casinhas turcas.

7-Julho – Kayseri – Göreme (88km) Turquia

Kayseri, uma das mais importantes cidades da Turquia, relativamente à sua história. É por aí que vamos começar. Esta cidade tem a fama de ser das mais conservadoras da Turquia, relativamente a termos políticos e religiosos, sendo o bastião principal do Partido de Acção Nacionalista.
Ao longo dos milénios vários povos a conquistaram e a perderam, como os Hititas, Frígios, Assírios, Mongóis, Persas, Romanos e outos tantos, foi casa de tanta gente. A cidade tem inúmeras mesquitas ou madraças como queiramos. Antes de partimos para Göreme fomos dar uma volta. Vamos passear pela parte antiga da cidade. Quando passamos por um dos muitos jardins o Carlos viu um engraxador e resolveu engraxar os seus sapatos de casamento ou de férias. São estes, muito velhos e desgastados pelo seu uso e tempo. Tinham uma cor azulada, depois de engraxados ficaram bonitos, mas de cor diferente, castanhos, parecem novos. O trabalho que lhe foi prestado, uma pechincha ainda sobrou liras para gorjeta em que o Turco ficou felicíssimo.
Então, quando transpúnhamos uma certa rua, fomos abordados por um habitante que quis ser simpático, quando lhe perguntámos onde era o bazar, imediatamente prestou toda a afinidade e acompanhou-nos até à entrada, mas continuou connosco a dar certos esclarecimentos deste bazar e a dizer que tinha uma loja de tapetes num local dentro dele. Muitas voltas fizemos e sem dúvida ficámos a conhecer satisfatoriamente toda a área deste bazar que ó principal de Kayseri mais conhecido pelo Kayseri Kapaliçarşi. Este é um dos maiores bazares cobertos da Turquia, frequentemente considerado o maior depois de Istambul, e é um destino histórico e comercial importante da cidade. Fizemos algumas compras, como queijo, iogurte turco e azeitonas, entre elas a Cândida comprou um pequeno tapete pela módica quantia de 35€ para a autocaravana. Fomos até perto das muralhas, pois ontem à noite já havíamos andado dentro delas, mais umas ruelas e partimos. A distância para o destino é curta e foi executada em pouco tempo.
Eis que chegámos a Çavuşin. Já havíamos localizado o local onde estacionar, foi fácil de o encontrar, parque pago e escolher os lugares que nos agradassem. Havia uns quantos autocarros já ali parados e meia dúzia de lugares vagos. Possivelmente será este o local onde iremos dormir, nada tem a ver com um parque de caravanas, é apenas um pequeno parque de estacionamento, cuja localização é 38.667337 – 34.841421 em Yukari Mahalle, Yukari Cami Yani no. 154, 50500 Çavuşini/Avanos/Nevşehir que dá acesso a dois hotéis, tem uma rua de passagem e moradores. Vi fotos na net em que a polícia foi ali rebocar noutra data todas as caravanas ali estacionadas.
Quando saímos deste parque fomos logo abordados pelo funcionário que tinha recebido o valor do estacionamento a perguntar se não estávamos interessados na compra de bilhetes para andar de balão. O Cláudio e a Cândida disseram que sim. Este levou-nos a uma loja que era à saída do parque e ali discutimos um melhor preço. Achei que o valor indicado era alto e disse à Cândida para lhe oferecer outro montante, ele não aceitou e adiantei ao mesmo tempo que falava com a Sofia se ele baixar o valor nós também estávamos interessados em ir também. A Sofia de imediato não mostrou grande interesse, mas vi na cara dela que tinha alguma vontade.
























Falei com a Cândida que se o preço fosse ainda mais baixo que nós também iriamos. Quase de imediato o Carlos também se mostrou empenhado, nessa altura raciocinei um valor ainda mais rasteiro e foi dito ao vendedor que seriamos seis, desta forma o preço deveria ser diferente.


Não foi de imediato que este aceitou a nossa proposta, enfim telefonou para alguém, ao mesmo tempo falou com o funcionário do parque e apercebi-me que a comissão deste teria de baixar bem como a dele em conformidade da conversa que se encontrava a desenrolar telefonicamente.


Ok, aceitaram o valor proposto por nós que foi de 360€ para todos. Aquisição concluída e já sabemos que amanhã bem de manhã, mais propriamente 4 da manhã temos de estar acordadinhos pois vêm-nos buscar. Aproveitamos e adquirimos mais algumas lembranças nesta loja para de seguida irmos visitar esta aldeia de Çavuşini. No entanto alguns de nós já estivemos nesta aldeia há alguns anos atrás.

Também fomos dar um giro pelas Chaminés de Fada, não entrámos, pois, era a pagar, aqui na Turquia para se ver qualquer coisa se paga e nós não estamos nessa, teríamos de trazer um carrinho de mão, cheio de cacau para abastecer estes Turcos de uma figa. Ficamos numa varanda de um quiosque à entrada e olhamos, onde conseguimos ver alguma coisa. Note-se este quiosque foi colocado aqui para vender mais tralha Turca, só negócio.


Alguns de nós já visitamos este e outros locais e nada pagámos. Não basta as centenas os milhares de euros que as pessoas gastam em alojamentos, refeições, combustível, traquitanas, etc., quanto mais pagar valor exorbitantes nas entradas. Não são nada pecos a pedir, por exemplo 30€, 40€ ou 50€, são valores que já pagamos para entrar em certos sítios. Hoje e amanhã são os dias da nossa presença aqui na Capadócia. Muitas coisas ainda teremos para ver e desembolsar.

8-Julho - Göreme – Konya (291km) Turquia

Ainda faltava muito para o nascer do sol, já permanecíamos acordados e prontos para seguirmos para o campo de batalha. O recinto do lançamento para o espaço destes seis malogrados Portugueses.
Há amigos ou familiares do Cláudio e da Cândida que os advertiram do perigo que é andar de balão. Ora essa, há muitos perigos que passam por nós todos os dias e não é de maneira alguma um passeio de balão que torna tão arriscado este passeio, sim um disparate tal argumento. Por isso não temos receio seja do que for, aí está a carrinha que nos vai transmover, temos por companhia mais uns estrangeiros, entre eles onze amarelinhos, podem ser Chineses, Japoneses ou Coreanos, se forem do Norte são espiões, neste caso eu tenho medo, podem transportar explosivos e vai a galinhola pelos ares, errado pelo ares não vai ser porque no ar vamos nós estar. Neste hangar aerostático, estão neste momento à volta de uma centena de balões, se não forem mais a serem preparados e a ficarem cheios de ar quente. Uma nota o primeiro balão de ar quente foi construído na China no ano 220-280 d.C., que usou pequenas lanternas para projectar sinais de propósito militar. É espectacular vermos todo este alvoroço, quando o sol já começa a dar sinal de si, numa madrugada com a temperatura já fastigiosa.
























Já começaram a erguer-se os primeiros balões é lindo vê-los no ar com diversas cores e os que estão mais altos o sol já reflecte neles. Vamos então subir para o cesto de embarque, este está divido em pequenos quadrados e cada um leva 2 a 3 pessoas, no total o nosso cesto transporta 19 pessoas. Já estamos a subir e vemos alguns balões já bem altos.


O trajecto é lindiíssimo porque caminhamos ao longo das mais figurativas aldeias da Capadócia, por cima de montanhas, depois os vales e a subida permanece estável. Vejo outros balões mais no alto e começo a ficar triste, pois já me apercebi que não iremos tão alto.
























Foi isso que aconteceu, ao fim de alguns minutos começamos a voar sempre à mesma altura, nada de subirmos. A viagem teve a duração de cerca de 45 minutos. Pousamos com toda a segurança. Esta foi a primeira viagem de balão para os nossos amigos Cândida e Cláudio, espero que tenham gostado e que estejam prontos para uma próxima num outro país ou continente, não se irão arrepender, porque é uma experiência única e saudável. Retorno ao nosso acampamento no parque de estacionamento para que de seguida sigamos para Konya.























Iremos ter algumas paragens pelo caminho sim, este percurso reserva-nos imensos locais de muito interesse. Chegámos a Üçhisar significa “três fortalezas” em Turco e é uma das localidades mais típicas da Capadócia, com o seu casario confundindo-se com a paisagem rochosa tão característica desta região. Mais adiante percorremos o Rose Valley, mais uma zona lindíssima. O próximo destino será uma cidade subterrânea construída há 1400 a.C., é ela Derinkuyu que em 1963, um habitante, derrubou uma parede da casa e descobriu que por detrás da mesma estava uma misteriosa caverna, continuou a investigar e percebeu que aquela divisão o levava a outro e outro espaço, foi assim que foi encontrada esta misteriosa cidade, cujo primeiro nível deverá ter sido escavado por volta de 1400 a.C.

No entanto os arqueólogos começaram a estudar esta incrível cidade abandonada e conseguiram chegar até aos 40 metros de profundidade, embora se acredite que vá até aos 85 metros, actualmente foram descobertos 20 níveis subterrâneos, mas apenas os oito primeiros podem ser visitados, uma vez que os outros se encontrem parcialmente obstruídos ou reservados aos arqueólogos que estudam Derinkuyu: Descemos e andámos pelos mais diversos níveis, alguns locais o acesso é muito difícil ao cruzarmo-nos com outras pessoas.


Há um corredor que eu e o Cláudio fizemos que é muito estreito e baixo, uma pessoa um pouco obesa, não é preciso ser rechonchuda, apenas um pouco, fica o corredor obstruído de imediato, tem que vir uma grua retirá-lo, ou seja um problema muito sério. De resto todos os restantes elementos circularam sem problemas. Outra etapa detemos pela frente e já circulámos na nacional D300 em direcção a Aksaray que foi um local de passagem da “rota da seda”, está situada numa espécie de oásis no meio de uma região árida à beira de um rio e tem numa extremidade o maciço montanhoso de Melendiz.







Nesta cidade encontrámos uma estátua enorme de um cão, ou seja, do cão Turco Malakli Köpeği que é o Aksaray Malaklisi, uma raça gigante, caracterizado por seu tamanho imponente, grande cabeça e forte instinto de protecção.




Este animal custa no mínimo 1000 euritos. Ainda gozamos de uma distância considerável, pela frente, vamos seguir para pararmos e visitarmos outros lugares. Faltavam prá i uns 107 quilómetros e apercebi-me que estamos muito perto do Sultanhni Caravançarai.


Como é possível porque a última vez que aqui passei foi em 2009, o único prenúncio que tive foi a estrada onde permanecíamos a circular, ou seja, o registo que ficou na minha memória. O meu disco rígido já tem 72 anos como é possível o softwere e hardware estarem ainda actualizados! Então mais à frente localizamos facilmente o destino.


Quando aqui estivemos, Carlos, Júlia, Gilberto e Sofia não pagámos um tusto para entrar, hoje não, tivemos de pagar as entradas.


É como tenho dito aqui na Turquia, pagasse tudo. Visitação concluída, agora é pôr-nos a andar porque ainda estamos longe do final da etapa. Até então, cruzamos algumas cidades e vilas. Há momentos atravessamos Çengilti e seguidamente Konya onde fomos directamente para o parque de campismo já localizado pela Cândida. Karatay Belediyesi Karavan Park, localizado em Tatlicak, Tiftikçi Sk, 42030 Karatay/Konya. O nosso jantar desta noite foram rojões.

9-Julho – Konya – Ancara (277km) Turquia

Sentido de hoje, capital da Turquia que se encontra a norte a cerca de 300 quilómetros, sim vamos ter que fazer mais uma longa caminhada, estes trajectos são muito frequentes entre nós que até esta altura já totalizamos 9561 quilómetros. Fizemos a caminhada da manhã, nesta cidade com um calor do caraças para de seguida colocarmo-nos à estrada.
Acabei de me lembrar duma situação que se diz ter passado nesta cidade de Konya nos tempos bíblicos que de acordo com o capítulo 14 dos Atos, ao chegarem a esta cidade Paulo e Barnabé, teriam feito um discurso numa sinagoga onde uma grande multidão de Judeus e Gregos converteram-se ao cristianismo. Os Judeus não convertidos organizaram um motim juntamente com os gentios com o objectivo de os apedrejarem o que obrigou Paulo e Barnabé a fugirem para outras cidades. Penso que o organizador do motim dos Judeus, foi um tataravô ou mesmo um Pentavô e sabem de quem? Esse mesmo o Benjamin dos Netanyahu, quem diria.
Vamos partir que já se faz tarde pela nacional D715, em que iremos fazer praticamente metade do percurso. Transpusemos uma grande quantidade de cidades em que esta via praticamente nos encaminha a passar pelo centro. Há sempre muito trânsito o que nos faz reduzir a velocidade e perdermos tempo. Entre as cidades que ultrapassámos refiro algumas como Damlakuyu, Ömeranli e Kulu. Ininterruptamente entramos noutra nacional desta vez a D750 que nos vai colocar em Ancara. Encontrávamo-nos ainda muito distante da cidade e começamos a ver os pináculos dos arranha-céus, fomos andando e aí é que reparámos mesmo, a distância a que ainda nos encontrávamos. Cruzamos vias rápidas nesta cidade, grandes avenidas, zonas verdes e industriais e abordamo-nos do parque de campismo que se encontrava repleto, mas a simpatia deste turco arranjou-nos um espaço separado para a três autocaravanas no meio de pinheiros em que as manobras para colocarmos as viaturas estavam dificultadas por causa das quantidades de árvores, como a entrada não ser adaptada para o nosso acesso.






















Permanecemos isolados e sossegados em que à noite tivemos a visita inesperada de um ouriço-cacheiro e por ali passaram um número de cães turcos que apenas tinham receio de serem apanhados. Confeccionámos a nossa jantarada, ora uma delícia e descansamos das mágoas desta jornada. Outro dia nos espera.



























10-Julho – Ancara – Akcakoca (297km) Turquia

Pegámos nas nossas máquinas, já pareço um maquinista a falar, verificámos que estão em condições de seguirem viagem. Portão aberto, pois esta noite dormimos num recinto isolado de todos os outros campistas. Manobras para nos desviarmos dos pinheiros e esperar um pouco para que uma viatura parada na saída saísse e aqui vamos para o centro de Ancara.
O destino já está esboçado pelo Carlos, pois investigou que o castelo e a zona envolvente são de muito interesse. Ainda para mais a maioria pensava que Ancara era uma cidade moderna e nada de ter outros monumentos e muito menos um castelo. Aí está, não há nada em como ver “não é ver para crer”, mas para alterar outras ilusões que possam estar armazenadas no nosso pensamento. A distância que transitámos por esta grande cidade até chegarmos às ameias do castelo foi obra, uma mão-cheia de quilómetros. No entanto ergueu-se o dilema de sempre, onde aparcar três viaturas deste tipo. O nosso contacto via rádio é frequente, ainda mais nestes lugares. Apôs darmos umas voltas o Carlos disse que ia sair do trajecto para ver se encontrava lugar mais perto da entrada, nós perseguimos caminho e deixamos de ter contacto com ele, ficamos à espera a todo o momento da sua posição, no entanto continuámos na via que vínhamos, por ser mais larga e não víamos grande hipótese de ingressarmos numa daquelas ruas estreitas por ali acima, mais à frente lá nos detivemos num parque de estacionamento no meio de uns prédios, velhos, quase em ruínas, este local encontra-se num espaço deixado por outros prédios que tinham sido demolidos, ainda havia paredes e escombros por ali.
Também a entrada neste parque era dificultada pela descida muito estreita e o acesso ao espaço de parqueamento apertado e com manobras complicadas. Os sujeitos do parque, para aí uns três, eram de aspecto duvidoso, mas lá seguimos rua acima em direcção ao castelo. O Cláudio pelo seu telemóvel localizou o Carlos que estava a uns 200 metros de nós. As ruas ingremes e tortuosas neste local faz-nos lembrar a nossa Mouraria ou Bairro Alto, aqui existem, muitas lojas onde se encontram as mais diversas bugigangas, muitos restaurantes e ferros-velhos. No entanto estávamos a tirar fotos da rua a uma exposição de artigos de som, entrámos, e deparámo-nos com um café ou sala de chá em que a sua decoração eram os mais diversos artigos musicais, desde gira-discos, gravadores, grafonolas, gramofones tudo que reproduzisse som e dezenas de aparelhagens.
Para que todos fiquem a saber a diferença entre um gramofone e grafonola; (a grafonola e o gramofone são dispositivos de reprodução de som, mas diferem principalmente no tipo de suporte que utiliza: a grafonola usa cilindros, enquanto o gramofone utiliza discos), decoraram! (É que no final desta viagem vão ter uma prova escrita dos passos principais desta expedição e quem usufruir nota positiva, vai fazer a oral, os que passaram vão alvitrar a próxima grande viagem de 2026). Não podiam faltar estantes com centenas de discos, cassetes e CD. Noutro espaço acima uma lojinha cheia de quinquilharias feitas só de metal reluzente. Noutra loja a Sofia e Cândida adquiriam os desejados imanes. Noutra quelha mais acima, enorme quantidade de tarecos, móveis velhos, estantes, mesas, tudo tarecada espalhada pela ruela.
Fomos espreitando e reparamos que por detrás destes prédios centenários há casas feitas em madeira onde vivem pessoas, não lhes poderei chamar barracas, porque as paredes destas são lineares e devidamente aprumadas e envernizadas. No entanto o Carlos telefonou a dar a posição. No castelo avistamos a viatura do Carlos e numa das muralhas lá estava ele e a Júlia. Grupo reunido e assim começamos a vistoria deste amuralhado. Detivemo-nos com paisagens lindíssimas da cidade de Ancara. Uma mixórdia de arranha-céus e o casario doutras épocas, mais os espaços ajardinados e num dos lados, um dos estádios de futebol. Vamos dar por findada esta passagem por Ancara, pena de termos os dias já distribuídos nesta expedição, não ia dar se ficássemos mais um dia por aqui pois há inúmeras coisas para conhecer.
Quando fomos buscar as viaturas fomos surpreendidos com o preço do estacionamento. O Cláudio ficou furioso com o valor que exigiam, porém logo disse que aquele preço não era justo e que não compreendia porque o preço mencionado no parque não era aquele. Teimosia da parte dos beligerantes turcos, três mangas. Insistiam que o preço era aquele e que tínhamos de pagar. O que eles foram arranjar. O Cláudio furibundo só lhe apetecia saltar para cima deles, começou a andar com a autocaravana e logo um deles atravessou um carro a sua frente para que não pudesse sair. Em determinada altura da discussão o Cláudio saiu do carro e ia meter-se dentro do carro deles, porém tinham removido a chave.
O certo é que após muitos minutos de denúncia do Cláudio, estes gajos resolveram que não queriam dinheiro nenhum, aqui o Cláudio deu-lhe o valor correcto, eles atiraram o dinheiro para dentro do carro, por sua vez o Cláudio atirou-lhe o dinheiro para o chão e lá vamos embora, primeiro sai o Cláudio depois eu. Conclusão, assunto arrumado. Lá fora o Carlos esperava por nós para iniciarmos o resto da etapa. Principiamos a etapa, mas a fome já nos circundava, estavam a ser 13h00 e parámos em Macun, uma cidade ou mesmo os arredores de Ancara. Entrámos no ACity Outlet Shopping Center em que fomos ao Burger King, mas só o Carlos teve esta opção, os restantes comeram num outro restaurante comida Turca.
Aproveitamos de estar neste centro comercial para comprarmos mais algumas coisas entre elas gulosices, gelados de chocolate do Dubai. Vamos retomar a marcha e consumir uma data de quilómetros que ainda temos de fazer para chegarmos às margens do Mar Negro. Fizemos a D750 até Gerede, totalizando 137 quilómetros, neste trajecto encontrámos uns ciganos Turcos com um pneu praticamente desfeito em que o Carlos e Cláudio tentaram ajudá-los, mas estes não tinham pneu suplente, por sua vez como bons negociantes, ciganos, ainda nos quiseram vender uns atoalhados e umas meias. Não houve negócio e estes três “Mescaleros”, partiram com dois deles sentados em cima do capot para equilibrar o peso, mas ainda com o pneu a roçar o asfalto. Mais à frente ingressamos na D100, onde ainda temos uma catrefada de quilómetros.
Distâncias já foram conclusas e perto do final passamos por Prusias ad Hypium Antik Kenti, um amuralhado à beira da estrada com dimensões de que ali existiu uma cidade de outros tempos onde ali viveram vários povos como o Reino da Bitínia, Império Romano e o Império Otomano. Encontramo-nos já perto do troço final em que conduzimos na D655. A Cândida mais uma vez localizou um local para dormimos, foi o Hamburg Camping localizado em Haciyusuflar Mah. Değirmenağzi Mevkii, Haci Yusuflar, Kale Yoku üzeri, 81650 Akçakoca/Düzce. Parque de campismo bem organizado e com todas as condições que iremos precisar.

Quando chegámos um Turco deu-nos as boas-vindas, este, com muitas explicações e atenções em demasia. Viemos a saber que este Turco tinha sido emigrante na Alemanha, talvez a razão deste parque ter o nome de Hamburgo e o fulano só falar alemão, valeu-nos a sorte de que a Cândida sabe falar “Alimão”.
Já completamente estabelecidos, vamos jantar à cidade que fica a meia dúzia de quilómetros de onde estamos, porém, deslocar-mos-emos de táxi. Já é muito tarde e vimos que os estacionamentos estavam repletos quando vínhamos para cá. Fizemos umas voltas a pé por esta cidade, estivemos junto ao mar Negro a olhar para as suas águas para de seguida irmos jantar num restaurante que nos encheu as medidas, estava tudo bom, no entanto quando ingressámos já estava prestes a encerrar. O regresso foi repetidamente de táxi que por sua vez foi o mesmo que nos trouxe para cá.

11-Julho – Akcakoca – Bursa (284km) Turquia 

Vai decorrer hoje o 35° dia desta expedição à Mesopotâmia que tem sido composto por estes seis missionários do novo mundo, situados permanentemente em Portugal, Europa Ocidental, Planeta Terra, Galáxia Via Láctea, confins do Universo. Apenas para focar que somos seis vítimas de apreciarem o viajar. Numa hipótese muito remota e extravagante se vivêssemos no ano de 9025, por exemplo, estaríamos a viajar por outras galáxias. É uma data que tem apenas uma pequeníssima disparidade de sete mil anos, mas podia ser. Vou-me deixar de parvoíces e contar o que fizemos hoje. Nesta altura vejo que pouco tenho para contar, mas:
Vamos partir de Akcakoca onde se situa o cói do turco germânico. Aconteceu que hoje tivemos necessidade de despejar as águas sujas das autocaravanas. Ocorreu que o Carlos foi deitar as porcarias dele por cima de uma tábua que cobria o algeroz dos despejos. Logo apareceu o Turco com cara de poucos-amigos a reclamar o sucedido. Na verdade, não compreendi a razão perfeita do sítio estar coberto com aquela tábua, mas se pensássemos um pouco logo se via que algo se tinha de fazer, assim se produziu nojeira. Voltamos à estrada em que seguimos por uma via que margina o Mar Negro, sendo ela a D010, é uma via muito estreita que nos leva a passar por vilas, aldeias e lugares, alguns ínfimos, mas que a estrada teve ou tem mesmo de as atravessar. Por vezes esta afasta-se um pouco da orla marítima e entra por zonas agrícolas.
Este panorama estendeu-se até a uma rotunda onde termina esta via e começa a D014, mais umas longas distâncias e apanhamos a D650, mais longe a D150 e D160, para entrarmos ao fim de 280 quilómetros em Bursa. Conseguimos um espaço de estacionamento em que mais uma vez a entrada é apertadíssima, mais ainda os fulanos deste parque para mim são mais uns trafulhas idênticos aos que encontramos em Ancara, foi de imediato a minha conclusão. Quiseram que deixássemos as chaves das viaturas em poder deles, alegando estes que… Eu contraí a vontade de não deixar nada em poder destes Turcos que já nos enganarem muitas vezes desde que aqui chegamos. Porém o resto do grupo achou que sim que devemos deixar as chaves. Que raio, esta malta esqueceu-se muito rapidamente dos malabarismos destes Turcos. Eu nesta altura tenho toda a razão de não confiar nesta gentalha.
Tanto que quando deixei uma chave, foi apenas a da garagem. Até podem roubar o que é que seja que depois que argumentos temos para reclamar, absolutamente nada, estamos numa terra onde a Lei, nestas situações passa-nos ao lado. Então fomos a pé até ao Covered Bazaar, não mais do que um dos muitos bazares que já visitamos neste país. Ainda parámos defronte de uma loja onde vendiam carne e tinham na montra umas costeletas de borrego que nos chamou atenção. Esta chamada de atenção foi só para as pessoas que gostam desta carne a outra metade, esta qualidade superior de carne passa-lhe ao lado. Seguimos rua acima a certo momento apareceu outro dos mangas do parque a falar comigo e a dizer que a chave que lhe tinha dado não era a correcta, lá tirei a chave respectiva e lha dei sem alguma vontade. Seguindo o passeio deparamo-nos com outros produtos, mas nada de comprar fosse o que fosse. Entrámos noutra zona deste bazar que na realidade é um espaço completamente alheio e separado, mais lojas e montras surgiram, mas compras nada, até que chegou a hora de regressarmos e fomos passar no local onde havíamos avistado aquela carne tão suculenta.
Entrámos para comprar, sucedeu que tinham apenas uma pequena parte, pena nossa, alguém com os mesmos gostos requintados teve a mesma ideia do que nós. Tivemos de sair e entrar noutra loja vizinha, em que aí comprámos, sim as costeletas de borrego, mais outra carne de categoria inferior que os nossos comparsas escolheram. Agora levantar as viaturas para irmos para o local onde iremos descansar as fadigas de hoje. Quando chegámos fomos pagar o estacionamento e levantar as ditas chaves. De seguida dirigimo-nos para os locais onde deixamos as viaturas, porém nenhuma estava lá. O que se passou, ora esta, estavam estacionadas noutros locais, ou seja, abusivamente os mangas acharam-se com todo o direito de as mudar de local, tanto que vimos que o parque nesta altura tinha já poucos carros estacionados. Agora pergunto se por acaso tivessem batido, o, tanas, sim, não iam responsabilizarem-se, não é verdade? Também, quando estávamos a sair o Carlos foi informado por estes de que ele tinha batido numa viatura, não disseram qual, mentira nada disso sucedeu. Lá teve de arguir para lhes dizer que nada disso ocorreu.
O que na realidade aconteceu foi que quando eu ia a sair e quando fiz marcha atrás o Carlos tinha parado atrás de mim e nessa altura quando fiz a manobra bati com a minha traseira na borracha do guarda lamas dele, mais nada, não ouve quaisquer danos. Este caso connosco nada tinha a ver com a trafulhice que eles estavam a armadilhar. Ainda para mais, no local onde estávamos os mangas nem se aperceberam deste caso.
Já no parque de campismo, fomos tratar da jantarada: Tivemos dois pratos, costeletas de borrego, categoria superior grelhadas e bifes de vitelinha ou vitelona, já não sei, também na brasa, qualquer destas refeições acompanhadas de bom vinho francês de Bordéus e um lambrusco Sorbello Branco da região italiana Emília Romana, apenas a menina Júlia opta por beber ice tea. Uma noite de luar bem passada com um café e um brinde de chiripiti da D. Sófia. O camping hoje nomeado foi: Bursa Karavan Park – Çağlayan Köy, 16370 Osmangazi/Bursa, situado no fim de duas descidas íngremes em terra-batida, também o acesso através da estrada nacional é em terra-batida.

12-Julho – Bursa – Tróia (303km) Turquia

O que nos reserva o dia para hoje, mais outra parcela incógnita dos acontecimentos prováveis. Vamos então à viagem audaciosa. O camping onde nos encontrámos é no fundo de um caminho longo, íngreme e de terra batida, tomei as precauções necessárias em como vou desempenhar o papel de não precisar de reboque.

O Cláudio com a sua poderosa “Vario 4x4” partiu à minha frente para que o trilho fique desimpedido para eu ficar com algum espaço de manobra. Arranco na subida com uma aceleração regular até à curva em cotovelo, praticamente não reduzi a velocidade e entrei na última elevação sem problemas, atrás de mim veio o Carlos também sem constrangimentos. No final deste troço pedregoso entrámos na nacional D200, esta uma longa via a percorrer. No final de 112 quilómetros cruzamos a cidade de Bandirma localizada numa baía do mar de Mármara, não fizemos nenhuma paragem.
Seguimos na mesma via até Denizkent onde fizemos uma pausa para petiscarmos junto a um paredão onde o mar de Mármara era agora nosso vizinho. O Cláudio estava a morder-se para tomar uma banhoca e foi o que aconteceu. Homem ao mar que se faz tarde. Terminadas tão árduas tarefas recomeçamos a viagem em direcção de Tróia, sim Tróia Turca, nós temos a Tróia mariscos defronte a Setúbal, também uma belíssima localidade. Neste dia meti mais uns litros de gasóleo, abasteci 64,07 litros a 51,66, Liras Turcas, o litro, equivalente a 1,058€. Ainda detemos outra distância a percorrer para entrarmos no estreito de Dardanelos que liga o Mar Egeu ao Mar de Mármara onde se travou uma batalha na 1ª guerra mundial em 18 de Março de 1915. Um intenso ataque naval da campanha de Galipoli em que três couraçados são afundados pela tropas otomanas, sendo fracassada a invasão naval britânica e francesa neste estreito de Dardanelos e quase custou a carreira política de Winston Churchill.
Já poucos quilómetros faltam para finalizarmos o itinerário de hoje, ainda transpusemos algumas cidades e vilas antes de ingressarmos no espaço histórico de Tróia. Logo que chegámos fomos adquirir os ingressos que nos importaram a cada um o valor de 27€, este preço é para turista o preço para turco fica no máximo por 600 liras turcas o equivalente a 12,41€. Mais uma vez digo é mesmo esfolar o turista, esta mama um dia há-de se consumar como o petróleo irá acabar também para os grandes produtores mundiais que um dia vão-se agarrar ao toutiço. Logo que transpusemos as cancelas de acesso tivemos pela frente o enigmático cavalo de Tróia, colossal, produzido em madeira e aqui começa o itinerário para ficarmos a conhecer esta cidade fundada há milénios de anos, tendo esta sido, um centro estratégico da Idade do Bronze, com uma história de várias camadas de assentamentos, desde cerca de 3000 anos a.C. até aos períodos gregos e romanos.



É o palco lendário da Guerra de Tróia, imortalizada na Ilíada de Homero e um Património Mundial da Unesco desde 1998. Caminhamos por quase todos os níveis possíveis de se visitar em que encontrámos um emaranhado de ruínas que nos dizem que revelam nove camadas de ocupação, mostrando que a cidade foi destruída e reconstruída várias vezes ao longo dos séculos, resultado de desastres naturas e conflitos. Os nossos conhecimentos são vagos na maioria dos pontos em que passamos por esta ou por outra parede, fortificação, sedimentos ou sobejos de estátuas, é que não sabemos mesmo fazer tais distinções. Concluída a visitação de Tróia e não se perde nada em focar o que nós sabemos da história de Tróia é que;

  • A cidade ficou famosa por causa da Guerra de Tróia, travada entre gregos e troianos, imortalizada na Ilídia.
  • A lenda conta que a guerra ocorreu após o Príncipe troiano Paris raptar Helena, esposa do rei Menelau.
  • Para entrar na cidade, os gregos usaram o famoso Cavalo de Tróia, um presente que escondia guerreiros em seu interior.
Seguimos uma viagem curtíssima para o parque de campismo situado a pouco mais de 100 metros. Tróia Pension & Camping, Tevfikiye Köyö, 17100 Çanakkale.
Assim, ultimamos este final do dia, nesta Tróia.

13-Julho – Tróia – Paralia Mandras (342km) Grécia

Ao fim de tantos dias a percorrermos a Turquia chegou a hora de nos irmos embora, mais parece um abandono, nada disso, este país tem muito para se ver e não é com as seis vezes que aqui estive, que posso argumentar que conheço bem este país, acredito, que um dia possa cá regressar repetidamente.
Encontrarmo-nos já a percorrer os primeiros quilómetros em que optamos por nos aproximar o máximo da estrada que orla o estreito de Dardanelos, muito trânsito até chegarmos à cidade de Çanakkale onde vimos mais uma figura monstruosa do cavalo de Tróia, foto tirada e seguimos viagem pela D200 até apanharmos um troço da auto-estrada 0-6 que liga à ponte suspensa sobre este estreito de Dardanelos é a ponte Çanakkale 1915 (ou 1915 Çanakkale Köprüsü), a ponte suspensa mais longa do mundo, inaugurada em 18 de Marco de 2022. Tem 2023 metros de vão principal e um comprimento total de 4600 metros que liga a Europa à Ásia. O nome desta ponte é uma homenagem à vitória naval otomana na primeira guerra mundial e a extensão de 2023 metros simboliza o centenário da República Turca. Quando íamos já sobre a ponte comentou-se que deveria ser do tamanho da nossa, mas eu achei que não, pois o tempo que aviamos já percorrido para o que faltava esta seria superior. Perante tal palratório passo agora a descrever alguns dados da nossa, esta tem 2277 metros de comprimento com um vão de 1013 metros. Neste momento a nossa ponte Salazar é a 33ª maior ponte suspensa do mundo. Terminada a travessia levamos com um bilhete da portagem o Carlos diz ter pago 20€, sei que eu o Claúdio, possivelmente pagamos mais qualquer coisa, não me recordo desse valor. Resumindo foi muito caro. Assim que atravessamos os acessos à ponte num desvio da auto-estrada, saímos e imediatamente entramos na D550, porque podem aparecer outras portagens desnecessárias e caras. Seguimos em direcção da fronteira Turca com a Grécia e vamos ver se não perdemos tempo com as peripécias fronteiriças, algumas vezes chatas e sem pressas para despacharem seja quem for. Aproveitamos e atestamos as viaturas com 44,77 litros a 54.73 liras turcas o equivalente do litro a 1,20€. Antes da fronteira fomos almoçar num restaurante de um centro comercial onde comemos umas refeições de comida turca, como estamos quase a sair deste país, é uma razão pelo menos de comermos mais um dos pratos desta nacionalidade.
Aconteceu de quando estávamos a digerir as nossas refeições desencadeou-se uma discussão entre uma empregada do restaurante e uma cliente, quando demos por conta já não eram duas pessoas, mas, mais umas quantas, empurrões de ambas as partes em que uma delas insistiu que foi agredida, mais confusão em que aparecem outros e mais outros amigos ou conhecidos de ambos, um autêntico pandemónio. O Capataz de uma das partes, sim este um valente, deu um grito e catrapumba um murro em cima de uma das mesas e partiu eufórico para uma possível agressão. Não passou disso outros otomanos o agarraram e fim desta incursão. Por fim as coisas acalmaram-se e termo de uma cena tipo Far West finalizada. As nossas madames ficaram amedrontadas com o que se estava a passar, tanto que até se levantaram das mesas, eu que presenciei a cena na totalidade, continuei a comer e a beber como se nada se passasse e isto foi mesmo ao nosso lado, não foi do noutro lado, sim mesmo ao lado de nós. Entretanto o Carlos afirma que pegou numa cadeira, acho que se pegou numa cadeira era para se sentar, ou também do nosso lado havia um gringo, olá! A modéstia zaragata entre otomanos já tinha findado com o desertar dos mais ferozes que eram apenas barulhentos. Aproveitamos mais uma vez e por estarmos dentro de um centro comercial, fomos fazer as compras de coisas para comer mais as guloseimas de sempre, gelados do Dubai. Eu aproveitei e comprei mais uma garrafa de vinho tinto desta vez Italiano e uma garrafa de um branco doce para as senhoras. Não esquecer tanto o Carlos como a Júlia não ingerem bebidas alcoólicas de qualidade, apenas uma cervejinha e ice tea, coisas finas. Tratadinhos e aí vamos a caminho da fronteira que se encontra já perto. Chegámos e não vimos grande trânsito, vai ser rápido, mas sucedeu que não foi assim tão rápido como calculámos, ainda demorou o seu tempo. Trâmites fronteiriços concluídos e lá vamos, mas com uma inclusão o Carlos ficou retido, algo se passa, então, não deixam passar o Turco! Pois o atraso deveu-se ao facto de ter feito um penalti no trânsito e só o deixam sair se pagar a condenação. Esta multa deve ser por ter passado algum vermelho como se tornou hábito dele, quer mudar de clube e não sabe como, mas desta forma, já é um começo. O menino Carlos desembolsou 1700 liras turcas, equivalente a 38€, vá lá, podia ser pior. Na volta ainda tinha mais multas que naquela altura ainda não tinham sido processadas informaticamente.
Não perde pela demora, porque quando voltar novamente os Turcos não se vão esquecer dele. Sigamos viagem, agora a pisar território grego. Havíamos andado poucos quilómetros e digo à boca cheia; malta mais me parece estar em Portugal, porque as estradas e prédios em mau estado aqui na Grécia é mato. É verdade, algo de mal continua neste país. A nossa paragem final irá ser em Alexandrópolis em grego (Aλɛξαvδpoúττoλɳ). Chegados a esta cidade ficamos de veramente tristes o parque nomeado está completamente lotado o mesmo se passa com outros nos arredores, assim, resolvemos andar para a frente com a indicação de um funcionário deste parque em Alexandrópolis que teríamos camping na localidade que nos indicou, mas são ainda alguns bons quilómetros até chegarmos a ele. Porém o Carlos ficou deveras aborrecido connosco porque queria visitar esta cidade, ele tinha a certeza de que; (é uma cidade com mais de 3 mil anos de história, mandada construir por Alexandre o Grande, um farol, um porto cheio de história, uma igreja bizantina umas pontes e mais porcarias, sem interesse nenhum). São palavras do Carlos.
O Cláudio depois de ouvir mais argumentos e desejos, sim do Carlos, resolveu voltar atrás e dar uma volta pela zona ribeirinha onde podemos admirar o farol, um pouco ao longe o Porto e sim muitas esplanadas e parques de estacionamento cheios, mas por causa de ser uma terra balnear para as férias de Verão, acho que mais nada vimos. Agora para, principalmente para o Carlos vou deixar aqui poucas linhas da história desta cidade.
  • Com a derrota da Bulgária na primeira Guerra Mundial a cidade ficou sob o controlo grego pela segunda vez. Em 1920 a cidade foi renomeada para homenagear o rei da Grécia, Alexandre. Com o tratado de Lausanne em 1923, Alexandrópolis tornou-se oficialmente grega. E repito em 1920, após uma visita do rei da Grécia Alexandre I, as autoridades locais decidiram renomear a cidade como Alexandrópolis em sua homenagem. O pedido foi amplamente aprovado pelo governo central grego, sendo que o nome é usado até aos dias actuais. Eu na altura ainda argumentei, pois já sabia muitas coisas relativamente à 1ª e 2ª guerra mundial, como às guerras Púnicas, Peloponeso e Otomanas, mas faltava-me alguns argumentos como este que já sabia algumas coisas, mas. Ponto final sobre esta cidade.
Vamos retomar a nossa viagem mais encostada à orla marítima, mas tantas as vezes que somos empurrados mais para o interior, pois existem percursos que as vias são delimitadas em prosseguirmos. Por fim aí estamos às portas do camping para hoje é ele; Camping Natura em Mandras Beach, Avdira Xanthi 67061, Ainda tivemos tempo de ir até à praia que a achamos maravilhosa a água excepcional e o local extraordinário. Fizemos mais uma vez um excelente jantar, qualquer coisa parecida como rojões à minhota, com boa cerveja fresquíssima Super Bock e cerveja turca Efes e Ice tea para a Júlia.

14-Julho – Paralia Mandras (0km) Grécia

Antes que seja tarde. O termo “Paralia” significa praia em grego.
São 7h30 da manhã, já está um calor do caraças, postigos, janelas, clarabóias, tudo aberto. Os nossos amigos, dormem que nem ratazanas e vão passar mais algum tempo a estoirar tempo, vão estar anos e anos a dormir na penumbra da morte.
Eu por vezes e já não é a primeira vez que digo o sono é o outro lado da vida, ou seja, a morte, sendo que quando morremos nunca mais vamos acordar e é esse o sentimento que tenho da morte, nunca mais acordarei e nem saberei mais nada do cosmos. Aí está o descanso, ninguém quer morrer. Por isso o dormir é um descanso, mas a vida é tão curta. Pronto, já vi que não querem acordar. Nós os mais velhos vamos até à praia que nos vai fazer despertar do silêncio em que se encontra o nosso acampamento aqui na Grécia. Sim, mas esta gente vem aqui para a Grécia para dormir. Vamos lá a água está extraordinariamente morna, ondulação inexistente, podemos caminhar para o largo que a água nos dá pelos joelhos. A coloração desta é luzidia, parece a água das Caraíbas. Estivemos na água cerca de uma hora para de seguida virmos até à areia e fazermos um percurso pela praia até uma das bandas. Voltamos e os nossos amigos nem sinal de vida. Voltamos para a água para mais umas banhocas, até que cerca das 10h00, até era mais tarde, não os quero envergonhar. Olhamos e vimos três dinossauros lá ao longe, faltava um.
Chegaram com cara de poucos amigos e vieram também molhar as misérias. Ficamos ali a falar, depois fomos para a areia espojarmos e apanhar sol nas varetas. Foi assim o que se passou nesta manhã e à tarde repetimos as mesmas doses, de areia, água e vice-versa. Um dia maravilhoso em que resolvemos ficar por aqui mais um dia ou dois, iremos ver como as coisas decorrem. Alguém falou que temos de controlar o tempo de retorno. Mas ainda temos tantos dias que podemos estar à vontade ou vontadinha como quiserem, verdade ainda temos 23 dias, estão assim com tanta pressa! No final do dia o desejado jantar com vinho grego, cerveja e o chiripiti do costume, já noite dentro a hora de dormir com o calor do costume.

15-Julho – Paralia Mandras (0km) Grécia

Estamos todos maravilhados com esta beira-mar, confirma-se, vamos ficar aqui hoje e amanhã partiremos para outras bandas. O programa está estabelecido; praia, mais praia, porque nas redondezas mais próximas não temos nada de fácil acesso. Ficámos várias horas dentro de água, nota-se bem a temperatura a que se encontra esta água e a vontade de sair dela é pouca ou nenhuma. Nesta altura do ano não estão assim tantas pessoas por aqui, tanto que o areal é imenso as condições do parque são excelentes não compreendemos, entretanto sabemos que há praias em tudo que é sítio nesta Grécia. Também, esta praia está localizada numa zona em que as vilas e aldeias se situam distantes poderá ser esta a principal justificação. Por aqui existem algumas vivendas, são poucas e muito dispersas. Vou aproveitar para falar um pouco deste país.
Grécia, oficialmente a República Helénica. De acordo com os censos de 2011 tinha uma população de 11 milhões de habitantes e reparem em 2024 a população baixou para os 10,678 milhões. A Grécia moderna tem suas raízes na civilização da Grécia Antiga, considerada o berço da toda a civilização ocidental. Como tal é o local de origem da democracia da filosofia ocidental. Todos sabem que a capital é Atenas em que vamos passar por lá dentro de dias. Tem cerca de 1400 ilhas das quais 227 são habitadas. Oitenta por cento do país é composto por montanhas, das quais o Monte Olimpo é a mais alta com 2917 metros de altitude. Existem 17 locais considerados pela Unesco como património Mundial. Para finalizar foco uns pormenores interessantes, todos nós vamos ficar a saber em relação ao ano de 2010 a Grécia foi o maior produtor europeu de algodão e pistachos, ficou no 2º lugar na produção de arroz e azeitonas, 3º figos, amêndoas, tomates e melancias e 4º em tabaco, quem diria, ok já se passaram muitos anos, mas.
O prato mais conhecido é a Moussaka, um prato de assado em camadas de beringela e carne não é prato que me dê interesse. Então o nosso cozido à portuguesa não é verdadeiramente muito melhor? Mas, no entanto, gosto muito da salada grega, verdade! Sucede que os gregos são muito porcos na confecção das refeições. Há anos entrei em duas cozinhas de restaurantes e vi as panelas com uma camada gordurosa, negra a envolvê-las, esta gordura passava para o interior delas, sim bem nojentas. Em determinado momento presenciamos uma quantidade de Fiat 126 com matrícula polaca que se encontravam estacionados num parque ao lado do parque de campismo, com certeza uma viagem por estes lados de polacos a conduzirem estas potentes máquinas do século passado, mas sei mais, alguma coisa deste modelo de carro que: O Fiat 126 foi produzido em Itália, sua apresentação foi no ano de 1972 no salão automóvel de Turim, A sua produção efectuou-se durante muitos anos entre 1973 e 2000.
Entretanto sua comercialização na Europa Ocidental findou em 1991, prosseguindo a produção e as vendas no mercado polonês até o ano de 2000, no entanto a fábrica na Polónia já produzia este carro desde 1973.
Com certeza é esta a razão principal dos Poloneses fazerem esta digressão por estas terras. Será que vão até ao Iraque? Não vão ter problemas, não gastam AdBlue. O dia está, no entanto, a findar aqui em Paralia Mandras, estivemos muitas horas a banhar-nos dentro desta água luzidia e quentinha, afastados uma centena de metros do areal, isto mais parece uma piscina do que praia porque a água está estática. O calor não nos larga, durante o dia é excepcionalmente agradável, pela noite incomodativo. Já noite, confeccionamos o jantar, uma grande feijoada em que todos colaboramos para a sua preparação, regado com uma boa pinga cá da terra, sim um “tinto de Creta” de boa qualidade. Podemos dizer que foi mais um dia de festa na Grécia.

16-Julho – Paralia Mandras – Paralia (363km) Grécia

Depois de dois dias e três noites neste lugar, é com saudade a nossa partida. O lugar foi maravilhoso e tudo o que usufruímos, cinco estrelas, mais uma lua e um sol, que mais podíamos desejar! Veio a hora da partida, tiramos a última fotografia que dá acesso à praia e aí vamos rua abaixo em direcção a Tessalónica uma cidade portuária neste mar Egeu, onde grande parte do centro foi destruída no incêndio de Tessalónica em 1917.
Passados 70 quilómetros e chegámos à cidade de Cavala situada na Macedónia Oriental e na Trácia, mais outra cidade muito antiga fundada no final do século VII a.C. por colonos Thassos. Aqui existe um aqueduto que tem estrutura histórica com origens romanas, mas foi significativamente restaurado pelos Otomanos no século XVI. Ultrapassamos esta cidade e continuamos na nacional 2 que nos mantem durante muito tempo junto ao mar, em que obtivemos paisagens excelentes até Vrasna para aí entrarmos mais para o interior. Mais adiante barrámos no lago Volvi, mais adiante outro lago o Koroneia e finalmente em Tessalónica, depois de termos andado 271 quilómetros é obra, sem pressas e termos parado pelo caminho para almoçar. Fizemos umas voltas pela cidade em que estacionamos numa artéria junto à Torre Branca, não é um local apropriado para estacionamento, porém arriscamos e fomos dar umas voltas por ali.
No cais observamos uma replica de uma caravela dos tempos dos descobrimentos, conhecida como “Arabella” é uma atracção notável nesta cidade, como um barco histórico de pirataria. Foi construída em 1935, e sobreviveu à segunda guerra mundial. Mais umas quantas voltas em que resolvemos partir, sim, por nestas bandas não topámos local onde arriscássemos ficar durante a noite. A Cândida esteve a circunscrever locais onde lográssemos pernoitar e obteve uns quantos, um pouco mais abaixo. Seguimos para a nacional 2 e mais alguns quilómetros percorridos para ingressarmos na nacional 1, no seguimento percorrermos uma estrada secundária a rodear zonas balneares onde o movimento de trânsito torna-se complexo com muitos carros, muitas vilas apenhadas de pessoas, bairros e estâncias balneares, imensas, sim trânsito lento.
Entramos em Paralia, onde existe uma praia imensa e apinhada também de gente. Íamos na rua principal em que o Cláudio seguia na minha frente na fila de trânsito, eis que um carro passa por mim com uma manobra de merda, quase a raspar-me a frente, manobra de um tosco que queria passar para o meio de nós, não conseguiu, pois eu ando sempre o mais perto do Cláudio e ainda mais nos locais onde o trânsito é inúmero mais perto fico dele, este foi-se meter à força à frente do Cláudio com outra manobra de traste, o Cláudio não queria que ele entrasse daquela forma e encostou-se ao Grego, este ficou furioso e saiu do carro armado em gringo, sim queria fazer merda.


Deu discussão de ambas as partes em que a Cândida ficou nervosa, mas na realidade o grego não tinha actuado correctamente, porque antes, quando passou por mim já havia feito borrada. Ânimos repostos, todos arrancámos, até existia uma segunda viatura grega que estava parada ao meu lado um pouco à frente que era afecto ao grego estúpido, olhou para mim com cara de poucos amigos.


Mais nada para contar e seguimos, mais um vira à direita, em frente, viramos à esquerda e seguimos em frente, vamos tentar agora encontrar parque de camping ou onde pernoitar, mais voltas e ao passarmos por um parque de estacionamento bem grande com algumas árvores e no meio de prédios habitacionais e muitos lugares vagos parámos, colocamos os carros da melhor forma que raciocinamos. Dali a pouco saímos, fomos para o centro da vila dar umas voltas a pé, em que as senhoras compraram os desejados magnéticos e mais tarecada.
Aproximou-se a hora de jantar, estivemos a ver qual o restaurante que nos contentasse. Optamos pelo restaurante Poseidoneion fish taverna - grill em Agiou Nikolaou, 41 Paralia 601 00, mas que grande escolha esta, todos ficámos satisfeitos com o serviço, local, atendimentos e rações escolhidas, peixinho para toda a comandita e não podia faltar o quê? O docinho. Indico a posição onde pernoitamos, ou seja, onde se encontraram as viaturas estacionadas 40°15’56.3” N 22°35’35.4” E.

17-Julho – Paralia – Meteora (243km) Grécia

Encontramo-nos prontos para iniciarmos outra etapa por esta Grécia que tantos factos nos tem para divulgar. Entretanto partimos, percorrendo mais um pedaço da costa deste Golfo Termaico abarcado neste mar Egeu. A existência de praias é enorme, qualquer delas, quanto contribuem para o prodígio da natureza.
Estão nesta 5ª feira repletas de multidão com uma elevada temperatura de 42° e nós aqui dentro a percorrer quilómetros. O Cláudio e Cândida estão a ser imolados, o ar condicionado deles teima em não trabalhar depois de uma série de tentativas que já tiveram desde carregar novamente com gás e sei lá mais o quê. Sim, não é nada agradável esta situação, vão com as janelas totalmente abertas e o Cláudio para minimizar um pouco esse calor, vai conduzindo em cuecas, pois em cuecas. Cruzamos há pouco a praia de Gritsa mais adiante a praia de Skotina para seguirmos outra vez pela nacional 1 e entrarmos para o interior.
























Praticamente a meio do trajecto cruzamos Larissa, sendo esta uma cidade histórica da região de Tessália. É um território com muitos pontos turísticos e contendo muitas paisagens pitorescas. Continuámos em zonas montanhosas, não sendo a Grécia montanhosa! São montanhas por tudo quanto é sítio.


Vamos passar a todo o momento por Trícala, já muito perto do final do trajecto de hoje que é Meteora. Já pertíssimo iniciamos a soberba subida para nos aproximarmos dos mosteiros, conseguimos com dificuldade estacionamento, fizemos antes uma pequena subida onde deixamos as nossas madames para depois, sim, estacionarmos.
O primeiro destes mosteiros que fomos visitar hoje foi o de São Varlaam que é um mosteiro ortodoxo oriental. Está situado no topo de um precipício rochoso que fica a 373 metros acima do fundo do vale. Foi fundado em 1517. Existe uma caverna a que chamam a “Caverna do Dragão” que se encontra localizada do lado sul, abaixo do mosteiro. Não a visitamos e a razão é bem simples; Caberna do Dragom, não, cheira logo a tripeiros e connosco temos um fervoroso adepto daquele clube nortenho. Tivemos medo sim, pois claro. Ainda tivemos tempo para dar outras voltas ao longo das estradas que rodeiam mais mosteiros deste tipo, um deles que chegámos, poucos minutos depois de este ter encerrado, por hoje as visitas.




Estamos rodeados de sítios incríveis e inesquecíveis. Descemos destas montanhas encantadoras para nos refugiarmos no parque de campismo escolhido para hoje que é: Camping Meteora Garden – (9.708886, 21.609055 ou 39°42’31” N 21°36’34” E) no 1º km da estrada nacional Kalampaka-Ioannina 422 00 Kastraki. Quando chegámos a este parque os nossos amigos foram para a piscina lavar as intimidades encaloradas.

18-Julho – Meteora – Atenas (355km) – Grécia

O que se passa hoje, pouco mais do que ontem. Iremos continuar a desbravar outros locais e mosteiros de Meteora, não os vamos ver todos, isso seria agradável, um pouco dispendioso, quanto ao tempo e ao dinheiro.


Vamos visitar mais um mosteiro, um quanto dissemelhante do de ontem, mas lembrei-me de uma frase que já li em algum lugar em que alguém dizia que os eremitas ortodoxos eram parecidos com cabras montanhesas, pois construíam templos e igrejas em lugares que nos questionamos, como era complicadíssimo a construção de mosteiros em cima de penhascos e como levavam para lá todos os materiais de construção. E mais tarde os acessos a esses locais eram problemáticos. E acidentes, quantos não houve no decorrer de séculos! Aqui estavam longe da civilização e iriam viver no isolamento e na solidão. No meu parecer eram também, quase de certeza pessoas presunçosas.
Aqui em Meteora chegaram a haver 24 mosteiros, seis dos quais continuam activos até esta data. Mas nesta data os eremitas não tiveram evolução porque o caso das mulheres para entrarem nestes mosteiros tem de usar saias, não lhes é permitido entrarem de calças, calções e muito menos de mini-saias, esqueceram-se da evolução dos tempos. Será que estes gajos não usam telemóvel ou vêm televisão. Ah, as mulheres para eles devem ser sagradas e deverão-se manter-se tapadas, escondidas, será esta a razão, têm-se de esconder tudo que seja mulher, por causa do pecado de Adão e Eva. Não lhes podemos ver as pernas, nem as ancas e por pouco a cara teria de ficar totalmente encoberta, estes têm um pouco a ver com os actuais talibãs. O mosteiro que designamos para hoje é o Mosteiro Megalos Meteoros, sendo este o mais antigo e como outros tantos tem uma vista espectacular.


A escadaria de acesso é difícil para a Sofia em que o coração fica acelerado, vai ter de fazer umas quantas paragens para escalar todos os degraus que lhes vão surgir, mas vai conseguir. Como tive de ir estacionar a viatura um pouco longe do acesso a este mosteiro a Sofia e a Júlia ficaram na entrada do mosteiro, já vi ao longe que se encontram a escalar uma parte das escadas. Nesta altura consigo ver que ambas, já estão muito lá para cima e daqui a pouco já nos reencontramos. Grupo já refeito para percorrermos o mais que logremos. Assim sucedeu, desde locais de oração, salas, quartos, agora lojas de exposição, oficinas de carpintaria e de ferreiro, adegas e mais manufactos espalhados ao longo da rota visitada.






















Foi uma visita que provavelmente estivemos mais de 1h30, ficamos contentíssimos, valeu a pena e recomendámos. Partimos em direcção de Atenas em que mais uma vez o Cláudio foi a uma oficina repor o ar condicionado, ficou um pouco melhor, mas vejo na cara dele que não ficou totalmente satisfeito. Encontrámo-nos a circular na nacional 6, circundámos Trikala, mais umas dezenas de quilómetros chegámos a Carditsa.

Um pouco adiante o almoço e siga que se faz tarde. Continuámos a desbravar serras e vales, também atravessamos por muitas aldeias e vilas, em determinado momento transpomos um cruzamento que dava acesso ao Mosteiro de S. Lucas, até que, já perto da meta outra estrada que ia para o Porto de Pireu que é o principal porto de Atenas e o maior porto de passageiros da Europa. Com tudo isto entrámos em Atenas, logo nos dirigimos para o Remiza Parking, que é uma estação de recolha de autocarros, mas tem uma área para autocaravanas, cuja localização é: 37°59’47.3” N - 23°42’05.5” E., permanecemos praticamente à estrada num espaço sossegado.





Como somos umas baratas tontas, eis que soubemos onde apanhar o autocarro que nos leve para o centro da cidade, é uma estação central donde partem centenas desses veículos, fica pertíssimo de onde nos encontramos, um pequeno percurso a pé e logo chegámos e rapidamente apanhámos o autocarro. No centro, começamos as nossas voltas, ainda deu para ver uma cena da polícia com um sujeito que possivelmente estava a suplantar a Lei, foi algemado e colocado num recanto. Seguimos rua abaixo com muita gente no passeio ao fim do dia.

Também a fome veio ter connosco, não fomos de meias-medidas e entrámos num restaurante onde servem apenas comida grega, nada de outras coisas, foi ele o “Ella Athens” localizado em Mitropóleos 26, Athens 10563. Mais outra aposta bem-sucedida, ficamos satisfeitos com tudo o que saboreamos. Finalizada tão árdua tarefa, tivemos de regressar ao nosso ninho ambulante, ou seja, o nosso hotel de 5 estrelas em Atenas.

19-Julho – Atenas (0km) – Grécia

Já fazia parte do programa que deveríamos permanecer mais um dia em Atenas, mesmo assim não vamos ficar a conhecer nem metade dos prontos de interesse. A primeira paragem é a Acrópole.


Alguns de nós já lá estivemos há vários anos, mas não se perde nada de a revisitar outra vez. Bilhetes adquiridos e tivemos logo um contratempo. Devido à enchente de visitas nesta altura, existe marcação de hora para se poder entrar. Vamos ter de dar umas voltas, deitar tempo fora, pois só daqui a 2h30 é que vamos entrar. Aproveito para referir temas deste local; o significado da Acrópole de Atenas é tal que é comumente conhecida como “A Acrópole”, sem qualificação. A Acrópole era literalmente a “cidade alta”. sim existem tantas outras acrópoles na Grécia. Esta foi construída por volta de 450 a.C. sob a administração do célebre estadista Péricles. A maioria das pessoas estão equivocadas quando visitam este local e chamam ao edifício que está bem do cimo de Acrópole, mas na realidade ele é chamado de Partenon.



Quero com isto dizer que a maior parte das estruturas da Acrópole de Atenas estão em ruínas; entre as que ainda estão de pé, são o Propileu, o portal para a parte sagrada da Acrópole o Partenon, templo principal de Atenas o Erectéion, templo dos deuses do campo e o Templo de Atena Nice, símbolo da harmonia da antiga cidade-estado de Atenas. Os restantes edifícios estão completamente escavados o que acontece com a maioria dos monumentos e locais de história da Grécia, ou seja, um amontoado de pedregulhos. Por agora, já chega de falar desta pedreira. Tivemos de dar uma volta nos arredores deste complexo e um dos locais onde estagnamos foi no Arco de Adriano, aí presenciamos dois carteiristas actuar em liberdade, notava-se logo que estavam ali para roubar os turistas.

A polícia encontrava-se ali bem perto, mas nada de intervirem, já nos parece a polícia em Portugal, andaram na mesma escola e os mesmos professoras da Comunidade Europeia. O tempo foi-se passando, resolvemos então de ir para a porta de entrada, ainda demoramos mais algum tempo no trajecto feito calmamente, quando chegámos já pouca gente estava por ali. Apercebemos que naquela altura a hora de entrada estava totalmente abolida, as pessoas iam chegando e ingressando ao mesmo tempo, já não há filas de espera. Tudo feito atabalhoadamente é o mais comum nesta europa, completamente cedida aos incompetentes. A entrada foi antecipada uns 20 minutos.
























Iniciamos a subida abrupta por carreiros, escarpas e amontado de pedras para aproximamos do Partenon, este continua em restauro por mais umas centenas de anos, sim outro grande negócio dos arqueólogos, para eles e gerações familiares advindas. Fizemos umas voltas de apreciação. Aqui no alto temos vistas excelentes sobre a cidade e podemos olhar e ver outras construções históricas e amontoado de pedras.

O calor aperta e o cansaço de termos estado à espera, não ajuda. Seguidamente começamos a descer e olhar para outras ruínas. Finalizado este percurso, logo partimos para outro.

Quando chegámos a uma zona comercial tivemos de almoçar, já era tarde de mais e para alguns a fome nesta altura aperta e têm de se alimentar. Após tão ilustre acto apanhamos o metro para dar seguimento a outra passeata, andamos no centro visitamos também ruas da baixa de Atenas, muitas outras coisas fizemos, até ainda deu para a Cândida, Claúdio e Júlia comprarem roupas do Ard Rock. Com tudo isto a noite chegou e como ainda não havia fome, claro o almoço foi muito tarde, fomos todos a uma gelataria comer gelados gregos, olhem que não são turcos, são mesmo gregos. O dia acabou com o regresso à nossa residencial de Atenas. Um à parte, só para contextualizar: Quando estivemos da outra vez aqui em Atenas vimos mais, quantidade de memórias nos passaram ao lado como monumentos tão próximos de nós e não só. Sem dúvida o calor excessivo quebrou-nos bastante.

20-Julho – Atenas – Mytikas (318km) Grécia

Encetamos a nossa abalada de Atenas, não é que não quiséssemos ficar mais algum tempo, mas há elementos do grupo que têm datas específicas para estarem em casa. Ainda temos numerosas factos pela frente para conhecer e abundantes quilómetros para desbravar.

Trespassamos uma parte oeste da cidade onde a porção do trânsito era intenso neste domingo escaldante de Julho. Rapidamente apanhámos a estrada em direcção a Corinto e passámos a circular junto ao golfo de Sarónico para chegámos ao canal que ambicionávamos contemplar. Este com um comprimento de 6,3km, foi construído entre os anos de 1881 e 1893, para sua travessia de barcos pequenos, evitando que estes percorressem cerca de 700 quilómetros em torno do Peloponeso.
Porém por ter 21 metros de largura é muito estreito para cargueiros internacionais. É actualmente utilizado somente para passagem de barcos turísticos. Note-se que a primeira tentativa de ser feito um canal nesta região vem do ano 67 em que o imperador Romano Nero, ordenou a seis mil escravos de escavarem com pás um canal. No ano seguinte Nero foi para o caralho. O seu sucessor abandonou o projecto por ser caro demais. Acho que o problema não era do preço, contudo o que faltava eram escravos, com asseveração de mais úteis nas conquistas romanas que se adivinhavam. Estacionámos as nossas quadrigas e transpusemos a travessia a pé para lá e depois para cá, onde tiramos as tão desejadas fotos, como não poderiam faltar os ímanes das senhoras. Surgiu a passagem de um barquito e os saltos de Bungee Jumping desta ponte, faziam parte do programa para nós, não! Aconteceu. Retornámos às viaturas para continuarmos o trajecto calendarizado, mais outra longa distância a percorrer para atingirmos Rio e atravessarmos a ponte para Antirio que atravessa o golfo de Corinto perto de Patras, ligando a cidade de Rio no Peloponeso até à cidade de Antirio na Grécia continental.

Esta ponte é a segunda maior ponte estaiada do mundo, tem um comprimento de 2880 metros, foi inaugurada em 2004. Ultrapassamos esta ponte enorme e vistosa para seguirmos pela nacional 5 que tantas vezes se cruza com a auto-estrada 5 e muitos quilómetros são paralelamente. Muitas vezes temos ambulado por imensas montanhas e momentos adiante, um rebanho de cabras passeava-se na estrada e algumas penduradas nos penhascos adjacentes. Tivemos de reduzir a marcha e com todos os cuidados passámos por entre algumas. Estas já estão mais do que habituadas ao tráfego automóvel, porque não se espantaram quando as cruzamos.











































Faltavam 40 quilómetros quando estrámos noutra zona montanhosa com imensas curvas, cotovelos e contracurvas seguidas, numa encruzilhada de montanhas que fazem com que a estrada seja assim, ultrapassada esta zona, deparámos com sítios onde as praias são praticamente juntas, apenas com alguns penhascos, separarem-nas. Sim, chegámos ao nosso habitat para hoje que será no Camping Alyzia em MXFG+9V Paliovarka. Reparámos que é mais um lugar agradável onde iremos ficar mais um dia para descanso e laser dos guerreiros e nos banharmos nestas águas cristalinas da Grécia.

21-Julho – Mytikas (0km) Grécia

Um dia na praia. Mais parece o título de um livro ou de um filme. Na verdade, é de 6 personagens ou prendados que já estão a viajar há 45 dias no planeta Terra. O deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. O crescer para nós já vai longe. O dá saúde, isso sim, vamos precisar para sempre. Esta é a praia de Mytikas, com uma pequena vila ou lugarejo do mesmo nome, localizada na região de Epiro, perto de Preveza na região da Etólia, defronte à ilha de Kalamos.
Esta é falada pelas suas águas cristalinas e paisagens naturais, sendo um local popular para nadar, apanhar sol e desfrutar de um ambiente tranquilo, sem dúvida o que nós estamos a precisar, ontem quando aqui chegámos fizemos o trajecto por uma estrada estreita em terra batida ao longo desta praia, parecia que nunca mais chegávamos ao dito parque de campismo, também nos apercebemos que este lugarejo possui duas praias, uma de cada lado do porto de pesca. Como já é natural, somos os primeiros acordar, os primeiros a irmos para a rua e sempre os primeiros a caminharmos para a praia onde já temos os nossos lugares reservadíssimos, até o suporte para colocarmos o chapéu de sol já existe, pois vão dizer que esse suporte é de alguém cá da terra, mas agora é nosso. Ontem uns dos vizinhos da praia olhavam para nós com desprezo ao verem que nós estávamos a utilizar um objecto inadvertidamente que é dos amigos ou conhecidos, deles. Coisas de Gregos, Troianos ou Espartanos. Mas eles não sabem que nós somos de uma raça muito superior “marinheiros que desbravaram o mundo”, e que não navegámos para a Grécia porque os gregos não tinham nem nunca tiveram nada de jeito, caso contrário eles iam-se ver gregos para aqui estarem, mas isso é outra música.
Coitadinhos de nós aqui sozinhos os dois, desamparados, tristes a morrermos de calor e os nossos contemporâneos ainda a virarem-se para o outro lado. Uns, quando se levantarem têm a obrigação de tomarem o pequeno-almoço os outros não tomam o pequeno-almoço, mais parecem que estão em lua de mel. Vamos de vez enquanto e de quanto em vez, molhar os calcanhares, depois os tornozelos e por fim os calções. Uma praia com características excelentes e não se vê assim tanta gente por aqui. Será que estão a trabalhar ainda para reporem os valores gastos inadvertidamente antes da troika cá chegar, possivelmente será esta a razão, caso contrário são, uns calinas como os nossos amigos, ainda na caminha. A meio da manhã aparecem os ditos cujos, mais parecem que vão para e festa, só lhes faltava aparecerem aqui de fato e gravata as meninas com casaco de peles de vison e sapatos de salto-alto, devidamente maquilhadas e perfumadas. Estou a brincar, mas seria muito engraçado estas personagens virem assim para a praia e toda a gente, mas toda a gente aqui na praia saber que eram originalmente portugas. O que eu me ria. Ok. Agora já se encontra toda a matilha a espojarem-se; sol na moleirinha, perninha e peitinho.
Também foram tomar a banhoca, não digo da manhã, porque a esta hora não lhe poderei chamar manhã, sim meio-dia em que a hora do almoço está a recair para mim e Sofia, pois há muitas semanas que deixámos de tomar o pequeno-almoço o mesmo se passa com o Cláudio e Cândida. Isto acontece porque dias de descanso como estes que temos passado, chegaríamos a casa com um lote de quilos a mais. Todos vemos o que está a acontecer com o Cláudio não se percebe, está inchado, gordo, será mesmo. Não é do ar que respira. Será dos docinhos e geladinhos que vai comendo, nota-se que está a caminhar para a pernada da engorda.

Na verdade, só vivemos uma vez, temos de aproveitar tudo que haja de bom. O Carlos como nós sabemos, de maneira alguma pode fazer este jejum. Mas a Júlia que anda sempre com as suas dietas, mais o tratamento do Póvoas, não se retrai e come tudo, tudo, tudo, não, carnunga, gelados que ela dizia que não gostava, agora come às carradas. Cuidado menina Júlia, assim não. Tanta palestra, mas chegou a altura da refeição. Foi pena não termos comprado algum peixe ou marisco quando aqui passou uma carrinha que vendia esses artigos que eu vi que eram frescos e tinham aspecto de boa qualidade, porque agora seria proveitoso para o almoço ou jantar deste dia. O que se passou de tarde, foi tudo do mesmo. Areia, água. Água areia, sol da peneira, conversa da treta, molhar os calções e o por do sol. Na realidade foi um dia proveitoso e agradável com uma temperatura de fazer inveja e com um sol radiante. Estamos quase a finalizar a viagem que levámos até à Grécia, amanhã será o último dia da nossa permanência.

22-Julho – Mytikas – Durrês (434km) Albânia

A nossa saída do camping efectuou-se por outro caminho que não o da chegada, assim já não houvemos de andar em terra batida e mantivemo-nos durante muito tempo numa via o mais junto da orla marítima, conforme a ideia do Carlos, porém nem sempre foi oportuno tal compromisso, existem zonas em que a estrada se afasta imenso da bordadura marítima e vai embrenhar-se nas montanhas.



Mais adiante voltamos a estar perto do mar e das ilhas Jónicas, ficando à nossa direita também uma lagoa formada por este mar. Havíamos percorrido 65 quilómetros quando rondamos o local arqueológico de Nicópolis, cujo nome significa “cidade da vitória ou cidade vitoriosa”, foi uma cidade da Acarnânia fundada pelo imperador Augusto após sua vitória sobre Marco António. No local onde ele havia acampado antes da batalha de Áccio, esta também foi a capital da província romana de Epirus Vetus.
Há imensos espaços arqueológicos existentes nesta Grécia que não temos nem vamos ter tempo de fazer tantas paragens. Seguimos viagem em direcção à Albânia que vai ser o destino de hoje, mas até lá muitas coisas irão ocorrer. Passámos perto da cidade de Igoumenitsa, esta defronte à ilha grega de Corfu, já bem conhecida por nós, exceptuando o Cláudio e Cândida. Sucedeu quando desembarcarmos e embarcarmos nesta cidade vindos de Itália e ida para a mesma no ano de 1998, tinha o nosso Gonçalo nessa altura 15 anos. Torna-se engraçado relembrarmos neste momento o que já se passou há imensos anos em circunstâncias tão diferentes, saudades. Um pouco mais à frente em circunstâncias que em nada fazia prever na nossa viagem. Aconteceu que numa curva depois de ter ouvido um barrulho estranho de que algo aconteceu.
Claro, vazamento do meu pneu da frente do lado direito, este furou. Sei que não era local para parar, mas se prosseguisse a condução o pneu ia-se desfazer completamente, ainda mais. Sabendo que esta viatura não tem pneu sobresselente. Rapidamente via rádio comuniquei aos outros expedicionários o sucedido. Acontece que este carro não tem o tal pneu sobresselente, também não deveria ter o macaco, chave de rodas e triângulo, foi logo o que me veio ao pensamento, ainda mais, que em lugar algum desta viatura vi tais adereços. Recorri aos outros elementos e rapidamente tudo se começou a resolver. No momento um carro passou por nós, viu o que estava a acontecer e informou que ali perto existia uma oficina para nos acudir. Pneu retirado e colocado no carro do Cláudio, lá vamos à procura da tal oficina, não foi à primeira tentativa, mas por fim descobrimos a oficina. Este o local exacto para remendar o dito.
Pneu devidamente reparado e retorno ao ponto do acidente para repor o malvado. Agora colocar o pneu, em que a tarefa foi concluída com precisão e rapidez, iniciámos a nossa marcha como nada tivesse acontecido. Finalmente chegámos à fronteira de Kakavië e iniciaremos o percurso, agora pela Albânia. Não tivemos necessidade de fazer qualquer seguro, assim tanto eu como o Carlos vamos circular neste país sem seguro das viaturas, não iremos ter problemas. O principal local com interesse surgiu em Gjirokastër, muitas casas tem um característico estilo, local, que fez que a cidade ganhasse o apelido da “cidade das pedras” porque a maior parte dos telhados das casas da cidade antiga são feitos de pedra. Já perto de Durrês conseguimos um local perto do mar onde iremos pernoitar.
Estamos a efectuar já o percurso de acesso ao parque e em determinada altura o Carlos distraidamente seguiu em frente no trajecto quando deveria virar à direita. Já havíamos entrado no camping de nome: Sunset Camping & Restaurant, situado em Golem, Kavaje 2504 em que o Carlos nem sinal de aparecer, tinha que fazer agora um percurso inverso de alguns quilómetros para se reintegrar. Este parque está bem localizado junto a uma praia com boa aparência, onde decidimos ficar mais um dia por aqui. Cá existe um restaurante onde fomos jantar e beneficiar de comermos algo albanês. Como recordação resolvi trazer um copo de licor, vazio, só uma lembrança Albanesa.




23-Julho – Durrês (0km) Albânia

Um dia passado na praia não será; mais do que uma terapia para os dias passados longe do mar! Não vamos ter o nosso oceano, mas um mar, o Adriático, este pacato e também convidativo a passarmos outro dia desta comprida viagem. Isto depois de uma noite de estrelas, eis que surge um dia com um sol radiante para nos convidar a sorrir e pormos de parte algo de carrancudo que nos possa adivinhar. Como é frequente, somos os primeiros a despertar nestas circunstâncias e esta situação surge porque os nossos companheiros, sabem que vão ter um dia de repouso pela frente e que há horas para absolutamente nada, razão de ficarem na cama mais algum tempo. E nós não estamos nas mesmas circunstâncias? Sim estamos, porém, o nosso relógio funciona com características desiguais. Primeiro não temos o hábito de dormir muito. Segundo caso, não gostamos de ficar na cama por muito tempo e terceiro o que estamos aqui a fazer. Por fim chega a razão de; porque não nos levantamos!
Final de retóricas e restituir um pouco da realidade de aqui permanecermos. Esta praia foi de caras seleccionada para nós, faz e vai fazer parte das muitas recordações que adquirimos este ano e relembraremos com melancolia o termos estado na Albânia. Desta maneira vou descrever alguns factos da existência deste país. A Albânia, está localizada na península dos Balcãs, sendo este um país pequeno com o seu litoral Adriático e Jónico e o interior cortado pelo Alpes Albaneses. Tem uma área de 28 748km2, uma população de 2 787 843 habitantes. Todos sabemos que foi durante muitas décadas um país fechado e com o medo de ser invadido. Na verdade, tinha razões para isso, porque no congresso de Berlim de 1877-1878, que veio a mudar a face da Europa, deu terras da Albânia ao vizinho Montenegro. Com o assentimento dos Turcos os Albaneses formaram uma liga contra a espoliação e as potências puseram navios no mar Adriático em apoio a Montenegro. Mais tarde as guerras dos Balcãs puseram em perigo o seu território que era cobiçado pelos seus vizinhos montenegrinos, sérvios e gregos. Nesta guerra o Kosovo que fazia parte do seu território deixou de o ser e ficou debaixo do poderio Sérvio. A fronteira com a Grécia foi determinada posteriormente. Também na primeira guerra mundial esta foi assediada por todos os lados, apesar de neutra esta foi ocupada pelos beligerantes até 1918.
A Itália investiu grandes capitais no país na altura da ditadura da Albânia em que financiou com empréstimos sucessivos, mas Mussolini resolveu intervir e invadiu este pequeno país. O ditador Zog, pirou-se e surgiu a coroa da Albânia com o Vítor Emanuel III, este rei da Itália. Noutro período mais tarde a política moldou-se de início à URSS a ponto de romper os seus laços com a Jugoslávia. Em 1961 no tempo de Khrushchev, rompia com os russos. A partir daí a Albânia seguiu a linha chinesa. Este país depois de tantas invasões sucede que em Setembro de 1982 as autoridades frustraram uma tentativa de invasão do país por um grupo de exilados albaneses. A democratização da Albânia começo em 1990, depois das ondas de mudança que varreram a união Soviética e os países da Europa Oriental. Em Abril de 2009 foi oficialmente reconhecida pelo EU como um candidato a se integrar depois de diversas averiguações que ainda hoje continuam, depois de tantas peripécias ultrapassadas e ainda existem algumas dificuldades à espera de obterem solução. De momento o turismo representa 10% do seu PIB. Também existem muitos castelos e sítios arqueológicos. Finalizado o sumário deste país passo a falar mais um pouco da nossa presença nesta praia.
Após as banhocas e do passeio até a um veleiro que se encontra encalhado há algum tempo na ponta da praia, mas ainda contém todos os haveres e extras, nada foi roubado. Pergunto se na costa portuguesa isto acontecesse já nada tinha, já tudo teria sido rapinado. Igualmente reparámos que uma fulana com boa apresentação a rondar os 30 anos tem um desempenho muito estranho em que levanta os braços, vai tomar banho completamente vestida, mas usando até uma saia relativamente curta e cara destapada. Faz trajectos a pé na praia e no final faz-nos parecer uma pessoa normalíssima. Há momentos esteve com ela um homem e uma criança que são de certeza marido e filho. Não conseguimos compreender que tipo de pessoa com apresentação é esta. Chegou a hora do almoço, resolvemos ir novamente ao restaurante deste parque de campismo, comemos mais outra vez refeições albanesas que são de qualidade e sabores distintos. O proprietário é um albanês que esteve emigrado em França, pessoa simpática e comunicativa. Seguidamente praia, tudo muito perto de nós, sim poucos metros. Como sempre o sol escalda-nos, água sem ondulação e sempre quente.
O parque está repleto de autocaravanistas, a maioria alemães, seguindo franceses, italianos, outros e nós portugueses. Finalizamos o dia com mais outro jantar tipo petisco de comida aportuguesada no restaurante “autocaravanas entre elas”, toldos abertos, mesas e cadeiras no meio delas. Ali mesmo ao lado da Júlia, excremento de canino qua a repugna. Começou o sol a pôr-se e as nossas conversas a findarem para seguidamente chegar a hora de repousar em terras albanesas. Esta foi uma excelente aposta em termos permanecido mais um dia na Albânia.

24-Julho – Durrês – Podgorica (258km) Montenegro

Dirigimo-nos até à cidade de Durrës que é a mais antiga e uma das mais importantes cidades da Albânia, circundada por excelentes praias e onde o turismo impera por aqui. Esta encontra-se apenas a 33 quilómetros da capital Tirana. Nesta cidade foi travada a batalha de Dirráquio a 10 de Julho do ano 48 a.C. entre as forças de Júlio Cesar e as de Pompeu. Pompeu derrotou César, mas não soube aproveitar a oportunidade de aniquilá-lo. Este fugiu e a 9 de Agosto do mesmo ano, derrotou completamente Pompeu na batalha de Farsalos. Era propósito nosso pararmos e dar um giro por aqui, porém foi tão difícil o estacionamento que acabamos por desistir.
























Seguimos por uma estrada quase paralela à costa, aqui ressaltou um sinal do meu GPS que informava não existir saída, porém os nossos parceiros na dianteira diziam que sim, desta maneira fomos andando, até que entrámos em caminhos ou sei lá o que lhes chamar junto à costa. De vez enquanto vemos uma vivenda ou restaurante no fundo da encosta e lá continuámos a passo de caracol, mais longe uma praia até engraçada no cavado da vertente, tanto mais que o caminho adelgaçava e mais umas curvas até que uma subida íngreme e com pouca aderência lá consegui passar com as rodas a patinarem, fui ateimando que não havia saída possível, via no GPS que teríamos de voltar atrás. Sei e sabem que a minha viatura e a do Carlos não é 4x4 ao contrário da do Claúdio.
Ao certo é percorremos mais três quilómetros e o Claúdio distanciou-se mais um pouco para se assegurar do estado em que se encontrava o caminho que ainda teríamos pela frente, este entrou numas subidas e curvas mais apertadas e comunicou-nos para que ficássemos por ali pois ele ia voltar atrás e que nós, sim nós, não poderíamos prosseguir por causa do mau estado do trilho. Sucedeu, então retornamos a vereda cabreira até Durrës. Entretanto não deixou de ser interessante esta aventura, ainda mais com as viaturas do Carlos e Gilberto que em nada, absolutamente nada estão preparadas para suplantar tal troço. O meu caso mais difícil se tornaria, por causa do comprimento e da traseira apôs o espaço entre o rodado de trás. Nas manobras em locais curtos, esta dá de cú e vai roçar o que não deve. Manobras penosas papá. Ok. Também tivemos de abastecer e na nacional que liga Shkoder-Lezhe, enchi o depósito mais uma vez com 44,17 litros totalizando 74.43€. O litro ficou a 1,685€, muito cara, sem dúvida para este país. Dirigimo-nos pela SH4, após alguns quilómetros, seguidamente SH56 e entrámos em Tirana. Com esta não contávamos, mas que dificuldades para estacionar, algumas voltas realizamos e por muita sorte detivemos lugar num parque descoberto entre prédios antigos. Os responsáveis foram agradáveis em conseguirem lugar para entrarem estes três monstrinhos, não é nada fácil estacionar no mesmo local estas viaturas.
A pé fomos rua abaixo até perto do centro, ainda caminhámos bastante que no caminho tivemos de arranjar local onde comer. Passámos por diversos restaurantes, nenhum nos agradou, até um, em que entrámos e nos sentámos, mas o que tinham para nós comermos não possuía qualquer qualidade, fui ver na montra e observei que a carne ou o frango já estavam com cores de que muitas horas haviam estado na vitrina, saímos e o empregado e dono, ficaram a olhar boquiabertos. Continuámos a percorrer esta rua e resolveu-se ir comer hambúrgueres, aquilo que tanto eu como a Sofia não damos nenhum valor, só comemos por comer, não saboreamos. Estadia curta concluída em Tirana. Quando permanecemos nesta cidade há anos, visitamos muitos locais, é dessa altura que temos uma panorâmica mais lucrativa. Sempre julguei que ia conhecer algo de novo, nada, mesmo nada. Vamos seguir viagem em direcção ao norte pela SH1, percorridos alguns quilómetros e passamos sobre o rio Mat que corre no centro norte deste país, tem apenas um percurso de 115km, mas com um caudal inúmero. Fomos conduzindo sempre com cautela e comunicando frequentemente via rádio com conversas e questões que favorecem uma condução distraída e precisa.
Sem darmos por conta passamos a cidade de Shkoder e pouco depois abordamos a fronteira Hani i Hotit-Bozhaj. Passaportes apresentados e rapidamente seguimos o trajecto programado. Foi das fronteiras mais breves e simplórias a despachar os transeuntes estrangeiros. Isto já é um sinal muito positivo do que se passa na EU. A partir de agora circulamos em território de Montenegro, pouco tempo levámos a chegar à sua capital Podgorica. Quando passávamos numa das ruas desta cidade o Carlos lembrou-se que queria lavar a viatura, mas vai ficar para amanhã com mais tempo, vamos sim para o espaço onde iremos permanecer esta noite, sendo o Auto Kamp Titograd, situado em Smokovac BB, 81000. Quando estávamos a virar e depois a descer para entrarmos neste camping, logo disse: Nós já estivemos aqui há anos. Perguntei ao Carlos, falei com a Sofia, mas as suas mentes não se recordam de nada. Coitados, o velho sou eu! Ficava imensamente satisfeito se se recordassem.

Eu sim, tenho toda a certeza de que já ali estivemos, não tenho dúvidas. Existem sim, algumas modificações. Poucas. Vou adorar dormir tão longe da minha casa num local onde já estive acampado com a Sofia, Carlos, Júlia e com o nosso filho Gonçalo, mais o menino Jorge e Paula com os seus filhotes, Ricardo, Rodrigo e Mariana. Nessa altura o acampamento era em tenda, pois tendas para todos. Não foi bom, é que hoje estamos muito finos. Tenho pena de que em 2004, não tenha tido a mesma forma de viajar que tenho hoje, seria maravilhoso.

25-Julho – Podgorica – Kotor/Zelenika (119km) Montenegro

Outra noite agradável neste vale circundado por montanhas e onde corre o rio Morača. A primeira actividade de todos foi descer uma ladeira íngreme até ao leito do rio onde o Cláudio pretendeu dar uns mergulhos nas águas cristalinas deste rio de montanha.


Nós apenas testemunhamos a sua actividade de mergulhar aqui e mergulha ali. Soubemos que numa zona onde nadava as águas eram profundas. Finalizou a tão famigerada tarefa do molha-rabo para arrancarmos em direcção à cidade onde fizemos mais um giro, mas o Carlos desta vez não foi lavar a sua viatura como tinha pretendido no dia anterior. À saída da cidade de Podgorica tomámos a via M2 3, bastou percorrermos 42 quilómetros, contudo passarmos tão perto das grutas de Lipa, mas não fizemos qualquer parada.
Depois Cetinje para prosseguimos a rota e dirigirmo-nos mais uma vez para o mar Adriático. Sendo esta uma zona montanhosa não arriscaríamos deixar de circular por aqui onde as curvas e cotovelos são hás carradas, porquanto torna-se agradável a condução que gostamos de fazer. Adiante começámos a ver o golfo que esconde bem lá no fundo um lugar esplêndido, não mais do que Kotor. Aqui começaram novamente as curvas e contracurvas, sempre a descer o troço por vezes estreito as enormes dificuldades ao intersectarmos com outras viaturas ligeiras e as paragens para tirarmos mais fotos. A continuidades do troço em cotovelo que tem de passar um para de seguida o outro fazer a manobra, um mundo de dificuldades por ali abaixo, muitas.
Numa altura o cruzamento com um autocarro e mais autocaravanas, foi um desassossego, trânsito estático, umas dezenas de viaturas e motos e nem para baixo ou para cima eles andavam. Uns motociclistas que também estavam naquela embrulhada, pararam as suas motos e tentam perante os motoristas de os aconselharem a encostarem-se mais uns centímetros aos muros ou às rochas. Em determinado momento desta embrulhada, uma autocaravana que estava a tentar passar ao meu lado o motorista estava com uma cara de horror com a manobra inquieta que tinha pela frente, eu não tinha mais do que 2 centímetros da rocha e o pneu da frente fora da estrada encima da parte de uma pedra não podia fazer mais nada para pode prosseguir, foram dois motociclistas que estiveram a falar com o homem para se encostar mais um pouquinho ao seu lado direito, não bastou que quando inclinou a direcção para o lado esquerdo o pneu embateu na parte do meio da minha viatura, eu como tinha recolhido os dois espelhos retrovisores quase nada podia ver, era a cabeça que saía um pouco de fora para olhar, mas pelo barulho de certeza que não amachucou nada, mas à frente vou ver.

O certo é que a partir daqui os cruzamentos foram mais alguns, mas nada que regressasse ao nível deste e dos anteriores. O Cláudio que já se tinha livrado desta encrenca, havia estado à minha frente e enfrentou a mesmíssima realidade. O Carlos estava bem mais para trás. Teve também alguma encrencas, mas nada como estas, porque a viatura dele é mais curta e estreia, teve estas manobras mais facilitadas.




O Claúdio ia já bem à frente, nunca deixou de comunicar e deu-me informações tão precisas em como os carros que vinham para cima, desde as cores, as marcas e sei lá mais o quê, quão fez que eu conseguisse acelerar e vir sempre abrir e à vontade por ali abaixo, alturas que entrava nas curvas em sentido contrário, graça às informações que me eram transmitidas continuamente, ainda mais que este troço mais parece uma via de um só sentido, pode-se ver por aqui a largura e o precipício que estava à nossa direita, é que por ali abaixo nunca mais parávamos, rapidamente chegaríamos a Kotor.



















Parece impossível, porém este percurso tem uma distância a rondar os 20 quilómetros, foi obra e tantas peripécias passamos até atingirmos o seu final. Assim com tantos imprevistos que transpusemos e entramos em Kotor onde já existia um engarrafamento do diabo, mais manobras do desenrasca e chegámos a um parque que conseguimos estacionar as nossas máquinas.




















Foi aqui que verifiquei que não tinha nada estragado. Agora, todo grupo reposicionado, temos de alcançar um local apropriado para recompor o desgaste até aqui chegarmos. O restaurante encontrado foi o Marenda Steak House, localizado em 232 Put Prvoborca, Škaljari 85330, é um restaurante em Montenegro, localizado em Kotor, que oferece cortes de carne de alta qualidade, incluindo steaks secos envelhecidos, além de carnes de origem local e uma experiência culinária autêntica.





O que acham! Foi na base desta informação que saboreamos uns pratos deliciosos e umas sobremesas de lhes tirar o chapéu. Aconselhamos, venham a Kotor no Montenegro. Tão árdua tarefa acabámos de ter e ainda tivemos pernas para conhecer uma parte desta linda cidade. As senhoras foram às compras o Cláudio comprou a t-shirt no Hard Rock, eu não comprei nada. No regresso a Cândida e Cláudio purificaram a entremeada num dos cais da baía desta cidade o Carlos molhou os garfos os restantes observaram.

Agora levantar as viaturas e colocarmo-nos a caminho da Croácia, pouco tempo havíamos percorrido e já circulávamos mais uma das baías, esta conhecida como as Bocas de Cattaro. Um pouco adiante apanhámos o ferry para Kamenari, nesta travessia o grupo dividiu-se porque não conseguimos compreender a situação que levou o Carlos a ficar no cais por mais algum tempo à espera da próxima embarcação, este estava prontamente atrás de nós e não o deixaram entrar, quando na realidade haviam ainda muitos lugares vagos, coisas de quem não sabe mandar.

Esperamos por ele na outra margem, mas um pouco mais à frente porque não tínhamos local correcto de estacionamento, nunca deixamos de comunicar com ele via rádio. Depois de um dia completamente preenchido o nosso conceito seria ficar na Croácia, como já se tornava tarde optamos por permanecermos o mais perto da fronteira e amanhã com calma passaremos para o outro lado. Pensamento determinado e eis que pouco mais à frente vimos o Auto Camp Zelenika, situado em Zelenika 9a, 85346. Parque um pouco acanhado, sim, foi o suficiente para nos acomodar-nos todos. Este é 49º dia desta expedição. Amanhã outro dia espera pela gente.

26-Julho – Kotor/Zelenika – Duče/Split (249km) Croácia

Este itinerário vai ser totalmente efectuado à beira-mar, com paisagens admiráveis ao longo dos 250 quilómetros que teremos pela frente. Pouco havíamos andado, e chegamos à fronteira entre estes dois países, Montenegro e Croácia, ambos resultantes da divisão da Jugoslávia.
A próxima paragem será em Dubrovnik, mais um local repleto de história e um dos destinos turísticos mais concorridos do Mar Adriático. Quando chegámos tivemos de estacionar um pouco distante do centro muralhado. Para percorremos essa distância a pé até ao centro, agora é fácil, pois é sempre a descer, todavia quando regressarmos é que vão ser elas. Vagueamos por uma infinidade de ruas, vimos que os preços das coisas estão exorbitantes, até os custos nos restaurantes encontravam-se elevados. Igualmente almoçamos num tasco um tipo de “doner Kebab” com uma mixórdia dentro, comida para “pobre”. Mas que ideia esta de comermos naquele sítio, ainda mais quando verifiquei noutra zona desta cidade, não muito longe dali em que os preços nos restaurantes estavam acessíveis, nada dos preços praticados onde papámos. Mais umas voltas e finalizamos o percurso por aqui, agora arranjar táxi para nos levar, pois a partir daqui é só subir com um calor abrasador, não, a pé nem pensar. Prosseguimos a subida de táxi até ao parque onde se encontram as ditas casinhas deambulantes.
























Já bem colocados junto às nossas casitas temos de prosseguir. Já na estrada avistarmos Stonske Zidine com as suas muralhas. Continuámos e passámos defronte a Brijesta é onde existe uma pequena franja de terra que há um pequeníssimo território que dá acesso ao mar à Bósnia Herzegovina. Está concluída metade da viagem.
Até aqui a Croácia tem sido uma faixa estreita, começando então alargar, porém com muitas ilhas na costa Adriática o que a torna ainda mais ambicionada em que a maior parte destas ilhas têm cidades e vilas com boas estradas pavimentadas e sítios onde as autocaravanas podem aparcar, não faltando o seu acesso por barcos. Existem em Split uma diversidade de ferries para as inúmeras ilhas, também ao longo desta costa existem outros portos que também saem ferries. Praticamente estamos a finalizar o percurso, resolvemos não ir hoje para Split e arranjar mais um local de pernoita. O Camping eleito de hoje é: Camping Delfin, localizado em Poljička Cesta – Rogač 21, 21315 Duče. O preço é elevado a disposição do parque é um pouco amontoada, tanto que ficámos de esguelha onde passa por detrás de nós a estrada nacional, barulho não nos vai faltar durante a noite. Penso que não tinham mais espaço para autocaravanas, reparo que está integralmente lotado.

27-Julho – Duče/Split – Starigrad (222km) Croácia

Acordámos e uma das primeiras conversas era o mal dizer deste parque, entrementes a Júlia alertou porque não íamos até ao mar, ela já tinha cuscado alguma coisa. Resolvemos então irmos até lá.

Imediatamente mudámos a opinião só em alguns factores, como; a quantidade de divertimentos na água ali existentes tanto para adultos como para crianças. A praia estava toda apetrechada com chapéus de palha e espreguiçadeiras. Esta praia tinha um serviço comum com um hotel, por sua vez também estavam pessoas desse hotel na praia e pareceu-me que se nós quiséssemos alguma coisa poderíamos pedir. A razão do parque ser dispendioso, encontrei este o fundamento. Para mim o que vi em nada muda a minha opinião inicial. Vamos arrancar para Split, esta é uma distância curtíssima e rapidamente chegaremos. Esta cidade é a segunda maior cidade da Croácia. Uma situação ocorrida nesta cidade em 1991, no desmembramento da Jugoslávia em que um contratorpedeiro com o nome de “Split” bombardeou a cidade com o seu próprio nome.

O grande comércio desta cidade é sem dúvida o turismo. Em tempos que já lá vão existia a construção naval, produtos químicos, vestuário e outros. Todas estas indústrias terminaram, mas existem perspectivas para um futuro risonho. Já no percurso de visita, deambulámos livremente numa parte do palácio Diocleciano, seguidamente a catedral de são Domnius que se encontrava encerrava, o seu exterior é fantástico. Ruelas e quelhas não faltam, também é destacável os prédios serem todos em pedra o que dá a esta cidade outra magnitude. Entrámos na avenida principal onde observámos a ocupação total dos restaurantes em que num deles na esplanada almoçamos, fizemos mais umas voltas por aqui em que vimos iates atracados.


Muitas voltas fizemos, faltou-nos apenas a ida à praia de Kasjuni, sendo esta a praia mais popular de Split, esta me fez lembrar a nossa praia de São Martinho do Porto, não é nem por sombras mais bonita do que a nossa que é uma autêntica “Concha, Shell”. Não tenho dúvidas, tantas coisas havia para se fazer por aqui, é que nem a célebre sobremesa que é servida à base de sorvete e banana, originalmente dos Estados Unidos, saboreamos, sim essa mesmo a “banana Split”. Sim estou chateado, então não é para estar, com isto vamos embora que já se faz tarde porque queremos chegar ainda hoje a Zadar para ouvirmos um pouco de música produzida pela ondulação do mar, vamos ver, temos pela frente qualquer coisinha como 156 quilómetros e já são 15h30. A caminho, fogo à peça em que o trânsito ajudou um pouco e eram 19h20 já estávamos à procura de um lugar para estacionamento o mais à beira da marginal.

Com um bocadinho de sorte conseguimos, agora uma caminhada a pé para visitarmos o Órgão do Mar. A música das ondas em Zadar refere-se ao órgão do Mar (Morske Orgulje), uma instalação arquitectónica que usa o movimento das ondas do Mar Adriático, para gerar música, Foi construído em 2005 pelo arquitecto Nikola Bašić, este é composto por um conjunto de degraus de mármore com 35 tubos sonoros embutidos que produzem sons harmónicos e aleatórios à medida em que as ondas forçam o ar através dos tubos.

Mantivemo-nos sentados num dos degraus a ouvir os sons produzidos, fantástica esta ideia, tão simples e promissora em outros aproveitamentos de qualquer coisa. No cais estava atracado um cruzeiro que em parte pode ser movido por velas é ele o Royal Clipper o maior veleiro do mundo com 42 velas, permitindo que 227 passageiros desfrutem de uma experiência luxuosa. O dia quase a terminar, no entanto mais 42 quilómetros temos pela frente para concluirmos a tirada de hoje no Kamp Jaz Zadarska, Starigrad, Put selina, 21, 23244.
Neste parque existem imensas figueiras carregadas de figos, no entanto apenas consegui tirar um comestível e um outro mais ou menos. Quando fomos dar uma volta até ao mar o Cláudio tirou uma foto a uma menina muito engraçada. Tinha andado poucos metros, quando um sujeito veio ter com ele a dizer-lhe para apagar essa foto do telemóvel. Como o Cláudio fosse um bandido, há cada um que não lembra ao caralho. Sim esse gajo pode ser o pai, tio ou o raio que o parta, mas logo pensar que aquela pessoa que tirou uma foto à menina ser um bandido! Na volta é ele o possível progenitor! Ele sim era o bandido.

28-Julho – Starigrad – Hrušica (232km) Eslovénia

Iremos continuar a circular o mais perto da costa Adriática, esta nos oferece fantásticas paisagens. Um senão, para hoje o tempo começou a ficar um pouco encoberto, aquilo a que já não estamos habituados.


O sol em demasia torna-se cansativo, mas existe o meio termo é isso que desejamos. Vamos então ver o que acontece com este começo de mudança do tempo. No sentido que vamos a circular de sul para norte, temos à nossa esquerda dezenas de ilhas, muitas das quais são vistas a olho nu. Nesta via o trajecto é feito a uma altura considerável o que nos dá uma panorâmica ainda melhor, sim por vezes ela baixa, mas apenas para atravessarmos uma vila ou aldeia, as cidades maiores estão mais recatadas.


Reparamos que existe uma quantidade grande de recantos para pararmos e observar locais de maior interesse, acontece que a maioria deles estão sinalizados que proíbem a pernoita entre as 22h00 e as 7h00, penso que esta proibição se deve mais ao facto da segurança, não vá o diabo tecê-las e que durante a noite num destes lugares, ermos, algo de deplorável possa suceder. No seguimento de toda esta conversa estamos já em Rijeka, em que vamos parar e visitar uma parte desta cidade. Então Rijeka ou Riéca é a terceira maior cidade da Croácia e principal porto do país.

Está localizada no golfo do Carnaro, numa reentrância do mar Adriático. Já chegámos tarde a esta cidade, a maioria das lojas já se encontravam encerradas e o movimento citadino muito reduzido, então revolvemos ir até a um local altaneiro, ou seja, os castelos que tanto gostamos de conhecer e eis a caminho para entrarmos no castelo de Trsat em que se pensa que fica no local exacto de uma antiga fortaleza Ilíria e Romana. O Nobre croata Vuk Krsto Frankopan está enterrado em uma das igrejas. Nesta altura já tinham caído uns chuviscos e por cautela até levei comigo um chapéu de chuva para acautelar, actualmente quase não foi necessário, mas. Efectuámos um giro pelos muitos lugares visitáveis, tiramos as fotografias necessárias e retomamos ás nossas barraquinhas ambulantes.
Estávamos a sair e começou a cair mais uns pinguitos, mais adiante engrossou e aproveitámos para mais uma vez atestarmos as máquinas, com isto pus 28,87 litros a 1,39€, ficou cheio, mas ainda tinha muito gasóleo, é que aqui o preço é mais barato do que na Eslovénia. E quando atravessamos a fronteira para e Eslovénia aí a chuva veio em quantidade, nós já estávamos a prever que isso acontecesse, não desta forma. Daqui ao nosso destino são cerca de 9 quilómetros onde iremos ficar em Area Sosta Camper Pension Patrik, situado em Hrušica 100, 6244 Podgrad. Mas que categoria de local, desde o sossego, limpeza, divisão dos espaços das autocaravanas, sanitários, estes dentro do espaço do pequeno hotel.

Muito bem aproveitado, no entanto com oito autocaravanas fica repleto. Um aparte, falando ainda dos sanitários, estes são mesmo de uma categoria superior, privacidade, produtos de higiene, limpeza e iluminação, mais parece os serviços de um hotel 4 estrelas. Hoje a pouco mais de 9 dias de chegarmos a Portugal, aqui estamos robustos como carvalhos, fortes, gordos e feios.

29-Julho – Hrušica – Boretto (394km) Itália

Troço quase a principiar, próximo dos 400 quilómetros em que pouco mais de 20 quilómetros são efectuados na Eslovénia. Principiamos o percurso e uns pinguitos de chuva apareceram, vamos afirmar que o tempo melhore porque não estamos habituados a chuva nesta altura da viagem, queremos vir a terminá-la como a iniciamos. Já ultrapassámos a fronteira entre estes dois países.

Circundámos o norte de Trieste, cidade onde estivemos de passagem no dia 12 de Junho, um pouco mais longe, outra cidade que transpusemos e eu já passei uma série de vezes por perto, como vai acontecer hoje e não interromperemos o itinerário, não poderemos esquecer de numa próxima viagem ser uma pausa obrigatória é ela “Palmanova”. Vejam fotografias da cidade e me dirão, sim temos de lá ficar uma noite.
Há coisas que não fazem parte do itinerário, mas sempre que ocorrem ficámos satisfeitos como o cruzarmos umas dezenas de carros que se encaminhavam para uma concentração de Citröen 2CV, juntamente seguem Dyane 6 e Ami 6, esta {a obra-prima de Bertone}. Esta quantidade destes carros estão a dirigir-se para uma concentração de Citröen 2CV que vai decorrer na Eslovénia de 29 de Julho 3 de Agosto de 2025, razão de vermos tão ilustres estilos destas máquinas do tempo. Note-se que este é o 25º encontro mundial de 2CV decorridos até esta data. Não há informações confirmadas sobre igualmente uma grande concentração específica para o Citröen Ami no mesmo período, mas este carro deve estar presente como um veículo mais recente. Também veio a hora do almoço e não poderia faltar almoçarmos num típico restaurante italiano, sendo ele (Ristorante Trattoria Alla Cacciatora) na Via Caposile, 1, 30027 San Donà di Piave VE. Classificação da refeição, serviço e principalmente do que por ali comemos e bebemos – Muito Bom.
Depois de um almoço destes prosseguimos para visitar o Forte Marghera, esta paragem já tinha sido anunciada com antecedência pelo Carlos, razão de eu não ter dito que poderíamos parar em Palmanova. O impacto desta visita foi fraco para todos, estávamos à espera de mais qualquer coisa. Nesta altura estamos a uma pequena passagem de barco para Veneza que já é bem conhecida de todos. Vamos para a SS309 depois SP1, mais adiante a SS16 Até chegarmos a Ferrara, nesta altura ainda gozamos pela frente 104 quilómetros para percorrer. Não podia faltar mais uns bons quilómetros em montanha e perfazer a SP2 até ao parque onde permaneceremos o final do dia e a noite que se adivinha no River Passion na Via Argine, 15, 42022 Boretto RE. Este parque de estacionamento um pouco programado para uma Asa é fraco, bem instalado na margem do Rio Pó que é o maior rio de Itália, fluindo por 652km. Este nasce a oeste do Alpes e vai desaguar no mar Adriático, depois de atravessar o norte de Itália, passando por diversas cidades importantes como Turim.

O nosso jantar foi mais uma proeza em fazermos um tipo de rojões à italiana com puré de batata, cogumelos e cerveja Efes que ainda existe, esta vinda da Turquia. Finalizámos com o cafezinho e o chiripiti da Dona Sófia.

30-Julho – Boretto – Impéria (368km) Itália

Com esta estirada de hoje, estamos a avizinhar muito rapidamente o fim da nossa maratona de 2025, tenho reflectido em várias ocasiões que precisaríamos de pelo menos mais 20 dias para aperfeiçoarmos este tipo de expedição. Por momentos mais parece uma correria e é que já não estou nessa. Sei que a vida é uma correria para a morte, somos nós que fazemos com que isso ocorra. Hoje, estamos aqui, amanhã, não sabemos onde. Também sei perfeitamente que outros elementos do grupo têm obrigações, ainda não lhes chegou a altura daquilo a que se chama reforma.
Eu, já há muitos anos, antes de me reformar já a minha mente me transmitia que essa dita e malvada aposentação algum dia chegaria e em que condições. Eu que trabalhei toda uma vida para patrões pensava, “não queiras acabar com o trabalho que é ele, trabalho, que vai acabar contigo”, na verdade o trabalho não acabou comigo, mas também não fui eu que acabei com ele. Tudo isto para concluir que a vida tem muitos factores e são eles que nos conduzem a determinados momentos ou sonhos para o presente e para o futuro. O passado, já pode ter sido uma parte desses sonhos, mas para o futuro o incerto é real. Podemos continuar a sonhar. Dei uma última mirada para o rio Pó que se rebola, calmamente nesta altura do ano, fico contente, porque tantas as vezes que ouvia que o rio Pó era um rio italiano, porém nunca o tinha observado e tantas as vezes que já estive em Itália, era uma carência minha. Sim foi por acaso que aqui ficamos, nada calendarizado. Vamos seguir viagem e continuar a desbravar serra e mais serra pelo norte deste país em estradas nacionais, nada mesmo nada de auto-estradas, pode acontecer por vezes apanhar um troço da via rápida, mais nada.
Tenho um pormenor que todos, vós sim, vão gostar de saber se é que esta malta vai conseguir arranjar tempo para lerem esta palestra que vos estou a escrever. Já agora pensem bem que o Gilberto escreveu, esta resenha da nossa expedição a contar com vocês, para que vós, recordem o que se passou neste período tão pequeno da vossa existência. Os vossos filhos, netos, bisnetos, podem saber o que vocês produziram a passear ou a vaguear como desejem. Sim, pode ser engraçado este bocadinho da vossa história. Mudando de assunto, assim tão rapidamente, sabem por acaso que que existe dentro da Suíça um pequeno território italiano conhecido por “Campione d’Italia” é uma comuna italiana da região da Lombardia, província de Como, com cerca de 2279 habitantes. Estende-se por uma área de 2km2 tendo uma densidade de 1140 hab/km2. É um exclave Italiano encravado em território Suíço, fazendo fronteira com os municípios helvéticos de Arogno, Bissone, Lugano, Melide e Paradiso. Mais cómico, como um território minúsculo tem a rodeá-lo tantos municípios. Então não sabiam esta, verdade? Ok, já sabia, está ali no cantinho o Carlos a dizer, eu já sabia, e ele que não soubesse! O percurso de hoje está a desenrolar-se pelas mais diversas vias de Itália como a SP34R e SP87 que nos levou até Cremona, seguidamente a SP234 até ao cruzamento de Zagonara e entrámos na SP199, mais abaixo a uma distância razoável seguirmos pela SS10 a roçarmos Alexandria.
Um pouco mais à frente apareceu-nos a SP240 a SP28, logo veio a SP592, de seguida um troço muito montanhoso com imensas curvas e circulamos na SP31. Em Torre Bormida aparece a SP439 e o meu combustível começa a ficar nas lonas, nada de preocupante. Passamos muito perto de Pruneto, uma vila com interesse histórico. Uns quilómetros à frente o Carlos perguntou se não descontinuávamos para tirar umas fotos, acho que já estava saturado e queria esticar as pernas, assim fizemos. Em Mollere seguimos pela SS28 e sem dar por conta a luz da reserva acendeu-se, tenho de meter gasóleo num próximo posto de abastecimento. A montanha prossegue e em Ponte di Nava é o começo de montanha muito a sério até ao passamos Colle di Nava até Muzio, sempre a subir e a luz do gasóleo na reserva e nada onde possa abastecer. Por fim a autonomia passou a zero quilómetros, fomos andando e a descida começa em que a autonomia começou a ser de 20 quilómetros, depois adiante 80, 100, 120, 160 e 200 quilómetros. O quê! Ainda não abasteci. Esta informação era comum para todos via rádio, até que uns quilómetros atrás o Carlos disse que ainda tinha muito gasóleo e que me podia dar. Houve algum transplante e não me apercebi. A razão é que temos ultimamente andado sempre e descer, passamos por túneis e mais túneis, esses são aos magotes. O Cláudio disse se te falta o gasóleo dentro de um deles vai ser lindo.
O certo é que tinha nessa altura combustível para 160 quilómetros, vai dar à vontade até ao abastecimento, até porque no momento estamos a pouco mais de 16 quilómetros do destino. Um pouco à frente ainda numa descida surgiu um posto de abastecimento onde todos atestamos menos o Carlos, porém a bomba ser automática não conseguimos esse abastecimento total porque esta estava calendarizada num máximo de 99,25€, igual a 58,42 litros. Aqui ficou arrumado o assunto de falta de combustível, prosseguimos viagem ainda a descer e entrámos na SS1 para finalizarmos a estirada de hoje de 368 quilómetros, reais. O conta quilómetros do Claúdio marca sempre mais alguns, não conseguimos compreender. O Carlos por sua vez diz também que o dele não confere com o meu. Algum dia chegaremos à realidade destes dados desusados. A entrada no Camping De Wijnstok na Strada Comunale Poggi, 2 18100 Imperia, foi um pouco desastroso, porque a simpatia do responsável era que ainda conseguia arranjar lugar para estes três monstrinhos que acabaram de chegar.
Esteve um pouco a dialogar com alguns de nós e aceitamos a proposta de pararmos num recanto que o acesso era por uma pequena subida em terra batida, um pouco apertada na última manobra de virar à direita, tanto para mim como para o Cláudio. Sucedeu que no meu caso quando ia a descrever a curva à direita e sem ver nada pelo espelho retrovisor que havia sido recolhido tive de parar por causa do morro à minha frente esquerda e o contornar o resto de uma parede e ramos de uma árvore que se encontrava à minha direita na traseira, tive de parar. Agora no arranque veio o patinar na tracção dianteira e a manobra não se concluiu por causa de espaço e na iminência de raspar num dos obstáculos. Foi a máquina do Carlos com um cabo de engate que ajudou a minha motorização sem se esforçar a prosseguir a manobra. Tudo ultrapassado e eis devidamente estacionados. O jantar desenrolou-se no restaurante deste camping. Gostamos de tudo o que ingerimos e já noite ainda tivemos pernas e mentes limpas para dar uma voltinha na marginal e ir até a um lugarejo onde a juventude se recreava a comer, beber e beber e a ouvir música, tudo isto junto à orla marítima do mar de Ligúria. Boa noite rapaziada:
  •  Vamos dormir, vamos dormir.
  •  Bons sonhos para vocês, meninos como nós.
  •  Vamos dormir, vamos dormir.
  •  Boa noite aos pais, aos irmãos e aos avós.
  •  Vamos dormir, vamos dormir.
  •  Bons sonhos para vocês, meninos como nós.
  •  Vamos dormir, vamos dormir.
  •  E amanhã veremos a TV como vocês.
No tempo em que só havia uma estação de televisão, as crianças sabiam que estava na hora da caminha depois do Vitinho, do Topo Gigio ou dos Meninos Rabinos.

31-Julho – Impéria – Pont D’Argens (179km) França

Chegaremos hoje a França onde iremos permanecer pelo menos mais quatro dias. Abandonamos este camping e poucos metros percorremos para entrar na SS1, também conhecida em Itália como a “Strada Statale” ou Via Aurélia que tem o seu início na cidade de Roma e tem o seu términus na fronteira com a França em Laruns. Pouca distância havíamos percorrido e o Carlos teve de parar para meter gasóleo, porque não atestou quando nós o fizemos ontem a poucos quilómetros daqui, não dá para compreender, correcto? O posto de abastecimento onde parou situa-se num local apertadíssimo para que nós lográssemos também repor algum combustível que no último abastecimento nos limitaram o valor.
Esta via que circulámos é de trânsito intenso e lugares para parar complicadíssimo. Parámos bem à frente e mal-estacionados à espera dele. Sabemos perfeitamente que vamos ter imenso trânsito nos primeiros quilómetros de hoje ao transpor tantas cidades como Sanremo e Ventimiglia e tantas outras povoações apinhadas de pessoas, nesta altura do ano. Neste percurso e mais nos povoados que já passamos a quantidade de motas e motoretas é inúmera, novos e velhos todos montados, neste meio de transporte rápido e seguro. Seguro desde que haja bom senso de ambas as partes, sendo elas o automobilista e o motoqueiro. E já ultrapassamos a fronteira entre estes países, Itália e França, nem demos por ela. Presentemente estamos a atravessar Menton, seguidamente uma encruzilhada de estradas, curvas, contracurvas, trânsito lento e velocidade muito lenta chegámos a Roquebrune-Cap-Martin para adiante cruzarmos Monte Carlo. Aqui ainda pensamos passar por alguns arruamentos, sucede que o trânsito estava difícil e não conseguimos concluir o nosso anseio. O Carlos como sempre queria gastar 10€ no casino, tem de ficar para outra vez, possui muito tempo de o gastar quando chegar a Portugal no casino da Trafaria ou do Porto Brandão. Vício do caraças que não o consegue transpor. Passamos Monte Carlo e fomo-nos embrenhar novamente na montanha, porque se quiséssemos circular na marginal, teríamos de perder mais umas longas horas.
O trânsito está intolerável e eu por exemplo não tinha paciência para seguir esse trajecto, era uma aventura estúpida. Acabámos de percorrer 80 quilómetros da etapa de hoje com uma média baixíssima. Já nos encontramos a suplantar Nice e como de costume a fome está entre nós, resolvemos comer uns hambúrgueres e lembrei-me de que há anos parei na estrada que corre ao longo da cidade e comemos num Mac, Mac com os nossos filhotes, Ricardo e Gonçalo uns hambúrgueres que eles tanto adoravam, vai ser neste que hoje iremos. Aconteceu que tantos quilómetros fizemos nessa estrada que não encontrei o dito Mac, andámos mais para a frente, até que a Cândida localizou um Mac, sim noutro local não o que eu afirmei. Fiquei na dúvida e questionei-me se ele não ficaria mais para trás, ou seja, antes de entrarmos muito à frente na dita rodovia, é o mais provável, porque não aceito que tenha fechado, este está localizado no sentido Nice para o aeroporto do lado direito num largo com um grande jardim. Fomos finalmente ao MacDonald’s na RN7, 1843, 06270 em Villeneuve-Loubet. Para mim não foi assim tão fácil o estacionamento, tendo de inverter a marcha e estacionar decentemente na via oposta, quando terminarmos o hambúrguer terei de fazer novamente uma inversão de marcha nesta via onde o trânsito é intenso, não vai ser problema, irão ver. Barriguinha, não posso dizer cheia, mas remediada para prosseguirmos marcha.
Os outros expedicionários já estão em marcha lenta e eis que já estou a proceder à dita inversão e aí vamos todos a caminho. Agora ouçam esta precisão, mais à frente optamos por colocar mais umas litrosas nas máquinas guerreiras no Super U, 28 Route de Valbonne 06130 Grasse- Plascassier, onde o combustível é dos mais baratos encontrados em França. Eu atestei com 26,96 litros que me custaram 42.87€, o litro ficou a 1,59€, eram precisamente às 15h53’12”. Gilberto para que é esta exactidão! Faz parte da história de 2025 em que nós os seis viajámos juntos e vão-se lembrar, decorem, sim, que conheceram um traste de nome… que escrevia estas coisas. Não me acredito de quando eu for para a tijoleira alguém de vocês, tenham este propósito de darem continuidade a este blogue. Mais uma vez dispusemo-nos ao caminho para passarmos por Les Termes, muito mais longe atravessarmos Le Muy e finalmente, o escolhido, o eleito, o desejado, Camping l’eau vive em 126 Chemin, des Eaux Vives, Quartier Le Pont d’Argens 83460 Les Arcs-Sur-Argens – coordenadas 43°26’48” N - 6°28’25” E, onde entrámos às 17h55 do ano da graça de todos os intervenientes.

1-Agosto – Pont D’Argens – Nimes (252km) França

Temos uma boa classificação para este camping; sendo sossegado, espaço amplo onde ficamos e bem localizado para o trajecto que ontem usufruímos à nossa vinda. Quando saímos há momentos, deparamo-nos com uma feira dos agricultores desta zona onde ao pé da primeira rotunda, junto a este camping têm instalações num parque coberto, onde podem vender as suas produções a preços mais acessíveis, para o consumidor.

Começamos o trajecto pela nacional DN7 que se encontra muito perto da auto-estrada A8, em que em alguns sítios se cruzam. Havíamos percorrido 40 quilómetros quando transpúnhamos Brignoles, um pouco adiante rondávamos as Bocas do Ródano que são um departamento francês, localizado na região Provença-Alpes-Costa Azul, cuja capital é a cidade de Marselha. Numa encruzilhada de auto-estradas e rotundas de acesso vimos que passou recentemente um grande incêndio por ali, em que vimos armazéns totalmente incendiados e no parque uma enorme quantidade de autocaravanas destruídas pelo fogo e outras crestadas. Fomos andando e enquanto cruzávamos Châteauneuf-le-Rouge alterámos para a D460 para que dali 1,5 quilómetros ingressássemos na D6 até Gardanne. Um pouco mais à frente apanhamos um troço da auto-estrada a A55 que é gratuito, finalizando prosseguimos na N568 e muito à frente conduzimos na N113 até Arles.
Aqui foi mais uma pausa para visitar e conhecer esta cidade que tem imensa história. Conseguimos parquear debaixo de um viaduto e perto do centro, no começo da Av. Jean Monnet, nas margens do rio Ródano. Encaminhamo-nos para o centro, onde aproveitamos para almoçar em uma esplanada ao ar livre, numa das praças principais da cidade. O restaurante elegido foi o La Placette na Place Paul Doumer, 28 - 13200 Arles. Satisfeitos com o que acabamos de comer, seguimos pelas ruas antigas e lindas e nos dirigirmos para visitar o anfiteatro romano que se encontra ainda em bom estado de conservação, depois de ter sido restaurado há imensos anos, este foi construído nos anos 90 do primeiro século e pode comportar 25 000 espectadores. Resolvemos não entrar, cujo bilhete custava uns míseros 9€, não foi pelo valor, mas a demora e outras questões que perdemos o interesse. Hoje em dia este anfiteatro acolhe inúmeros espectáculos, em particular touradas, bem como espectáculos teatrais e musicais. Na altura em que aqui estivemos não sabia a existência do mercado de Arles, também conhecido como a feira da Ladra de Arles. Além das construções romanas, a cidade possui uma forte ligação com a vida e a obra de Van Gogh, que morou e pintou a região centenas de vezes. Não fomos ver o teatro romano nem as termas de Constantino.

No entanto fartamo-nos de andar e deambular pelos mais diversos sítios desta cidade. Ficámos a conhecê-la mais do que podíamos ter programado. Também quantas horas permanecemos aqui! Poucas, sim 4h00. No trajecto que se seguiu, já a caminho do parque ainda parámos num Lidl em Marguerittes para compra de guloseimas, frutas e outros alimentos. A pernoita deste dia foi arranjada pelo Carlos num local agrário onde havia uns cavalinhos, apenas vi um, mas entendi que haveria mais numa cavalariça um pouco distante de onde estamos. Vai ser uma noite rural ou campesina, o que vocês acharem, mas com cheirinho a terra e estrume, e com a lua a espreitar-nos lá no cimo. Este local é: Ecurie la Cigaline – Chemin du, Mas de Mayan, 30540 Milhaud.

2-Agosto – Nimes – Palavas Les Flots (121km) França

Este despertar na granja foi inteiramente díspar daqueles que nos têm ocorrido até ao momento. Correspondeu na totalidade esta aposta e foi recebida para futuras oportunidades. Sítio sossegado longe das confusões, concluímos que esta vida de campónios nestes momentos torna-se até atraente. Vive aqui um pequeno cão que nos ia visitando, até este coordena-se com este ambiente, não tem estrutura para morder alguém, é um pobre diabo a viver no consolo deste terráqueo, o dono e do momento na nossa companhia.






















Logo à saída fiz mais uma borrada, numa manobra escusada, estúpida, que não tinha nada de fazer esta marcha atrás, que não levava a nada, parti mais um farolim traseiro da autocaravana. Quero dizer que tenho de comprar mais um e para o futuro, um outro não se perderá nada. Serão três a adquirir, brevemente. Saímos do acampamento e pouco havíamos andado, lembrei-me de que por ali perto havia um local que todos gostariam de conhecer, sendo este a Pont Du Gard. Entretanto, recordei-os, que já havia ter estado ali, ou na companhia de todos ou apenas com o Carlos e Júlia. Resolvemos andar mais uns quilómetros em sentido contrário e ambularmos até lá. Fizemos este desvio para visitar este impressionante aqueduto romano.
Estacionamento num parque em que o valor é de 8€, preço único e é se queres. No caminho que fizemos a penantes até à ponte, estive a rever umas fotos de ter ido ali anos antes e deparei com a realidade de que apenas eu e a Sofia estivemos os dois ali, sim, anos antes. Foi no ano em que os nossos comparsas foram para a Rússia e nós vínhamos de visitar Malta, Sicília e outros locais, como esta ponte. Conteúdo e pensamento deliberado, vamos então todos passar por cima do primeiro tabuleiro, tirar umas fotos e coragem, não vá esta agora cair, quem sabe! O Cláudio estava com imensa atenção a olhar a quantidade de gente a tomar banho lá em baixo, quem sabe se ele não estava com vontade de fazer o mesmo. Aproveito para relatar um pouco da história desta ponte que também é interessante. A Ponte de Gard é uma porção de um aqueduto Romano situado no sul de França, Trata-se de uma ponte construída em três níveis que assegura a continuidade do aqueduto que trazia água de Uzès até Nimes na travessia do rio Gard, este foi provavelmente construída do século I a.C. Esta ponte tem um comprimento de 275 metros em que o nível inferior com 7 arcos com 142 metros de comprimento, 6 metros de espessura e 22 metros de altura.

O nível médio contém 11 arcos, com 242 metros de comprimento, 4 metros de largura e 20 metros de altura. O nível superior tem 35 arcos com 275 metros de comprimento, 3 metros de largura e 7 metros de altura. Este local é património da Unesco. Visita concluída, iremos retomar a trajectória que inicialmente ia-se desenrolar até a uma praia mediterrânica, mas ainda iremos fazer outra paragem em Nimes. O trajecto foi curto e rapidamente chegámos. Como sempre é conseguirmos local para estacionar o mais perto do centro, cifra-se sempre em dificuldades.

O Cláudio arranjou lugar numa rua, num lugar apertadíssimo, até uma francesa que o viu subir o passeio contestou, coitada se não falasse rebentava. Eu e o Carlos prosseguimos, mas as dificuldades iam-se multiplicando. Mais adiante o Carlos conseguiu lugar, eu tive mais três tentativas, numa delas a traseira ficada com um metro bem fora da faixa de rodagem, uma outra a largura do estacionamento era estreita e as rodas do lado esquerdo bem fora a terceira tentativa ia numa rua estreita em que havia carros estacionados e tinha um lugar, mas a largura da minha era superior aos carros e desisti. Outras voltas dei, porque também não queria parar em cascos do caralho até que bem perto do centro e do anfiteatro romano consegui finalmente um lugar espaçoso para estacionamento. Nestes longos minutos por vezes perdíamos o contacto com os nossos comparsas, nesta altura via telemóvel combinamos o local de reunião.






















Perseguimos todos ao caminho a pé, reparei que eramos os que mais perto nos encontrávamos do centro. Grupo reunido, iniciámos um percurso junto ao anfiteatro romano e caminhamos pela cidade até que nos detivemos e fomos almoçar.

Na realidade nem todos gostaram da refeição de hoje realizada de novo numa esplanada. Na realidade, almoços em esplanada não é o meu caso, é que não gosto e a sua qualidade é duvidosa, que por vezes atravessa a rua ou é confeccionada noutro local longe dali Ainda tivemos tempo para mais digressões pela mais diversas ruas e largos da cidade, até deu tempo para o Carlos adquirir uma matrícula para carro francesa que há alguns dias procurava.

Concluímos mais esta cidade, temos então de recorrer às viaturas e retomarmos o caminho. Foi prosseguir na N113, depois na D61 e finalmente passarmos para a D62 e chegarmos ao destino de hoje em Aire Camping Cars – Paul Riquet em Le Bassin de Plaisance 34250 Palavas-les-Flots {N 43° 31’ 52.7878” – E 3° 55’ 22.2939”}. Enorme área esta, repleta de autocaravanas praticamente lotada em que nós tivemos de ficar em espaços distantes uns dos outros, para mais que temos sempre ficado na mesma área, este foi estranho, mas lá nos arranjámos.

Estamos perto da praia e da vila, um local agradável com todas as condições necessárias. Há noite fomos dar uma volta até à confusão desta zona de veraneio francesa em que neste mês está repleta de turismo, gerando a confusão que estamos a ver pelas ruas. Outro final de dia consagrado para os 6 mosquiteiros. Sim não me enganei, é mesmo, mosquiteiros que queria dizer e não mosqueteiros.

3-Agosto – Palavas Les Flots – Rodès (220km) França

Aproveitamos a nossa vinda a Palavas Les Flots para tirarmos proveitos destas águas mediterrânicas. Calhou que já havíamos planeado que antes de sairmos para uma nova etapa conseguiríamos dar umas banhocas nestas bandas. Fizemos umas quantas ruas a pé até atingirmos o areal, mas pouca gente a esta hora na praia. O que não se vê nas nossas praias e em quaisquer outras; velhinhos na praia apanhar um pouco de sol e a conviverem com outras gerações. Não é assim tão verdade, então estávamos já todos sentados apanhar um pouco de sol e consertamos que estava uma velhota, magrela, mas mesmo velhota prá i uns oitenta e muitos anos se é que já não tinha ultrapassado, a chegar. Numa das mãos uma cadeira de praia, na outra um pequeno chapéu de praia. Chegou sentou-se perto de um grupo de pessoas muito mais novas que nos deu a entender, já se conhecerem.

Tralha no chão e eis, que um dos homens do grupo lhe abriu a cadeira e outro em simultâneo o chapéu. Gravo esta atitude. Veio o palratório e ela sempre em diálogo com todas as outras pessoas, não se entuchava. Não mais, uma velhinha muito velhinha que parece saber dançar o baião. Vale a pena chegar a esta idade com este espírito, que a senhora esteja por cá muitos mais anos, merece muito bem. Adiante, andámos um pouco pelo areal, mas a água essa, não, encontra-se tão fria como a das nossas praias de Moledo ou Vila Praia de Âncora, não esperávamos que a água estivesse assim tão fria. A hora do almoço está aí e caminhemos então para ver se vai ser fácil encontrar um restaurante do aprazimento nosso. Apôs duas tentativas conseguimos arranjar lugar e local que gostámos. O Carlos e Júlia não permaneciam connosco, nesta altura tinham ido ao parque tomar banho, com isto a Cândida telefonou-lhes e aceitaram o convite vieram ter connosco. Eu e o Carlos que me lembre agora comemos as Moules, eu à marinières o Carlos com molhanga. A Júlia e a Sofia, comeram umas gambas grelhadas. Os restantes intervenientes tiveram outras opções que não me rememoro.

Na realidade podemos dizer que foram todas boas apostas. Agora barriguinhas cheias, aí vamos a pé até ao parque e preparar-nos para a partida. São 15h00 e aí estamos a circular na D986, mais à frente a N109, adiante apanhámos um troço onde conseguimos aumentar a marcha porque entrámos na auto-estrada A750 que é gratuita, seguidamente um novo troço da A75, também sem portagens e virmos a circular na N9 e D612, desta forma 130 quilómetros estão concluídos, faltam apenas 90 quilómetros. Rondamos Narbona quando íamos na D6009, também rodopiamos Perpignan para de seguida a montanha começar a aparecer e permanecermos na D66 até final da etapa de hoje na Aire de service camping car de Rodès em Conquille, 8 Route du Pont Neuf, 66320 Rodès.
Um local excelente colocado numa aldeia pequeníssima de montanha. Um excelente lugar para nos recolher esta noite com um castelo sobranceiro ao longe a olhar para nós. No final deste dia foi elaborado mais uma vez um jantar que nos satisfez, sem motivos para reclamações, porque quem não gostasse, gostava e mais nada. Já se torna um hábito de quando a garrafa de vinho terminar, ela é atirada pelo ar para trás de nós, com desprezo de não haver mais, desta vez o raio da garrafa, rebolou e foi cair no pátio abaixo que é do dono deste camping, paciência não foi por mal. É que existe uma rede e um desnível de 1 metros de altura dificultando o seu acesso. Hoje será uma noite de ar fresco destes Pirenéus Orientais.

4-Agosto – Rodès – Andorra a Velha (139km) Andorra

Foi mesmo uma alvorada no seio dos Pirenéus com uma pequeníssima neblina. Assim que estiverem todos prontos seguiremos para explorar mais ou menos 140 quilómetros ao longo das montanhas até abeirarmos mais uma vez Andorra. Já é sem conta, as vezes ou vezes que já estive lá. Os outros comparsas também muitas vezes por lá passaram, não é novidade o lá voltarmos novamente, faz parte de uma formalidade nossa este local. Vamos atravessar por terras amenas com paisagens lindas. Foi dado o sinal de partida para sairmos do parque e ingressarmos por uma ruela desta povoação e entrar na D66 que vai ser percorrida por longos minutos. Quando transpusemos os arredores de Saint-Thomas começaram as curvas apertadas, subidas e a velocidade a reduzir.

Adiante um camião TIR começou a aproximar-se muito rapidamente de nós e falámos – este fulano que está a conduzir e a exceder-se na velocidade, sucede que andou uma grande distância sempre atrás de nós, até que também resolvemos aumentar a velocidade e começou a afastar-se, mas lentamente, isto numa via com muitas subidas, contudo actualmente com bastantes curvas não apertadas. Muitos quilómetros depois deixamos de o ver, porém numa povoação o trânsito afrouxou e lá vinha ele com o mesmo propósito de condução.

Um pouco à frente encostámos e lá vai ele naquela velocidade um quanto, louca. Sabemos perfeitamente que estes camiões hoje em dia têm qualquer coisa como: Os menores de 9 litros entre os 280 e 340cv. Os mais potentes oferecem 600, 700cv ou até 780cv, como alguns modelos da Volvo. Já agora, até me lembrei de falar mais um pouco sobre camiões. Existem alguns que funcionam e queimam “biometano” que é a optimização do biogás que funciona para remover impurezas como o dióxido de carbono, vapor de água e outros gases vestigiais. O resultado é metano puro que funciona com elevada eficiência nos Scania de 9 ou 13 litros, com motores Euro 6 de 6 cilindros que debitam 420cv, 2100Nm e 460cv, 2300Nm. Igualmente existe um camião Daf XF electric com 480hp e 1370Nm com uma potência de baterias de 420 ou 525KWh. Apenas, observamos os camiões que passam por nós e não sabemos absolutamente nada deles. Passemos à frente.

Continuamos impávidos e serenos na condução que guardamos para hoje e os corajosos Pirenéus nos rodeiam. Temos estado a circular na região da Catalunha do lado francês e daqui a pouco na espanhola. Estamos a passar ao lado da ponte Séjourné, uma obra do engenheiro francês Paul Séjourné que tem uma construção em Portugal em Sever do Vouga a ponte do Poço de Santiago. Estas são ambas pontes ferroviárias. Quilómetros à frente e desta vez a 1500 metros de altitude, encontrámo-nos em Mont-Louis a cidade mais alta de França.

Em 1681 o rei francês Luís XIV, garantiu os novos territórios fronteiriços com a Espanha construindo aqui uma fortaleza em 1681, mais tarde em 1793 o rei Carlos IV da Espanha tentou reconquistá-la, chamando-a de Monte Libre, mas com pouco sucesso. Este rei Carlos IV é tridecavô do nosso parceiro de viagem o Carlos XIX, pois, sim não julgavam, ficam então a saber.
O percurso continuou e sem darmos por conta já chegámos ao posto fronteiriços de Andorra. A Cândida já havia telefonado para camping Valira, situado na Av. Salou, s/n AD500 Andorra la Vella a marcar lugares. Quando chegámos apercebemo-nos se não tivéssemos telefonado, lugares já não havia. Tralha e tarecada arrumada, prontos para desbravar outra vez esta área. Antes a fome apertava, resolvemos comer no restaurante do parque. A comida não é má, mas podia ser melhor. O que eles têm de bom é a cerveja, esta bem fresca e com paladar suave para o calor em que nos encontrámos. Seguidamente, fomos até às compras e dar uma extensa volta. Perfumes, rum e gin foram as aquisições mais significativas desta vez. Outro pormenor as meninas não compraram imanes, porque já têm. Enquanto as compras se desenrolavam o Carlos manteve uma longa conversa com um andorrenho que relatou imensos factos da sua vida. No final do dia regressámos ao camping.

5-Agosto – Andorra a Velha – Plasencia (849km) Espanha

Detemos pela frente o mais longo itinerário da expedição, havíamos planeado ontem que a saída deveria ser o mais cedo possível, pelo motivo da distância e do calor que iríamos apanhar ao longo do extenso percurso. Assim aconteceu, cedo até antes da hora convencionada que seria às 8h00 já nos encontrávamos preparadíssimos para o que aí vem.
Existe a poucos quilómetros de onde estávamos uma loja de material de campismo. Vamos partir, mas antes parámos para comprar os farolins que eu havia quebrado, a Sofia e Júlia compraram uns baldes e pastilhas para as suas casas ambulantes. Tínhamos estacionadas as viaturas em locais que podíamos ser multados, mas isso não sucedeu. Prosseguimos o itinerário, fomos atestar para as centenas de quilómetros que vamos ter pela frente e aproveitar o preço mais reduzido deste carburante aqui em Andorra, atestei com 26,34 litros a 1.251€. Seguimos viagem e rapidamente chegámos a La Seu d’Urgell, um pouco mais adiante marginamos a barragem de Nargó e os quilómetros foram encurtando até ladearmos Lérida, mais um local com profundas recordações. Aí entramos na auto-estrada AP-2, adiante fomos para a nacional II por engano, assim que conseguimos voltámos à AP-2 até Saragoça. O Carlos não ficou nada satisfeito em sairmos da nacional II, dizendo que pela via rápida nada iriamos ver, mas na realidade a configuração da nacional e auto-estrada são tão semelhantes que pouco ou nada de novo nos ia mostrar. Ingressámos na A2 que adiante vai tangenciar Saragoça. Outra cidade que há muitos anos passei por aqui, fiz uma paragem de pouco tempo para prosseguir, viagem. Mais tarde o mesmo se passou comigo e Sofia, passamos uma noite para dormir e de manhã uma pequena volta e partir. Quero com isto dizer que pouco conheço desta cidade. Será que algum dia terei possibilidade de dizer, eu conheço Saragoça, não sei, o tempo já começou a escassear, há muitos anos, desde aí comecei a dizer e pensar; “se não é hoje ou agora, algum dia terei essa possibilidade”, ainda estou cá para ver, no entanto esta já passou. Por volta das 14h20 parámos num tasco para comer, comemos mal, não era mesmo aquilo que queríamos, seria mais umas tapas e umas cañas.
Fui enganado porque quis. Outra vez arrancamos, em direcção a Madrid, nesta via que em muitos locais as paisagens me fazem lembrar as estradas do Novo México, Arizona, Utah e Colorado, já não falando do Nevada. Até porque já, nos últimos anos têm plantado algumas árvores que vão mudando a paisagem árida destes lugares. Grande caminhada esta, o calor aperta o Claúdio e Cândida sem ar condicionado, janelas abertas é quanto lhes basta. Faz lembrar-me de quando fomos todos até à Guiné-Bissau e regressámos com carros sem ar condicionado e de outras épocas em que os carros não tinham também ar condicionado, esse privilégio nesta viagem era só nosso em que o carro era velhote, mas já tinha o fresco instalado. Havíamos percorrido já 561 quilómetros quando transpusemos Guadalajara e dali a pouco o trânsito infernal de Madrid. Aí tivemos alguma sorte e fomo-nos escapando por uma e outra via rápida, até entrarmos na tão desejada A5 ou mais conhecida pela N-V, mas foi obra até lá chegarmos, alguns engarrafamentos com muitos acessos e saídas de trânsito e muitos minutos depois chegámos ao trânsito normal. Na carretera da Extremadura em Móstoles, quilómetro 20,9 parámos mais uma vez numa bomba da Repsol para atestarmos, consegui por 65,55 litros o equivalente a 99,57€ e o litro a 1,519€, podem ver que os combustíveis dos nossos vizinhos já não estão assim tão baratos como se diz. Aproveitámos e comprámos uns gelados para refrescar que também não foram baratos.
Já me esquecia de referir, eram precisamente 15h 53’ 56”. Repusemos um pouco de energia para prosseguirmos a marcha e passámos pelo seguintes locais. Parque Coimbra, Navalcarnero, Valmojado, Santa Cruz del Retamar, Santa Olalla e Talavera de la Reina. Que tão bem conheço esta cidade. Tempos que a estrada nacional passava pelo meio dela, esta terra faz-me lembrar a nossa Caldas da Rainha por causa das olarias aqui existentes, mas nada de caralhos de barro, outras coisas, como pratos, copos e canecas. Lá vamos N-V, sempre em frente, quando passamos Navalmoral de la Mata saímos dela e entrámos na EX-A1, uma autovia mais recente. Daqui a Plasencia são cerca de 50 quilómetros mais ou menos, é somente prosseguirmos e daqui a pouco estaremos a entrar no Camping La Chopera, na carretera N-110, km 3,3 em Valle de Jerte, 10660 Plasencia. Já nos encontramos dentro do parque com as casinhas estacionadas. Os nossos amigos ainda foram até à piscina, mas como é do conhecimento de todos, eu e a Sofia, não temos qualquer benefício ou gosto em irmos para a piscina, é que não gostamos mesmo. Na hora de jantar fomos até ao bar-restaurante, sucedeu que na parte interior do restaurante havia mesas e a temperatura estava mais amena.

A senhora que nos estava a atender ia de encontro às nossas necessidades de ficarmos no interior, mas falou com um fulano que andava a servir também às mesas, este, disse-lhe que ali não poderíamos ficar. Fomos todos para o exterior onde existia uma esplanada ao ar livre com muita gente e muito calor. Eu disse logo que ali não ia comer e que ia embora, assim o fiz bem como a Sofia, fomos para a autocaravana comemos algumas coisas que tínhamos e bebemos uma cerveja de litro relaxados e sem algazarras dos espanhóis que são umas gralhas. A restante malta optou por comer no recinto, fizeram muito bem, mas eu de maneira alguma ia agradar aquela ave de rapina castelhana. Para mim um casmurro.

6-Agosto – Plasencia – Sobreda (457km) Portugal

A vida é um jogo que consiste principalmente nisso. O que é nisso, pergunto? Mas, depois, este ambiente também me cansa. Por vezes questiono: será que sou muito endiabrado? O factor é que sempre necessito de novos estímulos, admito. Concluo que tenho outras opções para não repetir o que já domino. Malta ouçam lá; admitem o que acabo de dizer?
Quero-vos dizer que hoje é o último dia do resto da nossa viagem ainda vamos fazer à volta de 450 quilómetros, estão nessa? Pois claro, não seria nestas últimas horas que nos faltam para regressar a casa que não teríamos forças. Antes demais é com muita pena minha de não termos tido tempo para visitar tão linda cidade e com muita história de Plasencia. Vale a pena nos próximos tempos fazermos uma viagem pela raia portuguesa e espanhola para verem o que de lindo subsiste nestas áreas tão vastas e interessantes. Arrancámos e mais e mais à frente voltámos a atestar as autocaravanas na carretera EX-108 em Galisteo num posto da Cepsa onde pus mais 26,65 litros a 1,529€ o litro, comprei uma garrafa de gás. Gás por metade do preço que é adquirido em Portugal, como é possível, muito fácil. O Portuga é roubado incessantemente todos os dias pelos governantes, porca miséria papá. Já perto da fronteira seguimos pela EX-117 em direcção de Salvaterra do Extremo, nunca tinha passado por esta fronteira remota de Portugal e desconhecida por todos. Foi muito divertido ao transpormos uma espécie de ponte sobre o rio Erges. Fotos tiradas para recordarmos esta passagem, (vi nesta altura que esta fronteira se encontra encerrada). Ainda conseguimos passar a tempo. Já na nossa terra a circular na N240 e passarmos por Zebreira, mais adiante Ladoeiro, conheci uma família que eram naturais desta terra. Um pouco antes de Castelo Branco apanhámos a A23 até ao entroncamento com a A13 e entrarmos adiante no IC9, para mim mais uma estrada onde há imensos acidentes. Já várias vezes nela circulei e nunca vi que esta via representasse perigo é a falta de atenção e perigosidade do condutor português.


Uma pequena nota; desde que saímos e entramos em Portugal apenas temos a registar um pequeno acidente que ocorreu num dos países por onde passámos, mais nada, só esse. Chegámos à Batalha, é só mais 1 quilómetro para darmos entrada no Mosteiro dos Leitões onde vamos orar para que nos sirvam com qualidade o tão desejado leitão.

O virmos aqui antes de seguirmos para casa já era acordo nosso de há algum tempo atrás, uma das razões é o desejo de comermos quanto antes produto nacional que já nos vinha a faltar há algum tempo. Fomos outra vez bem servidos o leitão uma delícia o vinho outra e a sobremesa também. Por fim o regresso pela N1 e seguirmos em Aveiras pela A1.

Apenas fizemos uma pequena pausa nas bombas da Galp da 2ª circular para beijos, abraços e fotos e regressássemos aos nossos lares. Eu dei continuidade ao trajecto até ao stand do Cláudio para deixar lá a autocaravana e trazer o boguinhas da Sofia, porque amanhã terei de ir para Lisboa ao Julgado de Paz. Pequeno reparo – Esta viagem não ter feito muito bem ao excesso de peso para alguns dos intervenientes, mas fez muito bem às almas de nós todos. Consegui percorrer 16836 quilómetros, conduzi durante 361,23 horas e gastei a módica quantia de 8492,98€. Fim dos serviços.


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