domingo, 9 de fevereiro de 2020

Cruzeiro no início da pandemia - 2020

 

CRUZEIRO NO INÍCIO DA

 

PANDEMIA





Como idealizámos fazer este cruzeiro. Durante as nossas férias em Agosto eu falei aos restantes membros da nossa congregação de “viagens futuras” que gostava de fazer um cruzeiro nos próximos tempos. Eu e Sofia já tínhamos andado a pesquisar o cruzeiro que iríamos fazer, porém num jantar que se realizou na outra banda, perto da casa onde mora o Cláudio, fomos todos comer leitão num restaurante ali perto. Nessa noite mais pessoas estavam presentes e numa das conversas veio à baila a hipótese de irmos todos para um cruzeiro nos próximos meses. Não é por acaso que num almoço ou jantar destes que se têm programado grandes viagens. Tantas coisas ali já ficaram definidas, tais como o Carlos e a Júlia disserem logo que estavam nessa, pois tanto a Sofia como eu já era ponto assente. O Cláudio e Cândida, disseram que não podiam ir pois não tinham onde deixar os filhos e que não queriam implorar favores a ninguém. Mais amigos e conhecidos estavam presentes mas todos optaram por não ir. Tudo combinado nesta altura.
Passadas umas semanas a 13 de Outubro em mais uma das nossas voltas, desta vez pela serra da Estrela e beira baixa o Cláudio abordou-me a perguntar se haveria ainda lugares no cruzeiro onde nós já tínhamos adquirido bilhetes, estávamos nós nessa altura do Vale do Rossim em plena serra da Estrela. Afirmei que quase de certeza ainda haveria vagas. Ficou combinado que na segunda-feira eu falaria com a Ana Pombal para fazer mais duas marcações. Porém foi-me pedido para não dizer nada à Cândida, O certo é que consegui tais marcações e o sigilo foi de tal ordem que o Carlos e Júlia nunca souberam que havia mais dois possíveis intrusos, bem-vindos na nossa comitiva. A Cândia, essa nem podia imaginar o que estava planeado.
Passados quase dois meses a menina Cândida fez anos no dia 26 de Novembro e o Cláudio entregou-lhe um envelope com o bilhete da MSC para o cruzeiro a realizar-se nos Emiratos Árabes Unidos, Qatar e Bahrein, não mais do que uma prenda de anos. No entanto a notícia correu o mundo, Carlos e Júlia estavam a viajar num cruzeiro pelas costas Brasileiras, foram apanhados com a notícia narrada. Ambos ficaram surpreendidos e sentidos ao saberem do sucedido.
Como podemos ver como certas coisas acontecem e que guardar segredos podem por vezes serem parte integrante da felicidade de muitos.

31 JANEIRO - Todos ansiosos que este dia chegasse no entanto um pouco apreensivos com o que se esta a passar nalguns recantos do mundo. O aparecer de um flagelo vindo da China que já contagiou uns milhares de chineses e o alastrar por alguns países. Esta epidemia tem o nome de “Corona Vírus”. Os primeiros casos suspeitos foram notificados
a 31 de Dezembro de 2019, com os primeiros sintomas aparecendo algumas semanas antes, em 1 de Dezembro. O primeiro diagnóstico específico para detectar a infecção, a presença de Covid 19 foi então confirmada em 41 pessoas na cidade chinesa de Huhan. Estes casos são de pessoas que trabalhavam num mercado de produtos de mar. A primeira morte ocorreu a 9 de Janeiro de 2020 e o governo chinês informou que o novo coronavírus pode ser transmitido entre seres humanos. Nessa altura vários profissionais de saúde foram contaminados e a OMS alertou que era possível um surto mais amplo. Houve também preocupações de se espalhar mais durante a alta temporada de viagens na China por volta
do Ano Novo Chinês. Já a 20 de Janeiro registou-se um aumento acentuado nos casos com 140 novos pacientes e noutras cidades como Pequim com duas e Shenzhen com uma. A 23 de Janeiro Wuhan, Huanggang e Ezhou foram colocadas em quarentena. A 24 de Janeiro confirmado na Europa o 1º caso, mais precisamente em França. Neste início muito se fala da origem deste mal, tal como mutação dos morcegos ou pelo pamgolim, o certo é que o coronavírus causa várias infecções respiratórias nos seres humanos, ou seja é tudo o que se sabe até este momento de partimos para o tão desejado cruzeiro.
Combinamos estar duas horas antes da partida no aeroporto a nossa saída está marcada para as 20h45 no voo EK194 da Emirates, tratando-se de uma 6ª feira o trânsito costuma ser caótico no trajecto que iniciámos pela IC19, com alguma chuva fomos indo até casa do Carlos onde combinamos o nosso primeiro encontro para de seguida irmos ter com o Cláudio que já estava no aeroporto. Malas e pessoal descarregado, lá fui procurar estacionamento no bairro dos Olivais Sul, acontece que esta zona está ciscada de
paquímetros, foi já fora dos locais habituais que consegui arranjar um lugar que não despertou grande segurança, vamos ver quando o vier buscar aqui a 7 Fevereiro. Agora outro problema, está a chover um pouco, tenho chapéu-de-chuva, mas não o poderei levar porque levá-lo para o avião seria outro problema, vou-me por a caminho, correndo um pouco e a ainda tenho pela frente praticamente 2 quilómetros. Quando cheguei ao aeroporto estava bastante molhado, tirei o blusão e fui secando pelo trajecto que fomos fazendo. Feito o check-in na Emirates e despacho das
malas, lá fomos indo calmamente para a porta de embarque.
Como de costume levamos umas revistas para nos ajudar a passar o tempo, ouvimos música e fomos vendo uns filmes que já se viram monótonos e pouca paciência, tanto que andar de avião já se torna cansativo para todos. Foi-nos servido um jantar que já não é o mesmo do costume, esta companhia já está também a menosprezar a qualidade das refeições. Cerca das 24 horas, alguns de nós já dormitavam.

1 FEVEREIRO Continuidade da viagem pela noite dentro nesta aeronave super cheia, em silêncio, apenas o barulho dos motores
associado com a entrada de ar. A maioria dos passageiros vão vendo filmes, outros dormindo, no nosso caso nesta altura estamos todos com as pestanas bem abertas à espera de terminarmos a viagem, ainda nos serviram uma espécie de pequeno almoço, passado cerca de uma hora estávamos a desembarcar no Dubai. Este desembarque estava muito bem planeado pela companhia de cruzeiros MSC pois havia indicadores espalhados por todo o aeroporto a indicar o trajecto a seguir não bastando também funcionários da mesma empresa a dar todas as indicações e notícias, algum tempo depois já seguíamos em autocarros para o porto onde nos esperava o tão ambicioso cruzeiro “Bellissima”, navio recente que tinha
entrado ao serviço poucos meses antes. Chegados ao porto fizemos o check-in em pouco tempo, são uns milhares de passageiros que irão embarcar, mas a organização é plena, tanto que há mais duas embarcações neste local que hoje também irão zarpar. Tiramos as nossas primeiras fotos como pano de fundo o navio e entramos nele. Primeiro impacto, quererem-nos vender planos de bebidas, é um factor de lucro que é aproveitado por todos os cruzeiros, oferecem garantias de um bom negócio, mas não nos conseguiram vender qualquer pacote, temos mais opções.
Como o nosso problema da altura era fome, subimos até ao deck aonde está instalado o restaurante para nos ambientar-mos com a movimentação desse local e imediatamente nos sentamos e fomos então deliciarmo-nos com tudo o que pusemos no tabuleiro. Foi desta forma a nossa entrada derronpante, comer beber. Acto consumado, demos início
às voltas de reconhecimento, conhecemos vários locais onde nos próximos dias iremos passar momentos radiantes de seguida até a uma varanda bem lá no alto a olharmos para a cidade do Dubai, apenas vimos prédios enormes, dezenas de guindastes onde irão concluir-se mais e mais edifícios. Alguns são conhecidos mundialmente como o Burj Khalifa, Princess Tower e outros, é espectacular o panorama que temos e os milhões de dólares que fizeram jorrar do petróleo desta zona do globo, que aqui foram bem empregues e originaram as riquezas dum país que contrasta com a miséria e violação de direitos humanos, sendo muitas vezes obrigados a trabalhar sob temperaturas que podem superar os 50° são eles trabalhadores vindos da Índia, Bangladesh, Paquistão, Yemen, Etiópia, Síria e outros que vêm para aqui mal pagos e mal alojados. Noutros tempos aqui só havia areia, tapetes, tâmaras e camelos.
Já a noite se aproximava, demos início a mais uma volta pelo navio à procura de mais criatividades pois vamos precisar de as saber para nos divertimos ao longo dos próximos dias, apercebemo-nos da grandiosidade desta cidade flutuante e sem dúvida temos imensas coisas para nos recreámos.
A hora do jantar aproxima-se e o Carlos e a Júlia resolveram vestir-se de árabes, para nós são mais dois Tuaregues que abandonaram as cáfilas de camelos no deserto carregados de tapetes e com bugigangas bérberes. Saíram-se bem pois olhavam para eles como se fossem um casal de emires cá da terra. Tudo faz parte da nossa diversão em grupo.
Entretanto fomos jantar onde ficamos bem localizados ou seja a meio do salão para que possamos admirar e ver toda a movimentação ao nosso redor. Também compramos um pacote para 5 dias de um vinho extraordinário, mas apenas eu, Sofia e Cláudio o saboreamos a restante malta tiveram outras opções. Finalizado tão nobre acto que é comer uma refeição extramundana, fomos até ao anfiteatro assistir a um espectáculo musical que todos louvamos, Tivemos momentos de enorme atracção pela parte teatral, desempenho artístico, guarda roupa e as lindas mulheres, bem seleccionadas, quem teve toda esta canseira!
Já tarde, mais umas voltas para olharmos ao longe a iluminação desta linda cidade, apanhar um pouco de ar junto às piscinas para de seguida seguirmos para os nossos decks para o repouso merecido, porque as diferenças horários fez que estivéssemos sem dormir umas valentes horas.

2 FEVEREIRO - Por volta da meia-noite o barco fez-se ao mar para navegar até Abu Dhabi, nem uma nem duas apitadelas como é vulgar
quando abandonam um porto, ou seja, como uma despedida e até à próxima chegada no entanto poucas milhas nos separam do destino, é o mesmo país mas com grandes autonomias. Também quando chegamos ao destino não demos por conta, nada de barulhos ou trepidações. Primeira correria foi logo para o pequeno almoço, são cerca de 2500 pessoas que se querem despachar para darem início ao giro deste dia, para nós será visitarmos a cidade pra conhecermos alguns locais, porque com o tempo que iremos ter não podemos ir a todos os lados que gostaríamos. Sabemos que no barco existiam vários circuitos, um deles de jipe pelas areias do deserto que circundam esta cidade, outro de barco por umas ilhas. A nossa opção foi a mais económica, alugamos uma viatura com condutor que nos levasse a todos. Assim iniciamos as nossas visitas começando pelo Louvre de Abu Dhabi inaugurado em 2017, depois de diversos atrasos. Para segunda paragem só poderia ser o autódromo de Yas Marin, voltas fizemos para termos uma panorâmica do circuito, ainda pensamos em alugar umas viaturas para darmos umas voltas pelo circuito, mas neste dia os alugueres encontravam-se fechados, porque aqui ao domingo ninguém trabalha, pelo menos neste sítio. O valor que nos pediam não era caro, soubemos que a velocidade
estava travada, mas era um divertimento que não esqueceríamos. Seguimos para Ferrari World para vermos a grandiosidade destas instalações, aqui tudo é caro até a entrada somente 87,18USD, demos umas voltas pelo átrio, mais umas fotos que não nos custaram nada, um pouco de conversa e satisfeitos por aqui virmos. Partimos para visitarmos a mesquita do Sheik Zayed, primo direito do Carlos Neves e do padrasto da Menina Jula o Mohamed, líder religioso de tão nobre beata alentejana. Foi aqui que as três madres – Cândida, Júlia e Sofia tiveram de vestir um abito, lindo de se ver e ainda mais com uma
cor tão linda, rosa descolorado. Esta vestimenta é para elas não mostrarem as pernas e os braços e andarem com a cabeça tapada, no entanto a madame Sofia andava com meia mama amostra. Nós fomos avisados que não poderíamos dar as mãos às madames ou tocar-lhe, crime, mulher é outra coisa, normas que nada têm a ver connosco, não poderemos esquecer que ainda estamos no século XXI, muito atrasados mesmo. Esta mesquita é considerada a oitava maior do mundo, pode albergar cerca de 50 mil fiéis na hora de oração, vê-se a riqueza na sua decoração, as qualidades e cores dos mármores. Aqui está o maior tapete persa fabricado manualmente com 5627m2, pesa cerca de 50 toneladas, sendo 35 toneladas de lã vindas na Nova Zelândia e Irão, há lustres gigantescos fabricados na Alemanha com milhões de cristais Swaroski há aqui uma enorme fortuna destes Emires.
Mereceu a pena esta visita, seguidamente avançamos para uma vila, Heritage Village, não mais do que um lugarejo que nos faz lembrar a vida do antigamente destes povos, há artesões que mostram como se trabalha o vidro, outros de volta de um tear tecendo tecidos, mas a realidade é um sítio para atrair o turista para adquirir artigos, alguns originários de outros países, nomeadamente da China. Aqui a Sofia achou garça e comprou um vestido tipicamente árabe, já tem vestido para um dia poder visitar a Arábia Saudita. A meio da tarde fomos ver o exterior do Palácio
presidencial, só mesmo ver, pois o amigo do Carlos tinha ido visitar umas das suas 150 mulheres, ausentes dos Emiratos possivelmente serão mais, mas como o Carlos é que sabe, ok. Para finalizarmos esta volta, fizemos mais uns quilómetros pela cidade onde vimos prédios muito altos e grandes avenidas onde circulam carros de baixa cilindrada, razão do petróleo estar muito caro por estas bandas. Agora de regresso ao nosso hotel flutuante, conseguimos ver uns Ferrari, Maserati, Bugatti, Aston Martin e Lamborghini, já no final um simples Rolls-Royce. Agora, já no cruzeiro, fomos dar umas voltas mais até chegar a hora do jantar para de seguida assistirmos a mais um belíssimo espectáculo.

3 FEVEREIRO - Começo de mais um dia que vai ser calminho paranós, no sentido de que estamos habituados a ser viajantes de rotas loucas e
num frenesim de andarmos por locais inóspitos em que a aventura está no topo, vai ser tudo isso que vai estar em falta nesta viagem. Como em todos os cruzeiros os percursos de ligação são feitos durante a noite, ao amanhecer já estamos junto à ilha de Sir Bani Yas, não mais do que um local onde é preservada a vida selvagem de espécies em vias de extinção na Arábia, tais como gazelas, lamas, emas, girafas e avestruzes. Sendo esta ilha um local agreste, também foram plantadas milhares de árvores. Igualmente foi colocada nesta ilha a primeira turbina eólica da região. Como não existe um porto nesta ilha o barco ancorou a cerca de 1 milha para depois os passageiros interessados em passar o dia num ambiente diferente optarem por serem transbordados em salva vidas. Foi um processo moroso e lento apesar de cada um levar umas dezenas de passageiros, só ao fim de duas horas é que veio a nossa vez. Embarcamos e aí vamos nós no bote carregado e conduzido por um marinheiro inexperiente, porque quando fez a acostagem foi depois de várias tentativas e no desembarque a mesma aselhice, desencadeou-se
uma série de manobras para acostar a uma espécie de cais improvisado. Sabíamos que a ida a esta ilha tinha como primeiro propósito as pessoas deslocarem-se para mais uns quilómetros adiante e de deparem-se com uma parte da bicharada. Nós não tivemos interesse, tanto que estamos habituados a irmos para África e vermos todos esses nossos amigos num habitat natural e não forçado como aqui. A nossa opção é passear e irmos apanhar um pouco de sol, pena foi que a praia era à base de calhaus e areia proveniente de corais. Uma novidade – num local limitado tínhamos net gratuita, aproveitamos logo para saber novidades da nossa terra. Quando chegou a hora do almoço o local também improvisado com refeições muito à base de
hambúrgueres, salsichas e saladas. Nesta altura do dia estava muito vento mas o sol ajudava a contrabalançar esse incómodo, conseguimos encontrar uma mesa para almoçar, com sol mas muito ventoso se não estivéssemos com atenção voava tudo (pratos, copos, guardanapos, etc.). A seguir fomos até à praia apanhar sol para nos bronzear um pouco. Conseguimos desta forma descansar e falarmos, íamos vendo ao longe a enorme embarcação que nos vai recolher mais logo. Finalmente começaram as primeiras pessoas a regressar ao barco, novamente transportadas pelo salva vidas. Juntou-
se uma enorme fila pois parecia que queriam ir todos naquele momento, eu e a minha cara-metade resolvemos ser dos últimos, foi isso mesmo que ocorreu, estivemos a ver as últimas movimentações dos funcionários a levantarem toda a logística, mesas, cadeiras, fogões, chapéus-de-sol e tantas outras coisas, como era o último barco a partir o nosso bote ia carregado dessa tralha e apenas poucas pessoas como nós seguiam juntamente. Agora já no barco, fomos até à nossa cabine para desinfecção geral e de seguida fomos procurar onde se encontrava o resto da comandita. Quando chegou a hora do jantar, fizemos romaria até à nossa mesa do costume para mais uma regalada refeição em animada
cavaqueira, somos mesmo um grupo animado que se presa por momentos como este. Como de costume não perdemos o momento de lazer a vermos mais um espectáculo brilhante de dançarinos e harmoniosas músicas de outros tempos, uma maravilha para finalizar uma noite plena e um dia perfeito.

4 FEVEREIRO Será este um dia para encher chouriços, como se diz na voz vulgar do povo, quando não existe nada para fazer nesse dia e não haja nada programado para fazer e tem que se inventar. É o caso de hoje, bem sabemos que faz parte do programa “at sea”, mas porquê estamos tão perto da costa e tão perto do porto de destino porque vamos então ficar no meio do mar, golfo Pérsico. Em cruzeiros anteriores já nos aconteceu isso, estar um dia ou cinco, seis ou mais dias em alto mar para se fazer a ligação entre portos, aqui não faz qualquer sentido. Resolvemos levantar-nos um pouco mais tarde, mas sem abusar porque férias não é ficar na cama mas usufruir das regalias que estão ao nosso dispor sem gastar um tusto a mais. Está um lindo dia de sol, corre uma pequena
brisa e ao olharmos para o exterior nada vemos, apesar de sabermos que estamos tão perto da costa, do lado de cá os Emiratos Árabes Unidos, Qatar e Bahrain, do outro lado um país que adoramos o Irão. Reparamos no gps do telemóvel que nos encontramos mais perto do Irão, sabemos que por perto estão barcos de guerra Americanos, ainda, ontem vimos sobrevoar a ilha onde estivemos aviões F-16, existe aqui um palco de guerra e nós na boca do lobo como se nada se passasse. Fomos todos deitar-nos numas espreguiçadeiras ao longo de um convés já bem concorrido. Como estamos numa de engorda de tempos a tempos lá íamos ao restaurante comer alguma coisa para depois nos
virmos espreguiçar. Foi assim que passamos a manhã, pela tarde fomos fazer arborismo, um desporto de lazer que nos leva à prática de diversas passagens a uma altura de cerca de 3 metros, pode parecer fácil, mas por vezes não é o que parece e lá temos de inventar uma forma de ultrapassar os obstáculos. Tornou-se divertido e seguro, mesmo assim tivemos de preencher um termo de responsabilidade, acho que ninguém morre ou se aleija por tal experiência. Termina tão árdua tarefa e repletos de força, resolvemos ir para os escorregas por tubos aquáticos. O processo é efectuado em cima de bóias que circulam por curvas e mais curvas num percurso interno sem que tenhamos contacto
com o exterior, só no fim quando entramos numa recta e somos projectados para uma zona em que a velocidade é parada com o contacto com maior quantidade de água. Assim foi a nossa primeira passagem, porque resolvemos ir para um outro percurso mais rápido e difícil, dizem eles, pois não tivemos esse ideia, apenas mais rápido e numa altura da passagem por um local conseguimos ver o exterior que passa já fora do barco, apenas no final conseguimos ver que a passagem é a uma altura de umas dezenas de metros, nada de excêntrico. Conseguimos divertir-nos, para mim foi a primeira vez que tive esta experiência bem alegrada. Tantas voltas demos pelo barco,
calculamos que já estivemos em todos os lados, até fomos todos jogar Bowling, conseguimos resultados extraordinários, somos todos uns verdadeiros craques atirar os pinos abaixo, foi assim que passamos a nossa tarde. No final do dia conseguimos ver uma embarcação de pesca típica desta área a navegar perto de nós.
Hoje é dia de festa, para nós todos os dias são dias de festa. Acontece que este barco está repleto de amarelinhos, para nós são coreanos, chineses ou japoneses, todos vestidos a rigor, as madames todas ornamentadas para a sessão de fotos que se seguiram.
Como somos uns cuscos dirigimo-nos para um local onde os serviços da MSC nos ofereceram flutes com champanhe e onde mais tarde estávamos rodeados dos ditos amarelinhos, também entramos na festa, apenas como controladores, mais nada, tiramos fotos a essas madames e apreciamos toda a sua movimentação, uma festa. Festa até às tantas para depois vir o recatado jantar e por fim um programa de música variada, acompanhada por bailarinas e bailéus.

5 FEVEREIRO Esta monstruosidade de barco acostou sem que nós nos apercebêssemos. Quando íamos para o deck do pequeno almoço é quevimos que tínhamos chegado e que havia um lindo dia de sol pela frente. Depois dos trâmites de saída do barco, foi mais uma vez encontrar táxi para todos com um bom preço e que nos passeasse pelos sítios eleitos, foi fácil encontramos um motorista, imigrante da Ásia que queria vir para a Europa. Um dos primeiros lugares que visitamos tinha que ser uma mesquita, pois alguns dos elementos da nossa comitiva já se converteram, nomeadamente a madame Júlia e o mister Carlos Neves. Assim aconteceu, oramos e falamos na Al Fateh Grand Mosque, onde uma irmã, eu chamo-lhe este nome, esteve a dar-nos informações religiosas sobre o Islão. Foi muito simpática, tinha uma cara engraçada e gostamos da sua palestra, conseguiu recrutar mais três, digo duas donzelas, Cândida e Sofia para as suas fileiras, a Júlia há muitos anos que já pertence à confraria, vão ter agora de cumprir serviço militar. Visita concluída, ainda estivemos à espera das donzelas, demoraram tanto tempo a retirarem os muslim abayas que já havíamos pensado que tinham ficado cá de vez. Seguimos para o museu nacional Bahrain onde há tantos artefactos para vermos que nos perdemos, aqui o grupo dividiu-se inesperadamente, apenas já no final é que nos reencontramos. Nós vimos um local onde existem manuscritos antigos mencionados no Alcorão, textos e documentação de astronomia e outros documentos históricos. Há uma área onde estão representadas as formas de vida que existiram e trabalhavam os povos antigos, tudo reproduzido por figuras humanas e objectos em tamanho proporcional, até as galinhas, cães, gatos e pássaros estavam nas mesmas proporções. Também existem um sem número de fósseis e uns restos mortais de um humano com milhares de anos.Não poderíamos deixar de visitarmos o forte de Bahrain, também denominado como forte português de Bahrain. Este forte foi ocupado em 1559 pelos portugueses, mais tarde em 1561, sofreu grandes alterações e ampliações, ali ficaram alguns anos até que em 1602 foram expulsos, passados todos estes séculos os portugueses voltaram, comandados por três contra almirantes e três contra almiranteadas que ficaram contentes do que foi feito pelos nossos antepassados, uns grandes valentes.Fomos de seguida até à zona comercial, enraizada nas ruas estreitas da parte antiga da cidade para fazermos as nossas compras, neste caso ofereci à Sofia um perfume cá da terra "Saheel" onde ela adorou o seu aroma, tão bom é que o comparou logo com outras grandes marcas francesas bem conhecidas. Desta forma o passeio do dia foi passado com evidente sucesso para que fizéssemos o regresso mais uma vez à cidade flutuante, deixando-nos saudades e quem sabe se um dia aqui regressaremos.


6 FEVEREIRO Chegados de madrugada sem qualquer ruído ou vibração, aqui estamos atracados num dos paredões de mais um porto
artificial, construído a partir de grandes areais. Assim vamos sair para visitar a capital deste pequeno país de nome Qatar, tendo como capital Doha. Em tempos este era um dos países pobretanas desta zona, mas com a descoberta do petróleo tornou-se rico. Este povo vivia do cultivo de pérolas e das pescas. Sei que para as mulheres este é um país onde a valorizam pelo seu papel de criar filhos onde por vezes têm 5 filhos ou mais, algumas conseguem ter uma equipa de futebol com alguns suplentes. Os homens conseguem ter 4 casamentos simultaneamente, mas que grandes machos, serão assim as mulheres tão estimadas na nossa mente?
No entanto tem grande vaidade na sua vestimenta, usando as suas abayas, cobrindo as cabeças com o Hijab, no entanto quando saem desta zona gostam de se vestir como as outras mulheres e vão até às praias em bikini para molharem a periquita, tantas as vezes que quando passam por mim e olho para os seus olhos e pergunto a mim mesmo – coisa linda e bem-feita deve estar debaixo daquelas vestes, não tenho qualquer dúvida. Lindas estas mulheres qataris.
Já preparados para sair do cruzeiro, já munidos de um cartão que substitui o passaporte por estas bandas no caso de sermos abordados
pelas autoridades. Imediatamente apanhamos um transfer da companhia MSC que nos retira da zona portuária e nos colocou uns quilómetros mais à frente onde conseguimos negociar com um taxista um valor razoável para nos levar até aos locais já por nós elegidos.
Conseguimos um preço coerente e partimos para o museu de arte Islâmica, seguidamente fomos até ao Souq Waqif um mercado tradicional situado na zona antiga onde os comerciantes vendem de tudo e por vezes produzem outros bens em que podemos assistir na sua labuta. Aqui se cruzam duas civilizações bem distintas a nossa e a deles, contrastes que nos fazem reparar tantos nos homens ou mulheres que se vestem com todo o rigor, eles com mais cagança, dão-nos a pensar que têm todo o orgulho de assim se apresentarem, roupa impecavelmente passada a ferro, sem uma ruga e assim se passeiam entre a multidão que os olham.
Vai ser neste país tão pequeno que se vai realizar o campeonato do mundo de futebol no ano de 2022, controverso depois de várias acusações de corrupção, mas foram os Suíços em 2015 que promotores federais deste país abriram uma investigação de corrupção e lavagem de dinheiro. O que aconteceu foi que o dinheiro vale tudo e nada foi comprovado, mas a realidade foi outra.
Encontramos num jardim um grupo numeroso de mulheres qataris com os seus trajes diários munidas de cadeiras e mesas a petiscarem, a sua simpatia foi de tal ordem que ofereceram às nossas mulheres água e doces gulosos, atitude que louvamos, vimos também a frota de automóveis que lhes pertenciam, só grandes marcas, serão estas
mulheres pobres, pobres mesmo!
Fizemos um extenso percurso por ruas e avenidas para ficarmos conhecedores do quotidiano desta cidade para seguirmos até a uma praia também para vermos a movimentação, apenas meia dúzia de pessoas por ali estavam a caminhar ou apanhar um pouco de sol, reparamos nos anúncios colocados em placas para que o turista visse bem as normas do comportamento para serem usadas, tais como os calções ou fatos de banho para as senhoras, nada de bikinis. Estamos na zona de Katara, uma vila cultural onde há edifícios modernos misturados com uma arquitectura milenar mas construída nos
últimos anos, contraste perfeito. Ficou para o fim do percurso a visita ao museu nacional do Qatar inaugurado no ano passado baseado na rosa do deserto, um cristal que se encontra com alguma frequência quando caminhamos pelos desertos desta zona ou de África. Edifício Megalónimo com uma área de 52km2, onde o betão e a fibra de vidro dominam a sua composição.

Já satisfeitos com tudo o que aqui fizemos regressamos à nossa casa flutuante para o merecido descanso. Já noite estivemos num dos últimos decks a observar como se constrói mais uma ilha à base de areia, centenas de operários de máquinas a martelarem e a porem estacas de sustentação para ampliação da gare marítima, mais outra monstruosidade aqui está a nascer. A cidade à noite vista daqui é belíssima com as luzes a reflectir nos edifícios lá ao longe, admirável.

7 FEVEREIRO Hoje chegámos à penúltima etapa desta nossa viagem, não passaram dumas curtas férias que nesta altura digamos foram muito boas; mas já se estão acabar, como é possível!  
Encontramo-nos no Dubai, outra cidade dos Emiratos Árabes Unidos, conhecida pelos centros comerciais de luxo e seus grandes edifícios, um deles o Burj Khalifa, tem 160 andares habitáveis com uma altura de 828 metros, incluindo a antena, 58 elevadores e um consumo diário de água que se cifra num milhão de litros diários. É também nesta região um dos locais mais quentes do mundo, em contrapartida o inverno é agreste onde a temperatura ronda os 30˚, chamarmos inverno com uma temperatura destas! Para nós inverno é frio, vento, neve e chuva.
Vamos iniciar as nossas voltas por esta cidade, logo de início viajamos num Abra, é um barco de madeira típico que fez a travessia de um canal entre Deira e Bur Dubai, uma zona comercial, Creek onde visitámos vários souks, e vivemos um bocadinho do Dubai autêntico, aqui tivemos a genuína cultura árabe. Neste local existem centenas de lojas onde se pode comprar ouro, especiarias e perfumes, aqui se misturam aromas dos temperos e bálsamos, todos ficamos admirados como se vive neste bairro, tão independente que é dos restantes sítios desta cidade do Dubai ultra moderna. Como temos todas as horas contadas para podermos aqui estar tantas coisas abdicámos de ver, por essa razão fomos apanhar o metro para Dubai Marina Mall, trajecto longo, agradável, pois tratando-se de uma viagem à superfície deu para apreciar a pertinaz construção ao longo do seu itinerário.
Após a chegada deparamo-nos com edifícios modernos de construções megalómanas que estão por todo o lado, em alguns sítios recortados por um braço do mar que por ali entra, foi sem qualquer dúvida a riqueza das jazidas de petróleo que fez florescer este recanto do planeta, quando há poucos anos era areia e miséria.
Caminhamos ao longo do canal apreciando a multiplicidade das construções para de seguida apanharmos uma lancha que nos levou até à palmeira de Jumeirah. Foi um percurso ao longo da costa muito divertido, conseguimos ver do exterior uma parte do complexo, mas de maneira alguma a ideia que tínhamos quando nos mostram fotos aéreas
da figura que temos na mente a palmeira gigante, pois não teve o impacto que idealizámos. Regressamos à marina onde o sol já se encontra baixo, o final do dia aproxima-se e o reflexo deste nos edifícios vidrados é fantástico. Começamos a caminhar em direcção ao Burj Khalifa para presenciarmos o espectáculo nocturno. É um corrupio de multidões na mesma direcção, todo o mundo se encaminha para lá, porque todas as noites é promovido
um show com luzes, água e música em que junta centenas de pessoas empoleiradas em tudo que é sítio para verem durante alguns minutos um assombroso espectáculo. Tão grandioso quando são projectadas imagens com tonalidades azuis, vermelhas e outras na totalidade deste monstruoso edifício. Também os jactos de água expelidos a grande altitude tornam mais fervorosa esta ocasião. Aqui finalizamos o passeio de hoje, fomos apanhar o metro e regressar pela última vez à nossa casa flutuante que nos tem acolhido nestes dias. Vamos no entanto ter a trabalheira de fazer as malas, porque pelas 4h00 da madrugada temos de começar a sair e seguirmos para o aeroporto.

8 FEVEREIRO Deitamo-nos tarde e pouco dormimos porque eram
cerca das 4h00 já nos encontrávamos num dos átrios do navio à espera para sairmos, não conseguimos entender porque saímos tão cedo quando o avião vai partir às 7h30 e o aeroporto está quase aqui ao lado, por esse motivo rapidamente chegámos e tivemos pela frente uma seca, esperar pela hora do embarque e tentar passar o tempo a dar umas voltas e comprar qualquer coisa.
Chegou entretanto a hora de embarcar no voo EK191 e aí sim começou a nossa viagem de regresso com saudade de não continuarmos mais uns dias por estas bandas. Como sempre o tempo dentro dos aviões custa a passar, temos de inventar qualquer coisa para nos entreter ou falar, assim esmiuçarmos as mentes para alcançarmos a nossa pátria por volta das 13h00. Foram fantásticos estes curtos dias, ficamos à espera da próxima viagem que poderá ser para…

 

 








domingo, 17 de novembro de 2019

Estrada Nacional 2 - stage 2 - 2019









Dia 1 de Novembro de 2019, reiniciamos mais uma etapa nesta viagem que nos propusemos fazer, pela N2. Vamos iniciar mais uns quilómetros sem grandes pressas, porque queremos usufruir o mais possível das vilas, aldeias e lugares deste Portugal.

Este percurso para a Sofia e o Gilberto vai ser feito numa fantástica autocaravana Hymer, sendo para nós uma novidade, mas só no final iremos fazer a nossa avaliação, no entanto estamos de veras desejosos por iniciarmos esta nova etapa da nossa estadia no planeta Terra, que vai ser fantástica, apesar de já ter conduzido a autocaravana do Orlando, mas desta forma vai ter outro impacto; andar 3 dias a fazer uma condução em pleno.

Combinamos encontrarmo-nos, no stand Antunes & Garcia que fica na margem sul, ou seja, no deserto além Tejo cerca das 9h00, dia 1 de Novembro, dia de todos os santos, só seis desses santos vão viajar com destino a São Pedro do Sul, são eles – Cândida; Carlos; Cláudio; Gilberto; Júlia e Sofia, equipa de seis viajantes terráqueos. Atravessamos a ponte Oliveira Salazar, poucos portugueses sabem onde fica tal travessia em direcção a Sacavém, Vila Franca de Xira, Carregado e Pombal e aí saímos da auto estrada para a Nacional 1, passando por Coimbra, seguimos para a estrada da morte (IP3), onde nos deparamos com diversos engarrafamentos, prosseguimos em direcção a

Viseu, por fim chegamos a São Pedro do Sul já eram horas de almoçar. Na verdade, o restaurante (Adega do Ti Joaquim) já estava marcado pela Júlia e ainda bem que o fez porque a sala estava totalmente cheia, com as comezainas que as pessoas aproveitam para fazer neste feriado o problema é que ficam a fazer sala, falam, quase dormem e não desarredam pé. Quando nos sentamos já eram umas duas horas e tal e a chuva caía incessantemente, almoçamos bem e julgo que fomos os últimos a sair, não porque estivéssemos a fazer sala, somente porque entramos muito tarde e esfomeados de tal maneira que comemos calmamente, dificilmente teremos vontade de jantar, mas vamos pensar nesse assunto mais tarde. Terminada tão farta refeição demos umas voltas por esta cidade da província da Beira Alta onde existem as tão famosas termas que são as mais frequentadas do país, sendo exploradas desde o século I em que os romanos aqui estiveram a aproveitar tão fértil região. Mais tarde D. Afonso Henriques mandou edificar o balneário, actualmente com o mesmo nome, com o passar dos anos foram construídas novas instalações.

Diz-se que o rei D. Afonso Henriques em 1169, frequentou as termas para se restabelecer de uma fractura de uma perna. Ao contrário do que nós pensávamos a água brota a uma temperatura de 68,7°

Passamos junto ao solar dos Malafayas, construído no século XVIII que teve como último proprietário Joaquim Telles Freyre D’Almeida Mascarenhas que na altura ficou desgostoso com a construção de uma estrada mesmo junto ao solar, ou seja aquela que passamos, agora alcatroada, resolveu mudar-se para outro local, cagando completamente neste edifício e nesta terra, agora encontra-se em ruínas há dezenas de anos, onde se pode ainda ver o brasão dos Malafayas.
Já era noite quando resolvemos ir para o parque de campismo de Vouzela situado na encosta da serra do Caramulo, numa zona que esteve já densamente arborizada, agora tudo queimado à sua volta, graça aos incendiários, porque infelizmente neste país não há lei para os lixar a todos, como por exemplo, eram-lhe retirados todos os bens e que tal uns 20 anos à sombra.

Como já tinha referido, nesta altura a fome não existe, então optamos por fazer uns chás para reconfortar o estomago e aproveitarmos para confraternizar todos dentro da cómoda e enorme autocaravana Hymer, vamos falando e olhando para a televisão. Já era tarde quando todos decidimos ir descansar, pois o cansaço já está a apoderar-se de nós e amanhã vamos ter que estar em forma porque espera-nos mais um dia cheio de histórias sobre esta extraordinária N2.
Choveu durante grandes períodos da noite, foi o que me disseram porque quando adormeço só muito barulho me acordaria a chuva por sua vez ajuda-me adormecer sossegadamente.

Entretanto a luz do dia chegou e seguidamente todos preparados para nos irmos embora, fomos pagar a nossa estadia no parque pela módica quantia de meia dúzia de euros que quando a Júlia ontem à noite perguntou se não havia descontos por isto ou por aquilo o funcionário informou que nada daquilo que falou tinha ali descontos, mas quando fez o documento de quanto teríamos de pagar nos disse que havia uma promoção 50%, assim superou todos os descontos que a Júlia mencionou, agora com todas estas benesses já pode comprar umas botas ou umas calças, assim é que ela fica rica mais depressa. Já nos encontrámos em Vouzela para tomarmos o pequeno almoço numa pastelaria meio antiga, mas que não tinha os tão famosos pastéis de Vouzela, fiquei com pena porque era a altura de pelo menos saborear um, fiquei-me por uma sandes com fiambre no final

apercebi-me que a maioria teve opção idêntica. Terminado o pequeno almoço fomos embora para conhecer esta vila que ardeu 90% da sua área florestal em 15 de Outubro de 2017. As obras que foram feitas nalgumas ruas e praças trouxeram benefícios para a população e forasteiros. Os prédios continuam bem cuidados e o comércio floresceu, há novas apostas em produtos que em anos atrás não se viam, Numa rua estava um carro com escada magiros dos bombeiros a limparem as caleiras de um prédio que na altura tinha muita lama, por aqui se vê os cuidados existentes para manterem uma boa aparência desta vila. Visitamos uma ponte que tem indícios de que parte dela foi construída nos tempos dos romanos, depois outras civilizações fizeram alterações, hoje monumento nacional para se apreciar e gostar. Por aqui existem muitas casas solarengas com as suas sacadas e escadas de pedra viradas para a rua, algumas que mantiveram o traço

de outros tempos, janelas de guilhotina, portadas divididas de 8 vidros em que nos fazem reviver outros tempos, quando era criança, para outras gerações não trazem qualquer referência, até uma porta que é tão baixa, mas usou-se assim. Ainda nos faltava duas situações para visitarmos, sendo a primeira e estação do caminho de ferro que apenas existe o edifício, linha de comboios nem vê-las, graças aos nossos gentis governantes que vierem depois de 25 de Abril que só lixaram o país e destruíram o que de bom existia, hoje este local é um terminal de camionagem que nesta altura estava às moscas. Fomos então para o 2º local a ponte por onde ele passava, vimos uma antiga locomotiva a vapor comprada à cerca de 100 anos aos alemães, ali está ela a repousar dos anos de fadiga e a encher de sonhos por quem lá passa. Sobre a ponte, estivemos em cima dela a olhar para o vale e rio que por ali atravessa, local lindo e nostálgico. Nesta altura começou a chover e lá tivemos de retroceder e abrigar-nos debaixo de uma árvore com muita folhagem que nos aguaritou.

Havíamos combinado que íamos passar pela terra da avó e mãe da Cândida na aldeia de Paranho D’arca onde foi colocar flores na campa da mãe, visitamos a casa de família que está degradada, mas existe a ideia de ser restaurada e lhe dar um aspecto acolhedor. Viemos depois até ao local onde tinha ficado a autocaravana a mais linda das três, tiramos umas fotos a uma anta da idade megalítica que faz parte de várias fotos publicadas em livros e de uma outra pedra que representa uma figura, mais parece o pato donald, mas de certeza que tem outro significado, num roteiro da freguesia vi que é conhecido pela Pedra de Toutedo. Fiz uma consulta sobre esta anta e eis o que descobri:

Lenda da anta de Paranho de Arca
A anta de Paranho de Arca foi erigida por uma moura e a laje que se encontra horizontalmente em cima das que servem de pilares foi lá colocada pela dita moura que a trouxe-a à cabeça a fiar uma roca e com um filho ao colo. A dita moura aparece todos os anos na madrugada de S. João a fiar uma roca em cima da anta e rodeada por objectos de ouro. Ao feliz mortal que lá passar em primeiro lugar lhe será perguntado de qual gosta mais; se dos olhos da moura ou dos objectos de ouro que ela lá tem. Como todos têm dito

que gostam mais dos objectos de ouro, eles se têm sempre transformado em cinza devido aos poderes mágicos da moura. Só conseguirão os objectos de ouro quando se agradarem mais dos olhos da moura e não do ouro.
Consta ainda que debaixo da referida anta existem objectos em ouro e que tal ouro se conseguirá com a reza do livro de S. Cipriano. Algumas dezenas de anos são passados depois de 3 ou 4 fulanos lá foram à meia noite com umas luzes rudimentares, para efectuarem no local a devida reza do dito livro para tentarem levar o ouro. Conta-se que logo nas primeiras leituras se levantara tal ventania que todos eles fugiram espavoridos, cada uma para seu lado em direcção a suas casas.
Como podemos ver vivemos num país de lendas e cada terra tem a sua, porque o povo é fértil em imaginações.
Iniciamos o percurso para Tondela cruzando a serra do Caramulo passando por locais outrora, verdejantes agora paus queimados e cinzas, sem dúvidas este Portugal é para ficar todo ardido, é o que estamos a ver nos últimos anos que grandes áreas são queimadas, sem que os governos que vão passando façam algo de positivo, são os negócios dos madeireiros, bombeiros, aviões e helicópteros. Não há lei na nossa terra, somente para o pé rapado que rouba €500 vai preso ou outros gandis, estão em liberdade e com carta branca para poderem continuar a fazer das deles.

Continuando viagem para Tondela, telefonámos para um restaurante a marcar 6 lugares para almoço, aquele que era o nosso eleito, já não havia marcações, tivemos de optar por um outro, na realidade também fomos bem servidos, quando finalizamos a nossa refeição fomos até aos bombeiros voluntários para carimbar os passaportes que as senhoras possuem, é uma brincadeira que estão empenhadas em terem os carimbos de todos os locais indicados para serem visitados, porém os sítios onde devem ser carimbados neste fim de semana estão todos encerrados, não sejam eles serviços operados pelos funcionários públicos. Só devem estar a funcionar nas alturas em que não haja ninguém que é para poderem ausentar-se e não fazer nada. E nós todos a pagar para sustentar estes chulos que nunca fizeram nada. Neste dia havia festa, muitas crianças estavam felizes por poderem passar um dia com os bombeiros, passearam, fizeram caminhada e serviço público apanhando papéis que este povo porcalhão vai deitando para o chão, no final um grande almoço no quartel dos bombeiros, exista cooperação deste género em alguns sectores da sociedade e verão como a nossa terra terá um andamento muito superior ao actual. Desculpem devo estar a sonhar.

De regresso à N2 com destino a Santa Comba Dão, terra de um grande estadista de outros tempos em que nos últimos anos de governação se tornou ditador, ou seja ele sempre o foi porém no início do seu mandado era preciso um homem com tomates para encarar um país que era um caos, com os governos sempre a caírem, golpes de estado e assassinatos, era o que vinha acontecer desde a implementação da república.
Havíamos estado aqui nesta terra quando íamos começar a nossa rota da N2, altura em que havia grandes preparativos para a festa do corpo de Deus, hoje nem sinais de festa apenas o céu bastante nublado com alguns aguaceiros que vão aparecendo. Fizemos uma volta pela cidade, também fomos aos bombeiros atrás do carimbo para seguidamente irmos para o parque de campismo do Luso para repousar as amarguras dos dias de chuva que temos tido e os dias agora serem muito mais pequenos, é pena se fosse no verão havia outros impactos agradáveis. Novamente reunidos no salão da Hymer, onde houve vinho verde, bolos, queijos e conversa até às tantas. Foi numa das conversas que a menina Jula disse encontrar-se abandonada, aqui vai a letra de abandonada:


Abandonada por você
Apaixonada por você
Eu vejo o vento te levar
Mas tenho estrelas para sonhar

Abandonada por você
Tenho tentado te esquecer
No fim da tarde uma paixão
No fim da noite uma ilusão
No fim de tudo, a solidão

Mas você não vem
Nem me leva com você
Toda essa saudade
Nem sei mais de mim
Onde vou assim
Fugindo da verdade?

Abandonada por você
Apaixonada por você
Eu vejo o vento te levar
Mas tenho estrelas para sonhar
E ainda te espero todo dia.


Terceiro dia desta fuga, despertar cedo para aproveitamento a luz do dia, algum nevoeiro paira e como choveu durante períodos da noite as nossas caravanas estão molhadas, mas não nos afectou, caso do Cláudio como tem uma cobertura para resguardo do local onde dormem, este está molhado devido à condensação, mas foi recolhida e será em casa que irá

secar. Agora já prontos para darmos a partida para o Luso onde iremos tomar os pequenos almoços numa pastelaria já conhecida onde há bons bolos e um pão delicioso. A seguir estivemos a observar a quantidade de pessoas que trazem garrafões para se abastecer de água do Luso, é continuo este processo e lá vão todos carregados, situação engraçada terem água gratuitamente de enorme qualidade. Outras fontes podiam ter mesma atitude, mas nem pensar, há que ter lucros fabulosos, muitas vezes ilusão dos empresários. Mais adiante fomos até à estação do caminho de ferro de Santa Comba Dão que fica ainda muito longe da cidade. Noutro tempo tal estação era muito frequentada, podemos ver pelos edifícios que a rodeiam, hoje degradados e abandonados, mais parece uma zona de fantasmas. A determinado momento chegou um táxi que ficou à espera que o comboio chegasse para levar algum cliente que o tinha solicitado e nem mais vivalma. No cais de embarque estavam estas 6 aves penadas que mais pareciam que iriam embarcar, mas apenas íamos ver como é que era noutros tempos, sabemos que ainda passam por aqui comboios, mas não me digam que é resultado da evolução, pelo contrário, neste sector Portugal retrocedeu graças mais uma vez aos políticos

que escorraçam a população acabando com os combóios. Este sector foi desaparecendo graças a uma célebre espécie que o povo anónimo e estúpido escolheu de nome Encavado Silva, um “pobre” coitado, dito por ele que comentou em dado momento - como se consegue viver com o ordenado que tinha na altura. Mas falando de pobres, iremos dar continuidade ao nosso passeio de hoje e visitar a casa onde sim, nasceu um grande homem pobre e foi pobre toda uma vida, é que nunca roubou nada a ninguém de nome Oliveira Salazar. Tiramos as nossas fotos de ocasião e abalamos para uma terra muito próxima, que ninguém conhece, tal nome não é nem parece nome de terra ou de nada “ Óvoa”, que lhe foi dado foral no ano longínquo de 1514, na verdade não morreu no tempo e assim continua forte até aos dias de hoje, não avançou no tempo. Foi uma fuga até este lugar onde podemos ver um pelourinho, diferente de todos os outros que já vimos, um mini museu etnográfico, uma fonte de 1933 onde ainda se pode beber água, uma igreja, etc., isto numa antiga freguesia com 837 habitantes, apenas, quando em 1801 tinha 1503 habitantes, nessa altura ainda era vila e tinha mais duas freguesias a Almaça e Farinha Podre.

Demos uma fugida até à barragem da Aguieira para observarmos o nível da água, porque tanto se tem falado da falta de chuva em que as barragens estão muito vazias. Lembro-me perfeitamente de quando eu noutros anos do antigamente atravessava estes vales onde a N2 marcava a sua passagem e parávamos ao anoitecer ou já noite e gritávamos no vale para ouvirmos o eco, fantástico, também em determinado lugar cruzávamos uma aldeia e a ponte Salazar que agora estão totalmente submersas, tempos que já lá vão, agora só a nostalgia nos faz recordar.
Já havíamos combinado que noutra etapa teríamos de passar por Mortágua, mas afinal fizemos um pequeno desvio e fomos até lá, primeiramente carimbar os passaportes das madames e também darmos uma volta para ficarmos a conhecer um pouco desta terra, na verdade, pouca história tem até o seu centro é pobre, foi o quartel dos bombeiros que mais

nos chamou atenção, mais uma vez a simpatia de todos os elementos com quem trocamos algumas palavras e as viaturas antigas que são objectos da história desta corporação, até nos informaram que podíamos almoçar tendo como a melhor iguaria a “lampartana” confeccionada com carne de ovelha que depois de preparada e condimentada é colocada numa caçoila de barro e vai ao forno de lenha, o mesmo onde se coze o pão, acompanhado com batata com pele, grelos, pão caseiro e vinho do Dão. Como há amigos que não gostam de carne de caprinos optamos em ir almoçar noutro local, a opção é em Penacova no restaurante Panorâmico, local que já é conhecido por mim e pela Sofia, vamos também almoçar bem e onde teremos uma vista deslumbrante sobre o rio Mondego. Foi o que aconteceu, bom almoço, ambiente agradável e uma vista esplendida, tudo bom. Finalizada tão difícil tarefa, foi descer a rua íngreme e ir aos bombeiros para... Não vou perder tempo a escrever o resto.

Seguimos para a livraria do Mondego para as fotos tão desejadas, alguns de nós não sabiam que este nome é dado aquela formação geológica com cerca de 400 milhões de anos, ou mais estes livros não se vão estragar nos próximos milhões de anos. Seguidamente mais umas voltas demos até atingirmos Vila Nova de Poiares onde a noite pairava e os chuviscos iam aparecendo, apenas serviu como paragem no quartel dos bombeiros e mais nada vimos desta vila. Voltamos á nossa via de circulação para atingirmos Góis e mais uma vez nada se viu desta terra foi parar defronte dos bombeiros e decidirmos que via utilizaríamos para regressar a casa. Por conhecimentos do Carlos seguimos por uma via estreita e que subia parte da montanha para mais alguns quilómetros à frente apanharmos aí uma estrada que nos levou até ao restaurante Manjar dos

Leitões, mas não se comeu leitão a opção foi comer alguma coisa, porque a fome ainda não pairava nas nossas barrigas. Pouco tempo demoramos e prosseguimos a nossa marcha até Lisboa onde o Carlos e Júlia ficaram pelo caminho de casa, os restantes foram até à outra banda, onde deixamos a encantadora auto caravana com muita saudade porque eu e a Sofia já estávamos tão acomodados a ela que dificilmente a iremos esquecer, fomos felizes nestas voltas e agradecemos a amabilidade do Cláudio em nos ter oferecido tal prazer. Assim findou mais uma etapa na N2, ficando todos à espera de virmos a recomeça-la logo que tenhamos um fim de semana prolongado, vamos esperar que não demore. Ainda deitei a brasa para que na 6ª feira Santa dia de Páscoa dias 10, 11 e 12 de Abril do próximo ano de 2020 se inicie a 3ª etapa, nessa altura os dias já são maiores e o tempo costuma estar melhor do que agora.

Vamos então estar todos atentos e ficar à espera, até breve com uma pequena história do Califa, isto porque a 31 de Janeiro vamos todos para um cruzeiros em terras de Califas e Emires.


O Califa e a sua mulher. 

O Califa mandou chamar o secretário:

-Tranque a minha mulher na torre enquanto estou de fora – ordenou.

-Mas ela ama Vossa Majestade!

-E eu amo-a – respondeu o Califa -, mas sigo um velho provérbio da nossa tradição:

“Emagrece o teu cão e ele te seguirá; engorda o teu cão e ele te morderá.”

O Califa partiu para a guerra, voltando seis meses depois. Ao chegar, chamou o secretário e pediu para ver a esposa.

-Ela abandonou-o – foi a resposta do secretário. – Vossa Majestade citou um lindo provérbio antes de partir, mas esqueceu-se de outro ditado árabe: “Se o teu cão está preso, acompanhará qualquer pessoa que lhe abra a sua jaula.”

 

 

 

 

 







Momentos Felizes - 2025

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