A PROCURA
DE
OBELIX

7 Agosto –
Sintra – Mérida (321km)
Há muitos anos que não passávamos as nossas
férias na Europa, uma das razões deveu-se ao facto de termos adquirido uma
autocaravana e o mundo estar a sofrer com uma pandemia que arrasa toda a
população mundial.

Entendemos que ficarmos no nosso continente
é um facto hábil de entendimento de todos os intervenientes que vão ingressar
nesta viagem. Ficaram em terra dois dos habituais participantes, Catarina
(Tana) e Guilherme (Gui), pelo motivo de não estarem vacinados e nos países que
vamos visitar, poderem pedir o certificado de vacinação, um documento usado
neste momento em quase todo o mundo. Dois meses atrás delineou-se um possível
trajecto para a nossa viagem, mais tarde esboçou-se as etapas, percurso e
quilometragem diária. Num fim-de-semana prolongado em que fomos todos até ao
Algarve, no regresso fomos falando pelos rádios como é nosso costume e numa das
conversas, achamos o nome que iríamos dar a esta digressão, tendo o arbítrio
por maioria apoiado o nome de “À Procura do Obélix”, tratando-se do maior
trajecto ser efectuado em território Francês, optarmos por este herói Galês. Assim chegou a hora da partida, combinamos
encontrar-nos pelas 8h00, ponto de encontro na estação de serviço sul da ponte
Vasco da Gama. Quando chegámos já lá se encontravam o Carlos e a Júlia, apenas
os cumprimentos da praxe e iniciamos a nossa viagem em direcção a Mérida. O dia
assemelha-se maravilhoso e perante tal temperatura fizemos num ápice o percurso
até Mérida. Nós já estivemos em Mérida, porém os nossos parceiros vão conhece-la
finalmente, fizemos a nossa primeira paragem junto à velha ponte romana que
atravessa um rio tão conhecido de todos os portugueses, o Guadiana, percorremos
algumas dezenas de metros nessa ponte, de seguida decidirmos ir de carro para o
outro lado, mas tivemos alguma dificuldade no estacionamento das viaturas a do
Carlos não teve grandes problemas pois a altura o favorece, no meu caso esse é um
imenso problema, também o comprimento nalgumas condições torna-se problemático,
mesmo assim com todas as dificuldades arranjamos lugares em locais distantes um
do outro.Bem perto ficamos do teatro romano construído no século I e restante
cidade que faz um conjunto arqueológico classificado pela Unesco em 1993.
Fizemos um percurso extenso e em determinada altura, alguém chama pelo Carlos
era o Cristiano e a Ana que juntamente com a filha passeavam por este local,
mais um pouco de conversa, seguidamente mais umas voltas para ficarmos a
conhecer melhor a zona histórica da cidade, não fomos visitar o viaduto de
Mérida, foi uma pena, até não ficava distante. O nosso cansaço já se fazia
sentir, pois o calor que estava era sufocante e sendo o nosso primeiro dia de
férias não quisemos mais aventuras, demos por terminado o passeio e fomos
pôr-nos ao caminho para encontrar um parque de campismo para pernoitar. Fomos
encontrar um bem perto na antiga estrada NV, onde nós já havíamos estado há
mais de 30 anos com os nossos filhos nessa altura umas crianças em que o
Gonçalo deveria ter uns 3 anos e o Ricardo cerca de 10 anos, eles adoravam ir
para parques onde existissem piscinas.



8 Agosto –
Mérida – Ávila – Segóvia (395km)
Começo da etapa para hoje que irá
prolongar-se por cerca de 400 quilómetros por vias que nos irão regozijar com
paisagens fantásticas desta nossa vizinha Espanha. Percorrida uma parte do
trajecto, deparamo-nos com uma pequena povoação que no seu lado altaneiro se
ergue um lindo castelo gaiteiro na base uma pequena ponte secular que lhe dá
acesso, aconselho a quem fizer este trajecto na SA-102, estrada secundária faça
uma pequena paragem para apreciar esta pitoresca vila.

Alcançámos mais tarde a cidade de Ávila
numa manhã de imenso calor e a hora de almoço se avizinhava. Procuramos uma
sombra que não encontrávamos, Acabamos por parar debaixo de um alpendre numa
zona restrita que é pertença da praça de touros desta cidade. Alguma vez pensei
em vir petiscar num local destes, mesmo na entrada para o curro, as únicas
bestas presentes somos nós, mesa e cadeiras postas para nos sentarmos e aí
estamos nós a comer os nosso petiscos e bebermos as nossas mejecas, bem
aprazível este momento. Acto finalizado e entramos no acesso às muralhas,
estacionamos as nossas casinhas e lá fomos caminhando por esta linda cidade
preservada no tempo ao fim de tantos séculos de existência. Já havíamos estado
aqui há muitos anos no entanto os nossos parceiros Carlos e Júlia ainda não
haviam aqui chegado, as suas caravelas passavam muitas vezes ao largo, mas com
medo dos piratas que por estas terras vagueiam ainda não se tinham aventurado.
Agora somos 4 corsários e ninguém se mete com este inimigo. Uma das razões é
que foi aqui fundada a Ordem das Carmelitas Descalças a que pertencem as duas
Carmelitas que nos acompanham; Sofia e Júlia duas peregrinas dos grandes
passeios. E foi um grande passeio que efectuamos por dentro das grandes
muralhas acabando a nossa visita no miradouro situado no exterior, não mais que
um local atractivo para observar a cidade de uma outra feição. Hoje ainda temos
que ir até Segóvia distância curta que não podemos descurar. Mas estamos em
alguma corrida, nada disso, amanhã vamos intercalar com outros corsários nos
arrabaldes de Bilbao, não nos podemos atrasar. Foi rápida a chegada a mais outra
lindíssima cidade que em tempos Romanos era cidade militar e um centro têxtil
na época Mourisca. Primeiro local onde fomos, teria de ser o Aqueduto com os
seus 28 metros de altura no seu ponto mais alto e com mais de 15 quilómetros de
comprimento, alguns subterrâneos. Quase ali ao lado a casa dos bicos, pensam que é só Lisboa que tem uma casa dos bicos, venham aqui a Segóvia e veriam qual
das duas é a mais linda e qual a cópia de quem…Não ficamos por aqui, estivemos na Plaza
Mayor, igreja de San Esteban, San Millán na de San Martin a catedral e a
Juderia, terminando a ver o Alcázar, obra possante na defesa do ilustre da sua
época, Daqui avista-se uma vasta área deste território.






9 Agosto –
Segóvia – Bilbau (369km)
Hoje foi o dia de nos encontrarmos com os
restantes elementos do grupo, nesta altura já eles estão a caminho para se
encontrarem connosco daqui a alguns quilómetros. Como estamos sem grandes pressas
a alvorada foi um pouco mais tarde, apesar de hoje termos de fazer cerca de 400
quilómetros. Fomos andando até que ficamos a saber a posição em que se encontravam
a Cândida e o Cláudio, mas ainda estão muito longe. Até ao momento o nosso
percurso tem sido feito com regularidade, passamos por vários locais já nossos conhecidos,
fomos falando pelo té-lé-lé com os nossos perseguidores e a certa altura
entramos no mesmo percurso que eles irão fazer mais tarde. Passaram-se mais ao
menos 2 horas e o nosso percurso tem sido feito em vias de 2ª categoria na
direcção de Miranda del Ebro. 
O último contacto que tivemos com os nossos
amigos é que já se encontravam muito perto do sítio onde estávamos e então
resolvemos pararmos num recanto da estrada à espera que eles chegassem, eram
15h02, chegaram dois minutos atrasados, vão ser penalizados na classificação da
super especial desta manhã. E agora sim o grupo está completo, cumprimentos
para cá beijinhos para lá, abraços e sorrisos, mais umas fotos e uma surpresa
que traziam na bagagem t-shirts e autocolantes para se comemorar esta nossa
viagem retratada como “à procura de Obélix”. Um pouco de conversa e pusemo-nos
a caminho para Bilbao, o nosso destino de hoje. Passamos por determinado local
chamado “Punto de Orduña”, bem no alto da meseta que nos deixa uma visão enorme
desse ponto. Encontramo-nos cá bem no alto e podemos ver pessoas a andar de asa
delta a descer a alta montanha a estrada cheia de curvas apertadas com um
declive muito acentuado, estivemos parados num miradouro apreciar o encanto a
perder de vista deste local. Retomamos a marcha, são mais uma mão cheia de
quilómetros e ainda queremos dar umas voltas pela urbe para reconhecimento de
determinados locais. 
Tivemos a nossa entrada triunfal pela zona antiga e seguirmos
até à obra de Frank Gehry “the Guggenheim Museum Bilbao que é o ex-líbris da
cidade. Mesmo ao lado ergue-se o fantástico estádio do Atlético de Bilbao
conhecido por San Mamés. Já sabemos que estacionar autocaravanas em cidades e
logo nos locais turísticos é um problema, foi o que nos aconteceu, mais voltas
e reviravoltas e optamos por ir para o outro lado da ria de Bilbao, aí tivemos
diversos lugares à escolha e a pouca distância, nós precisamos de andar.
Fizemos as nossas voltas reparamos que já existem novas atracções imaginárias
por aqui, neste caso no exterior do museu. Combinamos que o nosso jantar teria
de ser um petisco cá da terra, ideia que partiu do Carlos.
Como já era tarde
resolvemos ir às nossas viaturas para os friorentos levarem um agasalho e
decidimos ir todos num único carro, saiu na rifa o do Carlos, atravessamos toda
a cidade até ao local por onde há horas entramos na cidade, transitámos por
várias ruas à procura de lugar e perguntamos onde podíamos jantar, pois
tínhamos algumas informações mas nada de concreto. O estacionamento teve de ser
num parque a céu aberto numas antigas instalações desactivadas que hoje parte
delas estão ao serviço dos correios. Fizemos o resto do percurso a pé até ao
centro nevrálgico da vida nocturna, são ruas muito estreitas, poluídas pelo
tabaco prédios escuros com muitos anos, não faltando a imensidão de gente numa
época péssima para o humano por razões do covid que ninguém sabe onde poderá
estar e quantas vezes já passou por nós ao longo deste ano e meio.
Restaurantes
e pubs são aos magotes, mas todos cheios, procuramos um local para comer, na
realidade nenhum tem o que nós queremos, entramos no Gautxori, situado na
Pilota Kalea, 5 nesta zona nocturna da cidade de Bilbao, inicialmente iriamos
degustar um petisco que o Carlos trazia em mente pintxos, mas não, tivemos de
optar por outras sugestões menos a que todos queríamos. Ficamos desiludidos com
o que comemos, umas doses de barretes. Quando cheguei a casa descobri o nome de
um restaurante, o melhor, numa futura viagem podemos deliciar com os tais
pintxos no restaurante que se encontra sempre apinhado, qual a razão de estar
sempre cheio?
«El
Globo, situado na calla Diputación 8 48008 telefone 0034 944154221.
Noite concluída, íamos para um parque de
campismo que não conseguimos arranjar, optamos por entrar no auto-estrada e
numa estação de serviço pararmos, assim sucedeu e foi num recanto que passamos
a noite, local tranquilo e longe do barulho das viaturas que perto de nós
circularam toda a noite, ali descansamos que nem uns guerreiros.10 Agosto –
Bilbau – Bordéus (309km)

Como pernoitamos numa estação de serviço aproveitamos e
utilizamos as instalações sanitárias, comemos o nosso pequeno-almoço nas caravanas
e fizemo-nos á estrada para reiniciámos a nossa viagem, dirigirmos para um itinerário
o mais acostado ao golfo da Biscaia, nesta zona existem paisagens únicas, e
assim conseguimos fugir às portagens da auto-estrada que são caríssimas e lá vamos
nós em direcção a França. Quando terminou este percurso cruzamos algumas vilas
que dificultou a média que imaginamos fazer, mais adiante já perto de França então
entramos na auto-estradada, para passarmos as localidades que nos iriam fazer
perder tempo, no final retomamos a estrada nacional que circunda ao longo do
percurso a A63,
via que antigamente não tinha portagens, mas há muito pouco
tempo foram colocadas 2 troços com portagens que para viaturas da classe 2 é
carote, então optámos novamente pela estrada nacional que por acaso até não perdemos
nada pelo contrário, conseguimos ver áreas enormes agrícolas, onde searas e
vinhas eram aos magotes, intercaladas por matas onde os pinheiros sobressaiam.
As horas foram-se passando e chegou a hora de encontrar local para o descanso merecido,
não foi fácil, conseguimos no meio de um dos pinhais o sítio correcto. Foi uma
sorte porque percebemos as complexidades que havia entre pai e filha que eram
os donos em arranjar local onde se poderiam instalar as três autocaravanas. É
muito comum entre os franceses implicarem com as entradas depois das 19h00. Lá
se compreenderam e recepção terminada num local ameno em que a vizinhança era
agradável. Havia um grupo de campistas que tinham dois cães, espécie, movidos a
pilhas, que se avizinharam das nossas madames que os acariciavam, estes não
paravam numa correria infernal de um lado para o outro, tinham uns dentes tão
finos que feriam as mãos que os amimavam, eram os brinquedos da ocasião.
11 Agosto
–Bordéus – Beynac-et-Cazenac (234km)

Alvorada com o cantar dos passarinhos e um pouco de humidade num
ambiente de floresta e campos agrícolas. Um dos locais a visitar será Bordéus, partimos para esta cidade
rodeada de vinhas nesta zona da Aquitânia. Como não vamos ter muito tempo para
as voltas, temos de arranjar lugares para estacionar as nossas casinhas o mais
perto do centro histórico. Não foi fácil mas com um pouco de manhosice e pagar
parque com valores irreais lá nos desembaraçámos. Agora uma caminhada até
alcançar a baixa da cidade, sendo uma das primeiras paragens na catedral,
monumento preservado e grandioso. Mesmo de fronte passa uma linha de metro de
superfície que não tem catenárias, sucede que a carga eléctrica está num carril
central que imite a voltagem quando parte da composição à sua passagem o
acciona sem causar quaisquer perigos. Viemos a circular por ruas enormes que
nos fizeram lembrar a nossa baixa com a rua do Ouro, Augusta e Prata e com as
transversais da rua do Comércio, Santa Justa e todas as outras, Mas com
dimensões muito maiores. Andamos bastante até às margens do rio Garonne para
ver as águas barrentas que nele correm e algumas das pontes que o cruzam.
Reparei que existe um bilhete de metro para ser usado 48 horas nos transportes
públicos custando a módica quantia de €1,70. Nós, portugueses não temos preços
equiparados, continuamos a ser esmifrados politicamente. Na praça de la Bourse
existe o maior espelho de água do mundo com 3450m2, onde a maioria de nós, ou
seja menos eu, foram para dentro dele molhar as patas. A Cândida comprou uns
bolos típicos desta terra, conhecidos por cannelé de Bordeaux, cuja receita
muito antiga é a seguinte:
Ingredientes para 12 cannelés;
- 50cl
de leite
- 25g
de manteiga
- 2
gemas
- 250g
de açúcar

No entanto as senhoras ficaram radiantes com estes bolinhos mas andam
embrenhadas na compra de magnéticos.Regressamos às nossas caravanas em que o tempo de estacionamento
estava mais do que ultrapassado a do Carlos está mais do que isso, pois brindou
escassamente, migalhices ao município com poucos cêntimos. Saímos pra Beynac-et-Cazenac por estradas secundárias ou
camarárias, por vales e rios ou ribeiras e canais, aqui em França tiveram a
ideia em tempos remotos de construírem canais de rega e navegação, há muitos
sendo o principal o de Midi que em determinada altura o transpusemos pois ele é
em parte navegável no rio Garonne por altura de Toulouse. Temos feito uma média
de condução baixa, não temos pressa, por fim resolvemos arranjar um local para
almoçarmos, foi uma tragédia, não havia nada de jeito onde pararmos, andamos à
procura até saímos do troço principal e fomos embrenhar-nos dentro de lugares e
nada conseguimos, por fim na berma de estrada mais larga, depois de desacordos
onde pararíamos, aí comemos algumas coisas do farnel e lá seguimos o nosso
caminho. Já havíamos passado por duas pontes estreitas em que a transpusemos
normalmente, mas numa terceira passagem a largura máxima era de 2 metros e para
surpresa minha as rodas da minha carrinha roçaram pelas bordas com grande
pressão, tive medo de riscar as jantes, felizmente que isso não aconteceu, mas
como fiquei com dúvidas um pouco mais à frente parei para me certificar. Já
estamos muito perto do final da etapa, razão de já estarmos a ver se encontramos
um parque de campismo, várias tentativas tivemos mas todas infrutíferas, tudo
estava esgotado, tantos os parques que a Cândida telefonou, bem como aqueles
que fomos ver, mas tudo esgotado, pois rios ou lagos que por ali havia, toda a
gente tinha ido para aqui, ainda mais, estamos no mês de Agosto e toda a gente
da Europa vai de férias nesta altura. Foi só num recinto grande e relvado onde
já estavam autocaravanas estacionadas que paramos e onde iremos montar o nosso
estaminé para jantarmos e dormimos. Agora vamos passear pela vila e subirmos
até lá bem alto ao castelo empoleirado. Temos pela frente uma bela caminhada
com subidas ingremes. Esta vila medieval está classificada como das mais belas
de França, tal como o castelo que já existia no século IX, a verdade é que
todos conseguimos transpor tão desastrosa elevação, foi agradável existir um
banco e uma pedras para nos sentarmos e descansar ao mesmo tempo que se iam
erguendo do céu balões de ar quente, com lindas cores carregados de criaturas.
Resolvemos descer quando começou a escurecer, nesta altura as lojas já se
encontravam encerradas, apenas pubs e restaurantes continuavam abertos, foi
chegar ao parque e tratarmos do nosso jantar. Concluímos mais um dia de férias
totalmente preenchido onde nos faltaram horas para podermos ver esta vila tão
perfeita.
12 Agosto –
Beynac-et-Cazenac – Étretat (672km)
Combinamos sair o mais cedo possível porque
hoje vamos fazer a maior tirada da nossa viagem, cerca de 700km e vamos tentar
sempre que possível evitar as auto-

estradas, Mas antes de iniciarmos a nossa
viagem ainda tivemos tempo para mais uma olhadela pelo lindo castelo e casario
desta pequena vila medieval e aí vamos em direcção ao norte para visitarmos mais
uma pequena vila situada no Canal da Mancha. Passamos toda a manhã a conduzir, à
hora do almoço a fome começou apertar. E eis que surge a pergunta mas onde
vamos comer? Mas que pergunta, vamos comer uns hambúrgueres no Burger King. E
não é que foi a primeira vez que nos foram solicitados os certificados de
vacinação e não bastando o pagamento da refeição só podia ser feito com cartão
de crédito, pois quem tivesse dinheiro em nota ou moeda estava proibido de
comer. Chamo a isto mais uma regra de cair de cú, conjuntura triste e confusa
que o planeta está a passar. Já de barriga cheia outra tirada pela frente, esta
mais curta. Mais à frente cruzamos o rio Sena já às portas de Ruão, seguimos
por estradas em que as vias são muito estreitas e com pouco movimento, cruzamos
vilas e aldeias, passamos por Allouville, vila pacata postada no tempo em que
se mantém como era há dezenas de anos, foram tantas as vilas como esta que
temos passado que dissemos; o tempo não tem por aqui passado, com isto não
quero dizer que elas não tenham valor, pelo contrário. Encontramo-nos a pouco
mais de 40km do nosso destino final ou seja chegou a altura diária de passarmos
à fase de procurar onde vamos encontrar parques de campismo. À Cândida saiu-lhe
a rifa de fazer essa pesquisa. Mais uma vez surgiram as dificuldades do
costume, mas por fim encontrou o Camping Ferme de la Hetraie situado em 13 Rue
de la Chênaie em Bec-de-Mortagne a poucos quilómetros de Étretat. Quando chegamos fomos bem recebidos e
conseguiram arranjar um lugar onde podemos estacionar as três carripanas
aciganadas. Foi um final de dia fantástico onde comemos um petisco elaborado em
tachos que estava uma maravilha, seguido de uma boa cafezada e a cavaqueira do
costume. 13 Agosto –
Étretat – Lille (328km)

Acordamos num ambiente rural, rodeados de
cavalos e no meio de uma vasta área agrícola, este é um local de França onde o
cultivo de trigo é colossal. Assim que saímos do parque vimos campos de cultivo
deste cereal que está prestes a ser ceifado pelas máquinas que já vimos em
diversos locais. Paramos e fomos apanhar algumas espigas para que todos nós nos
apercebêssemos de como é o grão deste cereal. Percorremos vasta área com cearas
a perder de vista para depois entrarmos em Étretat. Devidamente estacionados,
começamos a nossa prospecção deste território que em tempos foi teatro de
guerra tanto na 1ª guerra mundial como na 2ª para massacres das populações e
dos jovens soldados que mal chegavam e eram defuntos, alguns nem um tiro tinham
disparado. As suas praias foram transformadas em campos de batalha durante a 2ª
guerra o mesmo sucedeu com todas as praias vizinhas. Fiquei a saber que a
região também é conhecida pela Costa do Alabastro com 140km de falésias. Demos
início à caminhada diária passando pela zona antiga da vila, onde os edifícios
em madeira são frequentes e encontram-se lindamente cuidados, fazem uma parte
do ex-líbris da vila. Seguiu-se a praia que não tem areia mas uns seixos com
grandes dimensões, estes se andarmos um pouco mais rápido sobre eles, resvalam
e lá estamos nós de rabo no chão. Macacada na praia, vontade de se deitarem,
apanhar um pouco de sol sem toalhas. Fomos subir uma das encostas para vermos
bem do alto a paisagem deslumbrante, tirar umas dúzias ou três quarteirões de
fotos e pensarmos o palco de guerra alguns anos atrás aqui se desencadeou,
Ainda existem casamatas já degradas com o tempo onde se encontravam os ninhos
de metralhadoras ou os obuses. Executamos longa caminhada por cima destas
falésias que pareceram não ter fim. A Cândida e o Cláudio foram visitar uma das
cavernas existentes na base, puderam vê-las porque a maré estava em baixo,
estavam cheios de pica ainda foram para o outro lado desta falésia visitar a
igreja que se encontra no cimo da arriba. Quando chegou o momento de almoçar o
Carlos informou que gostava de comer Moules que é um prato típico da terra, nós
chamamos-lhes mexilhões ou pachachas, Junto à praia, fomos encalhar no
Restaurante du Perrey onde pedimos as tais moules para os homens as senhoras
optaram por outros pratos, achei que a Sofia e Júlia não gostaram porque o
peixe estava mal cozinhado. Eu gostei mas achei que se tivesse pedido ao
natural tinha ficado mais bem servido, pois o molho que tinha tornou-se
enjoativo. Vindas as sobremesas que as meninas tanto adoram as coisas
estabeleceram-se. Seguidamente fizemos as últimas voltas e prontos para
fazermos mais uma tirada longa até Lille, novamente o problema diário da nossa
estadia, conseguimos um lugar excepcional no Campings Les Alouettes Et L’image –
(M945) 125/130 Rue Brune em Houplines, muito perto de Lille. Junto ao parque de
campismo existe um lago, por esse motivo existirem muitos mosquitos. É um dos
problemas que temos tido, haver muitos insectos que nos têm incomodado, com as
bagas nos braços, pernas e até pescoço e cabeça, mordem que nem leões.
14 Agosto –
Lille - Dusseldorfe (419km)

Principiamos o itinerário em direcção ao
cemitério português de Richebourg, relíquia da 1ª guerra onde milhares de
portugueses foram dilacerados assim que chegaram ao campo de batalha. Uma
vergonha quando existem frases que dizem “morreram em defesa da pátria”, mas
que pátria, nunca lhes tinham dito qual era a sua ou o seu significado. Neste cemitério encontram-se 1831 corpos das
quais 239 sepulturas estão por identificar. A nossa passagem por este local é
apenas para memorizar o povo que somos e quem sabe se não estará por aqui
algum
familiar! Já estamos em Lille muito perto da
fronteira Belga. Tenho um facto relevante para contar – estamos no ano de 1213
e um tal Fernando de Portugal, nascido em Coimbra a 24 de Março de 1188, foi um
infante de Portugal, conde de Hainaut e conde da flandres. Era filho de D.
Sancho I, foi escorraçado de Portugal pelo pai e veio para junto de familiares.
Aconteceu que conquistou Lille a Filipe Augusto que este antes a tinha tomado
em três dias, este Filipe depois da conquista deste Portuga do caraças,
resolveu atacar de novo a cidade passado quase um ano, mas para que ela não
ficasse para ninguém incendiou-a. Hoje continua a ser uma cidade com monumentos
históricos depois de destruída e ocupada várias vezes ao longo da sua história.
Passeamos pela parte antiga, onde há ruas ladeadas de casas e mansões antigas,
vários museus lojas de modas e cafés e restaurantes ainda com traços do
antigamente. Numa altura em que desbravávamos esta cidade o Carlos foi
abalroado por um funcionário de um restaurante que o fez estatelar-se no chão,
correu tudo bem mas estas quedas por vezes trazem amarguras. Que venha o
próximo pois da próxima vez o Carlos espeta com ele no chiqueiro. Assim demos
por terminada a nossa vinda a Lille. Mas ainda teremos uma etapa que terminará
em Dusseldorfe, portanto máquina em movimento em direcção à fronteira com a
Bélgica que nos vai fazer encurtar o trajecto para de seguida contornamos um
pouco a Holanda e entrarmos em território Alemão, Hoje em dia mal nos
apercebemos onde se encontram tais fronteiras, apenas uma placa com os dizeres
da cidade ou do país o que é raro. Fizemos os cerca de 330km por auto-estrada e
chegamos ao nosso primeiro ponto de encontro, ou seja levantar um porta
bicicletas que o Cláudio tinha solicitado ao Pedro, fácil esta paragem de
seguida encontrar parque de campismo para ficar, esta hipótese foi infrutífera,
porque encontrar camping é para esquecer, tanto mais que as inundações de há
poucos meses arrasou uns tantos que se encontravam junto à margem dos rios,
principalmente o Reno que ladeia toda esta vasta área. Acabámos por desistir e
fomos parar a um hotel que o Cláudio já ficou umas quantas vezes de cada vez que
vem aqui aos leilões de automóveis, foi ele o B&B Hotel Essen em
Helmut-Käutner – Straβe 4 45127 Essen. Por fim onde iremos jantar, tínhamos indicação
do Pedro para irmos a um restaurante Turco, foi mesmo aí que adveio. Depois as
dificuldades do costume de obtermos lugar para estacionar as viaturas, tanto
que a minha tinha ficado no parque de estacionamento do hotel, porque já
pressupúnhamos ter esse dilema. Jantamos que nem uns padres no Nirvana,
ambiente de uma mistura de Árabes, Turcos, Indianos e Europeus, uma mixórdia de
raças alimentarem-se em comunidade, haja paz. Concluída tarefa tão árdua foi
dirigirmo-nos para o hotel e fazer a soneca que carecíamos.
15 Agosto –
Dusseldorfe – Koblens - Estrasburgo (446km)

Hoje dia 15 é feriado e este ano coincidiu num domingo para mal
dos nossos pecados contribuiu para menos um dia de férias, porque se ocorresse
num dia de semana seria mais um dia que gozaríamos. Fomos visitar a cidade de Dusseldorf,
como é domingo não tivemos qualquer
problema para estacionar, foi mesmo numa das grandes avenidas já perto do rio
Reno. Numa das ruas encruzilhadas deparamo-nos com uma peça de bronze num
pequeno jardim que não consegui determinar o seu significado, tiramos as nossas
fotos e foi agora que vim a saber qual o seu sentido, existiu em séculos
remotos um portão da cidade de nome Berger Tor que foi demolida em 1895, também
tinha qualquer coisa a ver com a visita de Napoleão I a esta cidade.
Deambularmos pelas margens deste tão badalado rio Reno com as suas pontes e
barcos de recreio e os grandes rebocadores por vezes navegando contra a
corrente forte que se faz notar. As ruas estão todas cheias de garrafas, muitas
delas partidas da noite anterior em que as grandes bebedeiras articuladas aqui
se desenrolaram. Ainda há espécies raras de humanos a deambularem pelos jardins
e ruas, mau aspecto da figura ridícula que transparecem, alguns têm o futuro
assegurado porque são visíveis os sem-abrigo que por aqui vagueiam deitados em
cima de cartões. Conseguimos ficar com uma pequena ideia deste lugar, porém
temos de partir, ainda estamos muito longe do nosso destino de hoje, será
Estrasburgo. Mais uns quilómetros em auto-estradas e surgiu a pergunta onde
vamos almoçar? O Carlos sugeriu que poderíamos passar por Colónia ou outro
lugar, na verdade temos os dias tão calculados que em princípio apenas os
locais do nosso roteiro. Calhou que a paragem foi numa bonita cidade Coblença,
depois de termos passado por Colónia e Bona, foi estacionar mais uma das vezes
as nossas casinhas ambulantes e efectuar as voltas de reconhecimento e
descobrir onde comer. Várias tentativas existiram e estava complicado encontrar
algo que nos agradasse, daí valer-nos do trip advisor e encontrar o eleito que
foi o Altes Brauhaus sito na Braugasse,4 que prevalece desde o ano de 1689 é
onde há comida tradicional alemã, como chucrute, bolinhos, saladas, salsichas,
etc... Melhor opção nesta altura foi deveras as salsichas, foram
servidas num recipiente por nós desconhecido que no total do rebordo abarcava
uma salsichona colossal, super gostosa no centro batata frita e legumes tudo delicioso,
mais a dominante cerveja alemã – königsbacher. Foi um almoço que não iremos
esquecer dentro de um ambiente alemão que tanto louvamos. Fizemos mais umas
voltas por esta cidade para de seguida colocarmo-nos na estrada e percorrer a
longa distância que ainda temos pela frente. Chegados ao destino em segurança foi conseguir outra vez um
local digno de repouso, um dos primeiros locais onde fomos encontrar era um
camping para nudistas que no entanto estava encerrado, mais procurámos,
acabamos por ficar do lado alemão depois de variadas voltas à procura no lado
francês, acabamos por descobrir o Campingplatz Kehl – Rheindammstraβe 1, 77694
Kehl que nos recebeu com simpatia.
16 Agosto –
Estrasburgo – Ribeauvillé (80km)
Outro dia começa com serenidade nesta cidade que albergou o mais
alto edifício do mundo entre os anos de 1625 e 1874, sendo esta a catedral que quando
estamos a olhar para ela parece feita em ferro enferrujado, tal é a sua
impressionante coloração. Por aqui encontra-se o centro histórico com suas
casas típicas desta zona da Alsácia, optamos por entrar na catedral e
repararmos na sua grandiosidade e riqueza que alberga. Como se calcula o
silêncio é imprescindível o que não estava acontecer no momento, a determinado instante
houve-se uma voz através da sonorização a dizer “attention” seguido de uma
pequena pausa em que toda a gente ficou num silêncio à espera do que iam dizer.
Nada aconteceu, apenas o som de “cheee”. Admiração colectiva e sorrisos desta
forma de se pedir silêncio. Nesta catedral existem peças 
valiosas tais como o
relógio astronómico, vitrais e órgão. Localizada noutro ponto da cidade a praça
Gutenberg, foi também ponto de visita seguiu-se a praça Kleber onde existe um
edifício de arenito rosa datado de 1770, mais voltas demos ficando por conhecer
diversos locais como as pontes cobertas que ficaram para futuras viagens por
estas bandas. Também aceitámos que o melhor momento para visitar esta cidade é
na altura do natal que atrai milhões de visitantes. Quando íamos a sair da cidade deparamo-nos com o Parlamento
Europeu, estacionámos e começamos por tirar umas fotos, entretanto viemos a
saber que era visitável, com esta informação, é claro que não íamos 
desperdiçar
esta oportunidade e lá fomos nós, no final ficamos todos encantados. Vamos seguir para a próxima paragem, Ribeauvillé uma das vilas
mais encantadoras de França. Esta vila está em parte cercada por muralhas
antigas e tem muitas casas medievais pitorescas, aqui por perto ficam as ruínas
de três castelos que não visitamos, existiu uma tentativa para visitar um deles
mas infrutífera, era necessário uma longa caminhada que não fazia parte do
nosso objectivo. Esta vila fez-nos lembrar


umas casinhas da Bela Adormecida com
suas ruas floreadas, janelas e portas lindamente ornamentadas e as paredes dos
edifícios com madeira ripada que se entrelaçam. As cores fortes dos edifícios
mais vida lhes dão. Esta povoação encontra-se envolvida de vinhas. Pernoitamos
no Camping Pierre de Coubertin – 23 rue de Landau 68150 Ribeauvillé.
17 Agosto –
Ribeauvillé – Riquewhir – Colmar - Eguisheim (46km)
Hoje vamos andar por esta região da Alsácia para desbravar mais
algumas das vilas mais pitorescas, não iremos a todas mas o conjunto que
elegemos vai ser prometedor para conhecermos toda a sua beleza. Começamos hoje
por Riquewhir que também a 2ª guerra mundial por aqui passou, mas não ficou
seriamente danificada. A sua arquitectura história manteve-se praticamente
estável e os famosos vinhos brancos Riesling de uma casta aromática com aromas
florais e uma acidez elevada, este tipo de vinho a

Sofia não gosta, pois vinhos
ácidos para ela não, podem ter muito álcool mas acidez é dispensada. São
características para ser um local com imenso turismo. Mais uns quilómetros adiante e já nos encontramos em Colmar,
esta uma cidade com dimensões diferentes, é banhada pelo rio Lauch, donde
derivam vários canais, fazendo dela uma pequenina Veneza. Nesta cidade
reflectem-se oito séculos de arquitectura germânica e francesa que marcam os
traços arquitectónicos e religiosos, bem como as respectivas linguagens.
Conseguimos
ver uma vasta centena de edifícios feitos em madeira ou mistos que
atraem atenção de todos os visitantes que por eles passam, as flores fazem
também parte do quotidiano, colocadas nas portas, janelas e varandas, um
autêntico jardim que ajuda a embelezar o que de tão belo já é. Chegou a altura
do almoço, escolhemos

um restaurante em que ficamos na esplanada, aqui nos foi
solicitado pela 2ª vez nestas férias o certificado de vacinação. Vem na ementa
um petisco que o Carlos trás há dias no goto “joelho de porco”(Eisbein Gekocht) porque já em tempos comeu na Alemanha e como
lá estivemos todos há dias e não houve oportunidade de provar vai ser agora,
espero que vamos todos gostar, no final a Sofia achou um tanto enjoativo,
também a quantidade para ela era um pouco exagerada. Fica aqui o nome e morada
do restaurante para quem por lá passar – café Jupiler na 24
Pl.de la Cathédrale, 68000 Colmar. Todos tratados, foi só dar seguimento ao resto
do percurso que nos faltava. Há naturalmente um conjunto de edifícios que nos
fascinam, seria fascinante ver alguém vestido à época da construção dos mesmos
e uma ou duas lojas a vender produtos da mesma época, é uma ideia que se podia
aproveitar. Fizemos quase tudo que prevíamos, mas vamos
avançar até a outra vila aqui bem perto Eguisheim, conhecida pela vila mais
charmosa e colorida de França, mais parece ter saído dum conto de fadas. As sinuosas
ruas de paralelepípedos de Eguisheim estão alinhadas com edifícios em enxaimel
medievais tradicionais, pintados em cores vivas, como são
muitos dos edifícios
na Alsácia. Na primavera e no verão, a
cidade é um jardim a

céu aberto. Flores por todos os cantos. Ninhos de cegonhas
nos edifícios mais altos, no entanto não conseguimos ver uma. Como em Portugal
há milhares de cegonhas e ninhos não me preocupei a procurar uma que fosse. Finais
do dia, concluímos o percurso encantados com tudo o que vimos e fizemos.
Regressamos ao Camping Pierre de Coubertin onde pernoitamos duas noites.
18 Agosto – Ribeauvillé
– Mulhouse – Basileia (114km)

Destino final em Basileia, todavia ainda iremos fazer umas
paragens, sendo a fundamental em Mulhouse, que já foi a cidade dos moinhos e
mudou aos longos dos anos várias vezes de soberania, hoje francesa, amanhã
alemã. Como o nível de vida aqui é mais económico também serve de dormitório
para alemães e suíços. É uma cidade que no centro histórico, poucos edifícios
medievais possui, razão de ter sido bombardeada em massa durante a 2ª guerra,
já que na 1ª também não tinha sido poupada. Foi nos arredores que se
desenvolveu a indústria têxtil e automobilista das marcas
Peugeot e Bugatti.
Somos um grupo de calinas que gostam de andar a pé ou não, vejam que existe um
pequeno autocarro que transporta um número muito reduzido de passageiros e
aproveitando a oferta, lá estavam 6 portugas a usufruir do passeio
gratuitamente. Quem gere este pequeno autocarro eléctrico é uma fundação que
presta um serviço para velhotes nesta urbe. Adoramos a volta também pela razão do
condutor ser um luso-descendente de nome, Cristophe
Reino. Esquecemos por agora
a cidade e dirigimo-nos para a Cité de l’automobile o maior museu europeu
dedicado ao automóvel. Existem umas centenas de automóveis dos anos mais
remotos até praticamente à actualidade sendo o mais
antigo de 1878,vimos
grandes marcas, outras que nunca tinha ouvido falar e o estado de conservação
de todos eles, irrepreensíveis. Depois de tantos automóveis ver, tive a
sensação de me perder a observar e fotografar tantas máquinas, demoramos umas
horas nesta visita mas valeu a pena. Para quem vai de férias no mês de Agosto é frustrante procurar
camping, foi mais um final do dia a procurar onde ficarmos, surgiu o Camping Au
Petit Port – 8 All des Marronniers 68330 Huningue, deu para remedeio, bem
localizado mas fraco. 19 Agosto –
Basileia – Zurique – Lucerna (123km)

Era previsível ficarmos ontem na Suíça, mas a dificuldade em
arranjar camping tornou-se inútil. Iniciaremos as voltas de hoje pela ponte
internacional dos três países sobre o rio Reno entre a França e Alemanha e a
fronteira Suíça muito perto, apenas 100 metros. É a ponte mais longa do mundo
pedonal e para bicicletas. Encontramo-nos em cima da ponte e consigo ver o camping
onde ficámos fica pertíssimo daqui, nem fazia ideia que ficava nas margens do
rio Reno. Finalizado o passeio aqui por Lorrach, seguimos em direcção da Suíça,
passamos a fronteira muito devagar a pensar que nos iam mandar parar, nada
disso sucedeu e entramos porém tivemos dúvidas e voltamos atrás para colocar
algumas questões. Seguimos para o centro de Basileia para arranjarmos local de
estacionamento, foi um grandíssimo problema, tantas as voltas que demos por fim
estacionámos numa área residencial, mais uma vez pouquinhas moedas no
paquímetro assim nos comprometemos para que não sejamos multados. Estivemos no
antigo e bem conservado centro histórico, várias obras nos arruamentos para
substituição de canalizações de gás. Cruzamos várias ruas e detivemo-nos a ver
o bonito edifício vermelho que é a câmara na Markplatz, foi nesta praça que o
Carlos e Júlia detiveram-se a provar uma salsicha tipo alemã, esfomeados que
estavam. As horas foram-se passando, fomos buscar as viaturas que se
encontravam muito longe donde nos encontramos, muito andamos e avistamos que
não tínhamos sido multados, sabemos que os policias Suíços são rígidos nas
autuações. Resolvemos parar numa pequena praça sem movimento e comermos nas autocaravanas,
encontrámos mais um português e estivemos algum tempo a falar da vida neste
país. Seguidamente seguimos para Zurique usando sempre as vias secundárias,
nada de auto-estradas pois não compramos o selo de acesso, também andar aqui em
vias secundárias dá outro gozo, contemplamos paisagens, vilas e montanhas de
uma outra forma. Para alguns de nós esta é a 2ª vez que visitamos Zurique,
entretanto coisas novas iremos descobrir, já sabemos que é o centro financeiro
deste país e uma das bolsas de valores mais importantes da Europa, também está
muito próximo da fronteira alemã e o centro mais populoso do país. A fábrica da
Lindt está aqui localizada, para quem gosta de chocolates tem uma boa razão
para a visitar,
apenas que terá de ser agendada com antecedência tal visita. A
Fifa também aqui se encontra, quando estávamos a entrar na cidade vimos o
portão com as respectivas bandeiras. Concluímos esta nossa visita por uma razão
muito simples – os preços são realmente muito caros. Terminamos o passeio de
hoje muito perto de Lucerna no Camping Stransbad Restaurant Türlensee, 8915
Hausen am Albis pelas 20h00.
20 Agosto –
Lucerna – Berna – Neuchatel (187km)
Completando o itinerário de ontem para Lucerna, cruzamos campos agrícolas,
pequenas vilas e um pouco de montanha, rapidamente entramos na cidade
conhecida
pela sua arquitectura medieval aqui se desenrolam vários festivais de música
internacionais. Existe uma ponte medieval toda coberta, construída em madeira,
sendo a mais antiga da europa. Quando atravessamos esta ponte, deparámo-nos na
outra margem com um casamento todo engalanado com personagens desconhecidas mas
de boa feição, quase no mesmo local um grupo indiano faz fotografia e filmagens
onde as figuras femininas se destacam. Continuamos a caminhar ao longo da
margem do lago até ao cais para vermos os lindos barcos que navegam por aqui. A
meio da manhã
seguimos para Berna atravessando montanhas por estradas sinuosas
a galgarem montanhas, já muito longe numa descida tortuosa paramos numa curva
mas bem dentro de um campo, onde estivemos a petiscar e a ver a todo o momento
a subida e descida de todo o tipo de viaturas, há imensos motards que passam
por esta via, sabendo que tem paisagens excepcionais. Quando chegámos a Berna

exageramos um pouco no local onde
estacionamos as viaturas, achamos que era perto do centro, mas ainda tivemos de
percorrer uma distância significativa, minimizou o árduo percurso quando nos
detivemos em cima de uma ponte que nos deu uma visão fantástica da cidade. Será
mais uma cidade Suíça que quase todos conhecemos, fizemos um passeio pedonal,
pelos diversos locais turísticos, passamos junto ao relógio astronómico
construído em 1530 situado em cima de uma torre medieval de seguida uma das
principais ruas onde existem muitas fontes de água, Conseguimos ver habitantes
a usarem a corrente do rio que passa lá em baixo e deixam-se arrastar pela
forte corrente. Muitas mais atracções existem nesta cidade, mas terão de ficar
para uma próxima vez. Foi nesta cidade que viveu Albert Einstein e criado o
famoso chocolate Toblerone, aqui na Suíça chocolates e relógios é quantos
queiramos.
Regressamos ao estacionamento onde se encontram as viaturas para
percorrer a distância que nos separa de Neuchatel: Quando chegámos já a noite
se aproximava, foi dirigir-nos direitinhos para o Camping La Tene, Nas margens
do lago localizado em La Tène 102, 2074 Neuchatel. 21 Agosto –
Neuchatel – Lausanne – Merges - Genebra (89km)

Novamente passamos e prosseguimos as nossas voltas pela Suíça, é
um país que tem muito para se reconhecer, mas vai ficar uma vez mais a faltar
conhecer a zona das verdadeiras montanhas, estas que ficam mais perto da
Itália, mas não se consegue ver tudo e cada vez que aqui vimos é um pouco de
fugida, não vale. Estivemos junto ao lago Neuchatel, várias pessoas passeiam
esta manhã por esta zona, trata-se de um sábado em que as famílias têm mais
tempo para estes passeios. No centro da cidade podemos ver os mercados de rua,
idênticos aqueles que vemos com frequência em Portugal, costumes antigos que
prevalecem enraizados nas civilizações. Os lugares onde se vende os legumes e
frutas têm a mesma disposição do que os nossos comerciantes, estão as caixas
sobrepostas umas nas outras a ocupar parte dos passeios, mais parece que
estamos na nossa terra. Pelas ruas vimos artistas a tocarem, dançarem e a
fazerem bolhas transparentes com sabão.Existem paredes de prédios antigos que
aproveitaram parte delas para fazerem pinturas artísticas. Várias estátuas,
recentes estão colocadas nas praças ou ruas da cidade. Há muitos anos foi numa
destas ruas que comprei uns canivetes Suíços, o meu ainda existe. Seguimos para
Lausanne, mal chegamos detivemo-nos com uma manifestação gay, para completar
num pequeno lago de um jardim uma mulher tomava banho em topless, sendo única a
sua distracção era total, quis dar nas vistas porque passado algum tempo
avançou pelo jardim naquele estado e foi para junto de outros manifestantes que
se encontravam compostos. Aqui se abriga a sede do Comité Olímpico
Internacional. Esta cidade tem um sistema de metropolitano com apenas 15
estações, tornando-se assim a cidade única no mundo com o percurso mais curto.
Existe aqui um número muito grande de imigrantes portugueses, em todo o país há
milhares, porém é aqui onde mais se encontram.As horas foram-se passando e
temos de ir andando até Merges, porque o Cláudio e Carlos estão interessados na
compra de umas bicicletas eléctricas a um amigo que está a trabalhar nessa
cidade, ficaram de lá estar pela 18h30. No caminho encontramos um parque para
ficarmos esta noite o TCS Camping Morges, enquanto os outros quatro elementos
foram às compras das bicicletas eu e a Sofia optamos por ficar no parque pois
não íamos comprar nada. 22 Agosto –
Genebra – Annecy (131km)
Ontem à noite vieram as 4 bicicletas adquiridas. O Carlos tinha
um suporte para transportar a sua, foi fácil a sua colocação, sai um pouco fora
dos limites da viatura, mas não deverá ser problema ao longo dos quilómetros
que nos separam da chegada.

Para o Cláudio a situação é um pouco diferente; tem
um suporte que foi buscar à Alemanha onde leva duas a outra resolveu
desmontá-la e transporta-la num local dentro da autocaravana, mais trabalho
teve em acomodar toda aquela tralha com a que já tinha, mas lá conseguiu
arrumar tudo. Agora é pôr-nos a caminho até Genebra, cidade que deveríamos ter
chegado ontem mas estamos perto. É aqui onde se encontra a sede europeia da ONU
e o quartel general da Cruz Vermelha, cidade conhecida como “capital da paz”.
Há pouco trânsito pois é domingo e a cidade também está deserta, caminhamos ao
longo do lago e de seguida passamos a ponte para visitar o Horloge Fleuri, grande relógio
em forma de flor no jardim Anglais, sendo este o símbolo mundialmente famoso da
indústria de relógios de Genebra. Efectuamos um percurso agradável e
seguidamente partimos em direcção ao CERN – Organização Europeia para a
Pesquisa Nuclear situado em Meirin. Várias pesquisas são e foram feitas neste
local entre muitas o “pixel”, podem ficar a saber que um pixel da imagem
digital é composto por três pontos que dão as cores, vermelho, azul e verde.
A
tomografia computadorizada faz parte de estudos deste acelerador de partículas,
são tantas as investigações e utilidades que aqui se produzem, um sem número de
sucessos. Tivemos pouca sorte, por ser domingo as instalações estavam encerradas,
não vamos esquecer e quando passarmos aqui por perto essa visita se efectuará.
Mais outra etapa, esta até Annecy. Pelo caminho encontramos uma ponte engraçada
que foi a primeira ponte suspensa feita na Europa, paramos as caravanas e fomos
dar um passeio sobre ela ao longo dos 192 metros e a meio uma altura de 191
metros.
A inauguração tinha sido a 11 de Julho 1839, já falta pouco para ter
200 anos. Combinamos voltar quando a ponte fizer os 2 séculos de idade. Agora mais
hora e meia até Annecy, conhecida pela Veneza alpina onde iremos percorrer a
parte antiga. Já na cidade tivemos de dar umas boas voltas para arranjarmos
estacionamento, há uma multidão de pessoas que passeiam pelas margens do lago
onde os parques se encontram repletos, tivemos uma primeira tentativa para
pararmos mas em vão, a hipótese é seguirmos para a outra área da cidade e aí
arranjamos parque sem grandes problemas.Lá fomos parar à zona dos canais em que
as ruas e casas se encontram todas floridas as pontes são frequentes os bares e
restaurantes dão-lhe um ar pitoresco, pela noite o ambiente deverá ser
fantástico, adoramos fazer mais este circuito, mas ainda temos tempo para ir
até às margens do lago completando assim o dia de hoje, conseguimos camping na
Natural área the Meyrieux, 2269 rute de la Chambotte 73410 em La Biolle. Local
fantástico localizado numa zona provinciana e agrícola em que estamos em
contacto com vacas leiteiras, pudemos ver umas dezenas de animais numa
roda-viva para se coçarem numa máquina eléctrica em que elas próprias sabiam
acciona-la, tinham uma forma de se alimentarem, esperando que uma entre para de
seguida uma outra entrar depois de estar à espera, pois todas querem ir comer naquela
altura, sabem-se controlar, há também um bloco grande de cor branca que todas
querem lamber, também há fila e ordem para a chegar a vez, nada é feito à toa
por elas. Adorei ver todo este processo. Aqui dormimos num silêncio
provinciano.23 Agosto – Annecy
– Lyon (253km)
Antes de sairmos do camping da vacaria fomos dar mais uma
olhadela ao seu funcionamento, lá estavam todos os animais nas suas rotinas
diárias, estes são daqueles que madrugam e levantam-se com toda a sua
agilidade. Dentro da corte gigantesca existe pelo menos um robot que limpa todo
o esterco produzido, mais outra rotina. No meio de tudo apenas vi um humano a
vistoriar o funcionamento, não conseguimos ver como é feita a ordenha, mas
calculamos ser muito à frente daquilo que pensamos. Chegou a hora de seguirmos
viagem até Lyon. Como de costume o nosso grande problema é o estacionamento,
também queremos sempre parar o mais perto da zona
histórica e por tal razão
mais umas voltas em vão foram dadas, até que num local onde é feito um mercado
de manhã havia viaturas dos vendedores de frutas, legumes e sei lá mais o quê,
foram vagando espaços e nós atrevidamente fomos ocupando-os.

Aproveitámos e
comemos qualquer coisa que tínhamos nas caravanas e de seguida fomos ao
paquímetro colocar umas míseras moedas para enganar os papalvos, temo-nos safo
até ao momento, porque ainda não houve multa que nos agarrasse ao longo destes
16 dias. Esta é uma das cidades mais incríveis de França e a terceira maior. Há
muitos anos atras já por aqui tinha passado na viagem que Sofia, Gilberto,
Ricardo e Gonçalo que fizemos até Moscovo, mas apenas paramos para dormir e
comer, já não me lembro absolutamente nada destes locais. Afinal o que vamos
fazer em Lyon, será que vale a pena conhecer esta terra, vamos ver. Fizemos o
percurso até à Place des Jacobins que em tempos muito remoto, já existiu um
cemitério, hoje existe um fontanário feito em mármore encimado por figuras
reais e emblemáticas de outras épocas.Percorremos uma longa avenida até à
place de Terreaux onde se encontra a famosa fonte Bardholdi construída pelo
escultor francês Frédéric Auguste Bardholdi, famoso principalmente por ter
construído a estátua da Liberdade. Também está nesta praça a câmara e o museu
de belas artes. Fomos até à catedral, local de culto e oração onde as meninas e
meninos desta tribo foram rezar, não parece mas temos uns quantos beatos.
Passamos pela praça Bellecour, tão famosa mas apenas enorme e térrea com uma
estátua de um cavaleiro que nem quero saber de quem se trata, não demos
qualquer valor, mais me pareceu o nosso Martin Moniz de outros tempos. Finalizamos
aqui o passeio, atravessamos mais uma vez uma das pontes do rio Saône e do
Ródano para subirmos até à basílica de Notre-Dame de Fourvičre edificada
no local que em tempos foi fórum Romano de Trajano, daqui temos um vista
deslumbrante de Lyon, podemos avistar a cidade em toda a plenitude. Fizemos
ampla visita pelo seu interior e admiramos a grandeza e riqueza de toda a obra.
Aqui também existe uma figura da senhora de Fátima. Finalmente a caminho de Avinhão
por estradas nacionais evitando também portagens, caso haja um troço de
auto-estrada que não se pague aproveitamos. Conseguimos percorrer uma distância
razoável para nos aproximarmos da cidade. Chegamos a um camping muito fraco
junto a uma estrada nacional com pouco movimento, todavia estava muito vento. O
Carlos e o Cláudio tiveram de usar os seus dotes de bombeiros para atacar o
fogo num estrado em madeira que se estava alastrar, estiveram 2 operacionais e
uma viatura no local, fogo dominado ao fim de algum tempo. 24 Agosto –
Lyon – Avinhão (166km)
Avignon uma bonita cidade muralhada da região da Provença nas
margens do rio Ródano, esta foi residência dos papas entre os anos de 1309 a
1377, sete papas todos eles franceses.

Depois outras
discórdias surgiram na realidade houve um período que existiam dois papas,
Avinhão e Roma, até três, um deles em Pisa. Apenas em 1417 foi reconhecido o
papa de Roma como oficial. A nossa passagem deve-se à circunstância de visitar
o palácio dos papas e a ponte de Avinhão. Para visitar o palácio, tivemos de
comprar bilhetes com uma antecedência de mais de 2 horas, quando a visita
começou achei interessante o que estava a ver mas com o seguimento tornou-se
monótono e fantasioso e não achei graça nenhuma, sei que é um conjunto de edifícios
com alguns séculos, apenas isso.
Caminhamos em direcção à ponte que ao
contrário do que a música diz os moradores da cidade de Avinhão nunca dançaram
sobre a ponte, uma vez que ela é muito estreita para permitir tal dança de roda.
Nestas coisas antigas existe sempre uma lenda e aqui está mais uma – um jovem
pastor de nome Bénézet que tinha um rebanho de ovelhas ouviu a voz de Cristo a
pedir que ele construísse uma ponte sobre o rio, ficou ridicularizado pela
gentalha ou pé-rapado daquela época que só o ajudaram depois de ele ter erguido
um enorme bloco de pedra, isto por inspiração divina, logo teve o apoio da
plebe para a construção da dita. A lenda ainda diz que após a sua morte foi
enterrado numa capela que ainda existe nesta ponte. Já tardiamente, partimos
para nos aproximarmos de Cassis.
25 Agosto –
Avinhão – Cassis – Montpellier (260km)

Hoje vamos chegar ao Mediterrâneo, vamos
passar por Marselha uma cidade muito bonita e insegura mas não iremos parar, porque
optamos por visitar um dos segredos guardados nesta região “Cassis”, uma bonita
vila aprazível, que tem bonitas praias banhadas por este mar tão encantador. Quando chegamos sem querer descobrimos o
comparsa do Obélix, o conhecido Astérix, perguntamos por ele mas não nos
conseguiu dar novidades, aliás estão feitos um com o outro, nada de notícias,
sabendo ele, também que nós, Portugas viemos este ano à procura do Obélix, para
lhe rapinar alguns menires, umas pernas de javali e de um forte abraço. Estivemos
a dar mais umas voltas porque julgávamos nós que ele estaria por perto,
entramos num mercado de rua muito característico, repleto de bancas de venda de
frutos, doces e alguma roupa, deu para comprarmos umas uvas que estavam
deliciosas o menino Carlos que tinha mexido numas uvas a vendedora ainda lhe
deu uma reprimenda. Percorremos as ruelas e casebres onde existem imensas lojas
de artesanato e restaurantes, aqui ao lado, tão lindo porto cheio de
barquinhos. Também houve meninos e meninas que foram empapar o rabinho neste
mar.
Por agora finalizamos o passeio e a caminho de Montpellier. Percorremos
uma distância razoável e entrarmos nos arredores da cidade, combinamos arranjar
camping o mais cedo possível para não termos contratempos. Optamos por ficar o
mais perto do destino e aí seguimos por ruas, caminhos e veredas para
atingirmos o Camping Le Floréal, situado na Rua de la Première Ecluse, 34970
Lattes, mais nos pareceu um camping que frequentamos há muito anos em Paris que
tinha muito mal aspecto.Escolhemos os sítios que nos mais agradaram e a
surpresa; mesmo de fronte um emigrante Portuga dentro da sua casa caravana,
falava desalmadamente com sua irmã que concluímos estar em Portugal, tanta
conversa, tantos lamentos que se considerou um desgraçado, achamos tanta graça
que granjeámos a ouvir todo aquele paleio. Conseguimos ouvir uma enorme conversa que
ele e a mulher estavam a ter, mas a nossa vida não é esta, deixássemos o parque
e fomos até à cidade que se situa a meia dúzia de quilómetros. Estamos sempre com vontade de explorar
tudo, mas o nosso problema é a falta de tempo. Entrámos na cidade pelo local
mais tinhoso, rua cheia de pintas encostados às portas a darem um mal aspecto
deste sítio. Mais à frente avistamos o Arco do Triunfo, eu chamo-lhe o Arco do
Fiasco, tantas inglórias, batalhas e usurpações esbanjados pelos franceses. Lá
adiante começamos mais uma digressão, atrás de nós fica o parque de Peyrou,
muitas pessoas se encontram sentadas na relva a fazerem piqueniques ou no
paleio, no paredão final avistamos o aqueduto, obra do século XVIII. Ignorámos
um pouco a parte histórica e atravancamos na Place de la Comédie, sentados na
borda de um lago na tagarela e a descansar um pouco a fadiga. A fome começou a despertar e procuramos um
local digno de todos, vamos jantar no restaurante L’Entrecôte – 3 rue de
Verdun, 34000 Montpellier, vimos que a maioria dos restaurantes se encontram
cheios, sabemos que este onde fomos é de boa qualidade, mas também há uma fila
imensa, no entanto resolvemos esperar e fomos reparando que as pessoas
instaladas na esplanada não têm pressa e a comida tem um excelente aspecto. Já
sentados mandamos vir os pratos iguais para todos.A fórmula é bem simples:
Salada com nozes
Bife do lombo finamente cortado
Batatas palito espessura de um fósforo
Famoso molho.
Bom vinho branco
Boa cerveja
Água da boa
Boa disposição do grupo.
Todos adoramos a comida estava uma delícia
e a sobremesa foi uma guloseima. A noite já ia longa, regressamos ao Camping
cerca das 22h00. Não dá para acreditar mas o morcão/totó ainda estava com
aquela conversa que tinha-mos presenciado no início da tarde e gravamos um
pouco da conversação.
Há frases como:
- Os meus amigos vão para
Famalicão vão para a serra da Estrela para aqui para acolá, não tinha
dinheiro, veio-me esfolar, fui ao mercado, paguei tudo a gozar com a minha
cara e a esfolar o irmão, olhem que se amanhem…
- A esfolar o irmão é por ele
ser emigrante…
- Paguei a ela, convidei a
Maria paguei o jantar paguei o hotel em Vila do Conde, paguei o hotel 50€ ,
paguei almoço, e ainda estão a gozar com a minha cara, não, estão a gozar
com a minha cara não, estão-me a explorar a mim não, acabou, acabou, é
como o Virgílio como o Afonso, paguei a ela eu quero se fodam…
Frases como estas foram
repetitivas, no fundo também se podia ouvir a mulher deste cromo a meter a
colherada, dois imigrantes do melhor que há. 26 Agosto –
Montpellier - Andorra (459km)

Vamos iniciar outra etapa em direcção de Cuenca para
contemplarmos as casas colgadas, local encantador e impressionante. Já muito
perto da fronteira espanhola o Carlos colocou a hipótese de passarmos por
Andorra, sugestão aprovada por maioria. Há frases como: Viagens como a actual com muitos dias há sempre espaço para que
situações como esta tenham ajustes. Eu tinha dito que ao passarmos a fronteira existe um espaço
comercial “ Gran Jonquera”, onde poderíamos fazer algumas compras, no entanto
parámos e aconteceu que este tinha sido totalmente modificado e o aspecto nada
tem a ver com o que em tempos aqui havia, é agora um outlet, que não presta,
perdeu toda a qualidade que já existiu, paciência e partimos. Vamos fazer o
percurso pelo lado espanhol, caso tivéssemos decidido mais cedo havia um
percurso por França mais rápido.
Para mim este também é um trajecto novo, já tinha
feito anos atrás o outro por França. Fomos passando por vales e muita montanha,
estradas sinuosas e estreitas, queríamos ver neve nos locais elevados nem vê-la,
conforme íamos andando a temperatura oscilava entre o vale e a alta montanha,
habituados que estávamos ao calor, houve momentos que sentimos aquele frio que
já nos era desconhecido, é que nos encontramos nos Pirenéus. Cruzamos a
fronteira do principado na realidade não existe nenhum príncipe, apenas
designados de co-príncipes o chefe de estado de França e o bispo de Urgel que
nomeiam os seus representantes para a governação deste micro estado.
É o único
país do mundo onde os seus dois chefes de estado são escolhidos por um país
estrangeiro o francês é eleito por cidadãos franceses, mas não é eleito por
Andorranos, visto este não poderem votar nas presidenciais francesas e o
co-príncipe episcopal e bispo de Urgel é nomeado por outro chefe de estado
estrangeiro o Papa.
A língua oficial é o catalão, embora o espanhol português e
francês sejam comumente falados. Ficamos instalados no Camping Valira na
capital, Andorra a Velha. Também podemos dizer que as nossas férias são também
gastronómicas por várias razões, gostamos de boa comida e terminar o dia
repimpados. O eleito desta vez, Arrosseria Andorra Restaurant – Carrer de la
Vall, 1 AD500, optamos por paelha, foi uma delícia, uma boa aposta pois não
conhecíamos tal restaurante, também por se encontrar longe dos lugares comuns
de passagem, estava bem escondido lá no alto numa pátio junto a uma ruela
pedonal. Mais outo final de dia fantástico, é para isso que nós todos cá andámos.
27 Agosto – Andorra – Andorra (77km)
Sitiados em Andorra a Velha, capital deste
pequeno país encaixado nos Pirenéus, envolvido pela Espanha e França e com
paisagens exuberantes.

Há quem só venha no Inverno para fazer ski.
Com uma população de 20000 habitantes permanentes que noutras alturas do ano
duplica faz parecer uma grande cidade, completada com muitas lojas de grandes
marcas e não só. Tudo aqui se comercializa, os preços já não são tão
apetecíveis como antigamente, reparámos que conseguimos comprar vestuário mais
caro do que em Portugal apenas bebidas, perfumes, tabaco, detergentes e algum
material fotográfico é mais económico. Fizemos um percurso vasto, entramos em
vários locais e pouco ou nada adquirimos, por exemplo comprei uma garrafa de
1,75l de gin da marca Bombay Shappire pela módica quantia de €19,75, em
Portugal 70ml custam muito mais, fiz uma boa compra. Nunca é demais passear
pelas ruas muito cuidadas, construções adequadas, pequenos jardins, trânsito e
semáforos controlados, não se vêm engarrafamentos, fantástico quando nos
deparamos com o rio que se enquadra nas urbanizações e corre desalmadamente
pelo meio da cidade.Continua uma temperatura magnífica e perduramos na nossa
lide, atingimos o Mc Mc comer uns hambúrgueres de seguida fomos buscar as viaturas
para irmos até Pas de La Casa, onde se situa um dos melhores resorts de ski de
Andorra, aí existem 31 teleféricos. Todos nós, somos dos melhores esquiadores
que se encontram neste momento por estas bandas pena é que nem um bocadinho de
neve que seja há, nem nas montanhas mais altas que se vêm lá ao longe não possuem
neve. A Júlia foi comprar a Minnie Mouse, figura do Walt Disney, uma enorme
ratazana para oferecer à sua neta as senhoras compraram detergentes em lojas
dominadas por portugueses que para aqui imigraram e conseguem ter uma melhor
vida.Aqui voltamos a ver Obélix em foto, mas ainda nada de o ver pessoalmente.
Assim se cifrou a vinda a esta paragem e olhamos para as montanhas totalmente
despidas de neve. No regresso fizemos uma paragem bem no alto em Port D’envalira
a 2408 metros de altitude, para quem tiver falta de ar este é o local ideal
para arejar e purificar a vista. Meritxell, uma pequena vila de Andorra onde
fizemos uma pequena paragem para visitar a basílica que substitui o santuário
de estilo românico original, desaparecido num incêndio em 1972.
Conclusão de
mais uma vinda a este local aprazível e encantado que mais vezes aqui voltaremos.
Para o resto da noite resolvemos jantar no restaurante do camping que nos
preparou umas refeições saborosas, acompanhadas com boa cerveja.
28 Agosto – Andorra – Toledo (680km)
Começamos por fazer uma longa etapa. Na
fronteira entre este país e Espanha o Cláudio foi mandado parar pela polícia
onde lhes fiscalizaram parte do carro e fizeram algumas perguntas, como se
levava bebidas, mostrando-lhe ele que apenas transportava uma garrafa.

Será que
o Cláudio e Cândida têm pinta de contrabandistas e levariam umas dezenas de
garrafas, chocolates e rebuçados! Mal se eles soubessem que havia uma
bicicleta totalmente desmanchada para poder ser transportada, se a vissem
ficariam histéricos e criavam problemas imediatos, estes também vivem obcecados
em arranjar chatices. Há horas dos dias que criam monstruosos engarrafamentos à
procura de quem leva mais uma merdinha para casa. Fomos andando que se faz
tarde e ainda nos encontramos muito longe de Toledo, tanto que o trajecto é
cheio de enormes subidas e de início ainda tivemos de utilizar as estradas
nacionais. Chegados a Saragoça entramos na autovia, similar das nossas ex scut (sem custo para o utilizador)
que viraram auto-estrada a partir da altura que se começaram a pagar, golpe do
político Portuga. Em Espanha continuamos a utilizá-las gratuitamente. Reparei que tenho estado a gastar mais um
pouco de gasóleo e o motor não responde como em outros dias, calculo que é
resultado da merda de combustível que comprei em Andorra, é mais barato, mas
por vezes o barato sai caro, aqui está um desses resultados, é que meti do mais
caro, então! Entramos nas zonas das subidas que nunca
mais acabam, segue-se uma descida, mais outra subida e a distância ia
encurtando aos poucos, até que rondamos Madrid e entrámos em mais outra
autovia, também é gratuita, novamente outra, saímos desta e outra grátis,
passa-se o mesmo em Portugal, na zona de Tomar saio da IP3 julgo agora A23 e
entro na A13, pago no primeiro pórtico 0,35€, ando 600 metros, outro pórtico
para deixar mais 0,30€, porreiro, só mais uma deixa para compor o texto deste
dia.
Contudo já estamos a circular ao longo de Toledo, conseguimos avistar esta
tão digna cidade-fortaleza rodeada por uma muralha, pontilhada por pontes e
portas antigas como a ponte de San Martin e a ponte de Alcantara a puerta del
Sol e puerta Bisagra. Procuramos e fomos parar num camping excelente o El Greco
– 45004 Toledo. Esta terra é conhecida mundialmente desde os primórdios por
fabricar um aço incrivelmente duro e tecnologicamente avançado na época, cerca
500AC, aqui se produziam e produzem espadas. O nosso e também, deles o rio
Tejo, passa por aqui com pressa de chegar à nossa bela Lisboa. Tivemos pouco tempo para visitar esta
cidade, o percurso feito a pé foi longo, passamos por uma das portas principais
a Bisagra, subimos uma longa rampa de onde tivemos uma vista espectacular e
entramos nas ruelas estreitas, desembocando na principal plaza de Zocodover, onde
cursamos até ao restaurante eleito para hoje o “Abadia” já noite, tivemos de
regressar ao camping a razão principal, hora do fecho deste.
29 Agosto – Toledo – Lisboa (624km)
E chegou o dia de regressarmos a casa
depois de gozarmos o nosso período de férias grandes, já parecemos os miúdos
quando andam na escola e anseiam pelas férias de verão.

Ao longo de todos os
anos concluímos que necessitaríamos de mais dias para concretizamos as voltas
perfeitas, um dia irão acontecer. Está mais um dia de calor intenso,
circulamos em autovia em direcção a Elvas, é um percurso fastidioso que já
todos o fizemos, apenas queremos fazer quilómetros e vamos conversando pelos
rádios, falamos de tudo, desta forma a descontracção minimiza e não damos pelo
tempo que se foi diluindo, passamos Almaraz onde se situa uma central atómica,
aquela que está mais perto de Portugal, esperamos que nunca aconteça nada de
mal, que esteja sossegadinha até ficar velhinha e que não estrague o nosso querido
Tejo. Já perto da fronteira combinamos almoçar em
Elvas num restaurante bom que conhecemos, mas azar o nosso, hoje domingo
encontra-se encerrado, optamos por outro mais adiante que também é dos
favoráveis localizados em S. Vicente na rua de Elvas 96 de nome Pompílio.
Perdemos muito tempo à espera da nossa vez, estava lotado e o alentejano depois
de sentar à mesa tem grude e não descola, basta estar com um café à frente para
alongar qualquer tipo de paleio. E quando já não há conversa perdem-se a olhar
para os próximos clientes que estão na rua ou no pátio a secarem ou a morrer de
fome, o tempo que estivemos à espera andou pelos 80 minutos, somos mesmo
pacientes – o tanas é que somos, hoje é que estávamos numa de não nos
chatearmos. O Carlos foi umas tantas vezes espreitar e perguntar se ainda
demorava muito. Ao fim daquele tempo todo, finalmente entramos e ainda vimos
muitos chaparros boquiabertos a controlarem a nossa entrada. Porém os pratos e
a rapidez esmerou-se, tudo estava perfeito. Agora vamos fazer a última tirada
para as nossas casas pela nacional 4, calmamente, porém quando circulávamos na
zona onde se encontra a academia do sporting e eis que um matador entrou quase
totalmente em contra mão em alta velocidade numa curva longa em direcção à
minha viatura que seguia atrás da do Cláudio, eu fiz um pequeno desvio para a
berma e eis que ainda raspou com o espelho na traseira da caravana, atrás vinha
o Carlos que também teve muita sorte pois o matador ia direito a ele, o bandido
conseguiu passar rês-vês por ele e quase se enfiava do camião que seguia atrás,
grande sorte que o bandido teve, deveria ter ficado com os cornos espetados de
vez no camião. Parámos, vi o risco que ficou na pintura, apenas ficou um
pequeno vinco, mais viaturas que vinham atrás de nós repararam o que sucedeu e
que poderia ter sido muito grave, quem parou também e se apercebeu foi o
Oliveira o nosso motociclista 88.O Cláudio ainda tentou ir atrás do matador
mas fugiu sem deixar rastos. Susto ultrapassado, em parte, seguimos o nosso
caminho e parámos um pouco perto de Alcochete para rematar conversa e
despedirmos até às próximas viagens que todos merecemos. Conclusão, fizemos 6782 quilómetros sem ver
um acidente ou manobra perigosa que fosse, foi preciso chegar à porta de casa
para relatarmos a estupidez, má formação de um português que fez merda da
grossa.